| Em 08/11/2023

Projeto fomentado pela Fapeg vai desenvolver leite em pó a partir do gergelim

O projeto foi selecionado por meio do Programa Centelha/GO 2. (Foto: arquivo do empreendedor)

Uma nova opção para o consumo de leite em breve estará disponível no mercado. O leite em pó obtido a partir do gergelim está em fase de prototipagem e de análises físico-químicas e microbiológicas necessárias para ser comercializado. O projeto inovador “Otimização da produção de leite em pó a partir do gergelim” consiste na substituição da soja por gergelim para produção do leite em pó rico em cálcio, proteínas, fibras, metionina e ômega-3 e 6; além da implementação de três tecnologias de secagem para comparação do rendimento e custo.

Selecionado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) por meio da Chamada Pública 05/2021 do Centelha 2 – Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores, o projeto propõe desenvolver um novo tipo de leite que deve ocupar um nicho no mercado que vai atender as necessidades de diversos clientes, destacando as pessoas veganas que se abstêm do consumo de alimentos de origem animal.

O coordenador proponente do projeto, João Corrêa Borges Filho, destaca que a preferência por bebidas alternativas ao leite de origem animal vem apresentando um grande destaque no mercado atual, mas ele ressalta que, alguns leites vegetais, como o obtido a partir da soja, possuem proteínas com grande potencial alergênico, que acaba restringindo a possibilidade de consumo. O autor do projeto também explica que “há outros pontos que favorecem a rejeição do consumo do leite de origem animal como o aumento expressivo de pessoas que desempenham intolerância à lactose, proteína do leite, quantidade significativa de resíduos medicamentosos nos laticínios e o veganismo”.

Segundo João Corrêa, a inovação do projeto em estudo de otimização, caracterização e padronização do leite de gergelim em pó está na viabilização dos projetos de secagem empregando três tecnologias a fim de selecionar o processo mais econômico para que a venda seja com preço acessível e que apresente maior rendimento.

Valor nutritivo

(Foto: arquivo do empreendedor)

O pesquisador explica que os principais componentes nutricionais das sementes de gergelim são: as proteínas, os carboidratos, as fibras alimentares, os lipídeos (ácidos graxos palmítico, oleico e linoleico), vitaminas (vitamina E, vitaminas do complexo B e niacina), substâncias bioativas (compostos fenólicos) e imunoestimulantes (a arginina, a metionina, a cistina e a leucina), os minerais (fósforo, cálcio, magnésio, potássio, zinco, selênio, sódio, ferro) tendo como reputação um “banco de nutrientes para todos os fins”. “Esses conteúdos nutricionais, destacando-se o elevado teor de cálcio e proteínas, propicia o desenvolvimento de produtos alimentícios funcionais como opção alternativa aos alimentos de origem animal à base de plantas, como por exemplo os leites vegetais”, explica ele, acrescentando que Goiás é um grande produtor da oleaginosa.

“Sempre tive vontade de desenvolver o leite de gergelim em pó e, diante disso, fui atrás de conteúdos relacionados a essa oleaginosa, como artigos científicos e patentes e o Programa Centelha, por meio da Fapeg, forneceu-me oportunidade de fomento para o desenvolvimento do alimento com caráter criativo e inovador”, relata o empreendedor. João Correa Borges Filho é consultor e possui experiência com cereais desde 2006, onde trabalha na produção e distribuição de farinhas e derivados. Tem experiência no desenvolvimento de maquinários voltados para processamento de cereais.

Para desenvolver o projeto junto ao Centelha, o empreendedor contará com a parceria do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas que disponibilizará uma equipe composta por mestres e doutores das áreas de farmácia e engenharia de alimentos.

João Corrêa contará, ainda, com a participação da bolsista Fernanda Maria da Silva Vieira, pelo Programa Centelha. Ela é graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), onde desenvolveu três projetos de iniciação científica na área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) de produtos. Também atuou como pesquisadora e consultora para indústrias de alimentos/bebidas e cosméticos, contribuindo para a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de produtos e/ou processos. É mestre em ciências farmacêuticas pela UFG.

Também compõe sua equipe, Leticia Pereira Borges, graduada em Nutrição pela UFG. Pós-graduada na mesma área pela UFG. Possui experiência em pesquisa científica na qual foi bolsista do CNPq durante a faculdade. Atualmente atua no beneficiamento e produção de produtos naturais a partir de grãos e cereais. Tem experiência com beneficiamento do gergelim. Tem atuação na área administrativa de indústrias de alimentos.

(Foto: arquivo do empreendedor)

Centelha 2

O Centelha, em Goiás, é executado pela Fapeg. Trata-se de um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), operado pela Fundação Certi.

O objetivo do programa é estimular a criação de empreendimentos inovadores a partir da geração de novas ideias, e disseminar o empreendedorismo inovador por meio de capacitações para o desenvolvimento de produtos (bens e/ou serviços) ou de processos inovadores e apoiar, por meio da concessão de recursos de subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) e Bolsas de Fomento Tecnológico Extensão Inovadora, a geração de empresas de base tecnológicas a partir da transformação de ideias inovadoras em empreendimentos que incorporem novas tecnologias aos setores econômicos estratégicos do estado de Goiás.

 

Fonte: FAPEG (Por: Helenice Ferreira/ Ascom Fapeg)

 

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