| Em 22/06/2026

Startup oferece aluguel de abelhas para polinização de cafezais no estado do Rio de Janeiro

Paula Barbosa, CEO da Rent a Bee: startup oferece aluguel e transporte de abelhas para propriedades especializadas na produção de cafés especiais, com o monitoramento da polinização dos insetos no cafezal e a avaliação da produtividade (Foto: Divulgação)

Voando de flor em flor, as abelhas são responsáveis pela polinização das diversas espécies vegetais e têm sido fundamentais ao longo da história para promover a variabilidade genética das plantas e a agricultura. Promovendo de forma inovadora essa tecnologia natural no estado do Rio de Janeiro, a startup Rent a Bee oferece um serviço inusitado: o aluguel de colmeias de abelhas (da espécie Apis mellifera) e o monitoramento técnico da polinização desses insetos em cafezais de propriedades rurais no Noroeste Fluminense. O projeto foi contemplado pela FAPERJ, por meio do edital Doutor Empreendedor.

“A polinização é um trabalho que as abelhas realizam naturalmente há 125 milhões de anos. A grande virada evolutiva dos vegetais aconteceu a partir da polinização cruzada feita pelas abelhas, que é a transferência do gameta masculino para o feminino nas flores. A partir de então começou a existir a variabilidade genética das plantas na natureza”, explicou Paula de Sousa Barbosa, CEO da Rent a Bee. E justificou: “Sem as abelhas não existem alimentos. O açaí, por exemplo, depende 100% delas. Algumas culturas de café dependem até 90% das abelhas. A carne também, porque a soja depende das abelhas. Sem o polinizador não há soja, principal fonte proteica do animal.”

Médica Veterinária com Doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ela explica as diferentes etapas do trabalho da Rent a Bee, que tem como público-alvo produtores especializados em cafés especiais. “No nosso modelo, oferecemos não só o aluguel do enxame, mas também a prospecção e o monitoramento no cliente. Primeiro, realizamos uma visita técnica para avaliar se ele tem condições de receber os enxames de abelhas. Isso envolve avaliar se há fornecimento de água para as abelhas, se ele usa pesticidas, quem são as outras propriedades vizinhas e se aplicam pesticidas. Dez dias antes da floração da flor do café, levamos as abelhas e trabalhamos o hectare cultivado a ser melhorado com a polinização. Colocamos de sete a nove caixas com colmeias nessa área, o que representa uma média de 700 mil abelhas por hectare. Cada caixa tem 58 cm por 46 cm de altura e 41 cm de frente”, detalhou Paula, que é professora auxiliar na Estácio de Sá, em Campos dos Goytacazes.

Em parceria com o IFF, a Rent a Bee desenvolveu seu modelo de negócio e teve como experiência-piloto o atendimento a um pequeno produtor cafeeiro de Bom Jesus de Itabapoana – município situado a 330 quilômetros da capital fluminense, com tradição agropecuária. “Levamos as abelhas para lá, fizemos todo o protocolo e colhemos o café. Com os últimos dados, vamos comparar a produtividade do ano passado e a produtividade atual, para avaliar a eficácia da polinização assistida de forma inteligente”, contou.

Detalhe da colmeia dentro da caixa: para cada hectare, os profissionais levam uma média de 700 mil abelhas (Foto: Divulgação)

Fascinada pelo universo das abelhas, Paula explica os cuidados durante o transporte dos insetos produtores de mel. “Transportamos as abelhas à noite porque elas costumam trabalhar de dia e voltar à noite para a colmeia. Elas são soltas no cafezal uns sete dias antes da floração, porque as flores do café abrem todas de uma vez. Depois que as flores caem, nós retiramos as abelhas. Elas sempre voltam sozinhas para a colmeia à noite, atraídas pelo odor da rainha, que fica no ninho e é a mãe de todas elas. E a rainha só sai do ninho quando precisa se acasalar, durante o voo nupcial com os zangões”, detalhou. “Nossa equipe tem bastante experiência de trabalho. A técnica deve ser feita com muita calma, utilizando macacões anti-ferroadas e o fumegador, um equipamento de apicultura que faz fumaça”, completou.

Paula espera que a Rent a Bee se torne um diferencial tecnológico para os produtores de cafés especiais no estado do Rio de Janeiro. “Estamos desbravando um segmento de mercado no agro fluminense. Nossa ideia é que esse conhecimento técnico se transforme em instrumento de organização e eficiência para fortalecer nossa cadeia agrária de uma maneira cada vez mais sustentável. O estado do Rio de Janeiro tem todo o potencial para que isso aconteça e a FAPERJ tem sido nossa aliada para a criação da nossa startup. Vamos fortalecer a cadeia de apicultores e cafeicultores”, concluiu.

Fonte: FAPERJ (Por: Débora Motta/Ascom Faperj)

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