| Em 01/10/2015

Pesquisadores testam a carqueja para tratamento da esquistossomose

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(Foto: Divulgação)

A carqueja é usada para tratar problemas no fígado e no estômago. Essa planta popular está sendo testada por pesquisadores do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como um tratamento natural para a esquistossomose mansônica, uma infecção parasitária que atinge mais da metade dos municípios sergipanos. Segundo a coordenadora do projeto, Cláudia Moura de Melo, a esquistossomose é a primeira e a principal infecção parasitária no estado de Sergipe.

A professora Cláudia explica que o molusco Biomphalaria aquático infectado transmite o Schistosoma mansoni que penetra via pele humana. “Uma vez que essas coleções hídricas estejam contaminadas com fezes de portadores esquistossomóticos, o molusco tem potencial para se tornar transmissor. É suficiente o contato com água com contaminação fecal, ao pisar em poça ou entrar nas margens de uma represa ou açude. Esse parasita que penetra pelo tegumento humano vai se diferenciar em um helminto adulto, se reproduzir de forma sexuada e a fêmea vai liberar ovos que podem se fixar nos tecidos humanos (fígado, intestino, pulmão etc) e liberam uma substancia tóxica que causa uma reação inflamatória denominada granuloma”, afirma.

Em fases crônicas da infeção parasitária, o indivíduo pode apresentar grave insuficiência hepática em função do tamanho das áreas lesionadas. Sua patogênese pode acometer diferentes órgãos e sistemas com sérias implicações para a saúde do indivíduo, entre as quais destaca-se a fibrose hepática periportal.

Tratamento

Para o tratamento da doença, são disponibilizados de forma gratuita pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE), fármacos que foram desenvolvidos ainda na década de 60. A pesquisadora Cláudia Melo ressalta que são fármacos antigos e os parasitas já se adaptaram ao medicamento perdendo a sua eficiência na ação esquistossomótica.

“O fármaco de primeira escolha causa uma série de efeitos colaterais. Uma pessoa que toma o fármaco pode apresentar tonturas, sonolência, náuseas/vômitos, cefaleia, febre e trombocitopenia. Imagine a tolerabilidade de crianças, idosos, gestantes ou uma pessoa desnutrida”, alerta.

Com objetivo de diminuir os transtornos causados pelo atual fármaco, e ampliar a eficácia, a equipe de pesquisadores do projeto coordenado pela professora Cláudia estão avaliando e desenvolvendo novas estratégias terapêuticas, com menos danos e com uma resposta eficaz ao tratamento.

“A linha de pesquisa do Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias (LDP/ITP) é avaliar a atividade biológica de produtos naturais com vistas ao desenvolvimento de bioprodutos para utilização na terapêutica e controle de infecções parasitárias. Desta forma, trabalhamos com fitoterápicos, plantas medicinais, que algumas vezes são resgatados/prospectados via sabedoria popular. Também estamos trabalhando com a própolis vermelha, originária dos Estados de Sergipe e Alagoas, e romã. Estes dois bioprodutos têm apresentado ação anti-inflamatória e anti-fibrótica”, afirma.

De acordo com a professora Cláudia Moura, dos três grupos testados, o que deu mais resultado satisfatório foi a carqueja. Ao utilizar essa planta, os pesquisadores tiveram a diminuição do número de ovos gerados pelo parasita, impedindo o avanço da doença.

Fonte: Fapitec/SE (Por: Assessoria de Comunicação – Fapitec/SE)

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