| Em 20/06/2016

Pesquisadores avaliam saúde bucal dos indígenas de Mato Grosso do Sul

A partir de 1999, a atenção à saúde dos povos indígenas passou a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da estruturação do Subsistema de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e de diversas ações previstas na Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASI).Mais de 50% dos povos indígenas da América latina e Caribe estão localizados em território nacional e o país é um dos únicos no continente americano, que possui um sistema único de saúde que leva em consideração as especificidades sócio-culturais na estruturação e organização dos serviços de saúde, destinados a estes grupos populacionais.[cml_media_alt id='9401']capa_indigena_ saude bucal[/cml_media_alt]

Entretanto, o Brasil não desenvolve sistematicamente estudos de linha de base, diagnósticos de saúde e inquéritos com os grupos populacionais indígenas, que permitam conhecer os perfis de saúde, obter indicadores, avaliar serviços de saúde e fornecer subsídios para planejar e estruturar ações de saúde, direcionadas aos grupos indígenas do país.

Pensando nisto, um grupo de pesquisadores da instituição Fundação Oswaldo Cruz coordenada pelo cirurgião dentista, Rui Arantes, avaliou as condições de saúde bucal de indígenas de quatro das seis etnias presentes em Mato Grosso do Sul: Kaiowá, Terena, Guarani e Kadiwéu.

Foram examinados 516 indígenas Guarani, 611 Kaiowá, 535 Terena e 168 Kadiwéu nas idades de interesse, totalizando 1.662 indivíduos. Foram comparadas a experiência de cárie, aferida pelo índice CPOD (média de dentes cariados, perdidos e obturados); a cárie presente, aferida pelos dentes cariados não tratados e o índice de cuidados, que mede a incorporação de tratamento restaurador.

Nas idades de 5, 12 e entre 15 e 19 anos, tanto a experiência de cárie, quanto a cárie presente foi maior entre os Terena. Na faixa etária de 35 a 44 anos não foram observadas diferenças significativas entre as etnias. Na dentição decídua, os valores médios do índice de cárie (CEO) foram de 4,68 para crianças Terena; 3,09 para Guarani; 2,14 para os Kaiowá e 4,36 para os Kadiwéu.

Aos 12 anos, a média do CPOD para os Terena foi de 2,17 dentes; ou seja, as crianças Terena apresentaram em média 2,17 dentes cariados (C), perdidos (P) ou obturados (O); significativamente maior em relação aos Guarani, Kaiowá e Kadiwéu que apresentaram respectivamente 1,53; 0.93; e 1,68.

Os Terena apresentaram maior escolaridade e nível de renda em relação aos Guarani e Kaiowá e também maior acesso a procedimentos restauradores. Os autores concluem que apesar dos indígenas do MS apresentarem níveis moderados de cárie nas faixas etárias mais jovens, existem diferenças significativas entre as etnias. Já nas faixas etárias adultas 35 a 44 anos, a prevalência de cárie é elevada, com grande número de dentes perdidos e com elevada necessidade de próteses dentárias.

Os autores observaram também uma associação entre renda e níveis de cárie nas crianças indígenas do Mato Grosso do Sul. “As crianças pertencentes às famílias de menor renda, com acesso ao programa bolsa família apresentaram maior prevalência de cárie quando comparadas às crianças pertencentes às famílias de maior renda que não tinham acesso ao programa”, afirma o coordenador da pesquisa.

Texto: Diogo Rondon – Ascom FUNDECT

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