| Em 19/06/2026

Paraná ganha cooperativa inédita para transformar ciência em negócios inovadores

(Foto: Roberto Dziura Jr/AEN)

O Paraná terá a primeira cooperativa científica do Brasil reunindo empresários e cientistas com o objetivo de transformar pesquisas acadêmicas em produtos e serviços para a população. A Cooperativa de Ciência, Tecnologia e Negócios Inovadores (CTNI Coop) foi lançada na terça-feira (9), no Palácio Iguaçu, com o objetivo de transformar conhecimento científico em novos negócios.

A iniciativa, coordenada pelo Instituto CTNI – Centro de Tecnologia, Negócios e Inovação, conta com apoio da Fundação Araucária e busca integrar pesquisadores, empresários, executivos e especialistas das áreas financeira e jurídica em um modelo cooperativista voltado à criação de negócios inovadores baseados em ciência, tendo como foco inicial a bioeconomia.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou do lançamento e ressaltou que, além de transformar conhecimento em riqueza, a CTNI Coop vai oferecer novas oportunidades aos pesquisadores e consolidar o Paraná como referência nacional em inovação. “Já somos o estado que, per capita, mais investe em ciência e tecnologia no Brasil, e a ideia é que esse investimento retorne para a sociedade”, afirmou.

“Queremos que o setor produtivo possa estar próximo das nossas universidades e vice-versa. E a proposta de criação de uma cooperativa vai nesse caminho, para que pesquisadores e cientistas possam estar próximos das nossas indústrias e do setor produtivo desenvolvendo novos produtos e inovações”, salientou Ratinho Junior. “Isso permite que o Estado tenha cada vez mais soluções que possam ganhar mercado e melhorar os processos de quem gera emprego para o Paraná”.

A ideia é que a cooperativa desenvolva soluções principalmente para setores estratégicos da economia paranaense, como água, energia e produção de alimentos, tendo em vista a transformação digital e o desenvolvimento sustentável.

SISTEMA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA – Além de um forte setor cooperativista, o Estado tem também um sistema robusto de ciência e tecnologia, com 11 universidades públicas, sete delas estaduais, e dezenas de Parques Tecnológicos e institutos de pesquisa.

A CTNI Coop vai integrar esse ativo, atendendo a dois desafios centrais: a transformação da pesquisa em negócios e a ampliação das oportunidades para os pesquisadores, aproximando ciência, inovação e empreendedorismo. Embora existam outras cooperativas de pesquisadores no País, ela é a primeira a reunir empresários e cientistas com o objetivo de transformar pesquisa de laboratório em novos negócios.

Segundo o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, apesar da elevada produção científica brasileira, ainda existe dificuldade na academia em converter resultados de pesquisa em produtos e serviços para a sociedade e o mercado. “Precisamos, cada vez mais, fazer a transformação da pesquisa científica, da ciência e tecnologia, em produtos e inovação. Precisamos que isso vá para o mercado e crie riquezas para a sociedade paranaense em diversas áreas”, disse.

O Paraná conta atualmente com aproximadamente 26 mil doutores e forma centenas de novos pesquisadores todos os anos – grande parte desses profissionais atua no setor público ou depende de bolsas financiadas pelo poder público. “A Fundação Araucária tem acesso a esse contingente de doutores através de uma plataforma que nos diz quem são eles, onde estão e quais são suas áreas de pesquisa”, explicou Wahrhaftig.

“A ideia é trazê-los para essa cooperativa para que eles possam trabalhar em projetos que contem com apoio do empresariado, para desenvolver produtos para o mercado”, ressaltou. “O Paraná é muito forte no setor cooperativista e agora vai contar com uma cooperativa de cientistas e homens de negócios”.

IMPLANTAÇÃO – O Instituto CTNI, instituição sem fins lucrativos voltada à cooperação entre o setor produtivo, a ciência e o mercado internacional, dará todo o apoio à cooperativa nos três primeiros anos de funcionamento. Isso inclui suporte jurídico, contábil e operacional, além de oferecer espaços físicos como escritórios e salas de reuniões.

A cooperativa é direcionada a cientistas, pesquisadores e doutores de diferentes áreas do conhecimento; empresários, empreendedores, executivos, especialistas em gestão financeira e em gestão jurídica e profissionais envolvidos com inovação e desenvolvimento de negócios.

A constituição oficial da cooperativa está prevista para as próximas semanas, com a participação de aproximadamente 20 membros-fundadores, entre cientistas e empresários. “Antes mesmo da constituição, vamos agregar à cooperativa cientistas de várias áreas, representando oito ecossistemas de inovação. Ela já vai iniciar com quatro projetos que já estão bem avançados e poderão ser finalizados nesse ambiente”, explicou o diretor do Instituto CTNI, Atilano de Oms Sobrinho.

“O Paraná tem um sistema de ciência muito consolidado, mas muitas vezes a academia tem dificuldade em passar do projeto científico para o um produto ou sistema que traga resultados para sociedade”, salientou ele. “Aí que vão entrar os empresários nessa conexão, para fazer aquele projeto retornar em benefício à sociedade”.

Para Natxo de Vicente, CEO da Cooperativa Mondragón, a proposta da CTNI Coop representa uma iniciativa inspiradora por reunir conhecimento, talento e propósito em torno de um modelo colaborativo de desenvolvimento.

“É uma honra participar deste momento. Ver um estado que conta com cerca de 26 mil doutores mobilizando pesquisadores e especialistas para construir uma iniciativa coletiva voltada à geração de conhecimento, inovação e oportunidades é algo muito inspirador. Para nós, da Mondragón, é uma experiência muito bonita acompanhar o surgimento de um projeto que busca criar uma sociedade mais equilibrada “, destacou.

O empresário e presidente do Biopark, Luiz Donaduzzi, enfatizou que a CTNI Coop surge para ajudar a reduzir a distância entre o conhecimento produzido nas universidades e as demandas reais da sociedade.

“O Brasil produz ciência de qualidade e forma pesquisadores altamente capacitados, mas ainda enfrenta desafios para transformar esse conhecimento em inovação aplicada. A CTNI Coop chega em um momento muito importante, criando uma ponte entre os doutores, pesquisadores e as necessidades das empresas e cooperativas. É uma oportunidade de conectar inteligência, conhecimento e mercado para desenvolver soluções que gerem impacto para a sociedade e para a economia”, disse.

Odacir Antonelli, CEO do Grupo Repinho e idealizador do Cilla TechPark, reforça que a  iniciativa tem valor imensurável, não apenas para a geração de negócios e para o fortalecimento do setor produtivo, mas também como um instrumento de inclusão e transformação social.

“O Brasil precisa cada vez mais conectar conhecimento, pesquisa e empreendedorismo para enfrentar seus desafios. Como empresário e presidente do Hospital do Câncer, acompanho diariamente a importância da pesquisa na busca por soluções que melhorem a vida das pessoas. Por isso, me sinto honrado em participar deste momento e parabenizo todos os envolvidos por essa grande iniciativa”, observa.

PRESENÇAS — Também participaram do lançamento o vice-governador Darci Piana; o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi; os secretários estaduais da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm; da Indústria, Comércio e Serviços, Felipe Flessak; e da Comunicação, Cleber Mata; o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado; o deputado federal Sandro Alex; os ex-governadores Mário Pereira e João Elísio Ferraz de Campos; acadêmicos, cientistas, empresários e demais autoridades.

Fonte: Fundação Araucária (Por: Ascom F.A.)

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