| Em 29/09/2020

Equipamentos com luz ultravioleta inativam o novo coronavírus

Desenvolvidas pela startup BioLambda, tecnologias permitem descontaminar máscaras de proteção, além de superfícies, ambientes e o ar. (Foto: Agência FAPESP)

A startup paulista BioLambda desenvolveu ao longo dos últimos anos equipamentos que emitem radiação ultravioleta C (UVC) com ação germicida para descontaminação em indústrias alimentícias, farmacêuticas e de outros segmentos. Com o surgimento da pandemia de COVID-19, a empresa, apoiada pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PI PE), criou rapidamente uma linha de equipamentos voltados para descontaminação de máscaras de proteção, superfícies, ambientes e o ar, com o objetivo de reduzir os riscos de contaminação pelo novo coronavírus.

Alguns dos equipamentos, como um descontaminador manual de superfícies como a de telefones, teclados, maçanetas e compras de supermercados, e outros voltados para descontaminação de ar e de máscaras de proteção N95 ou de tecido já estão sendo comercializados. Outra linha de produtos, como descontaminadores de ambiente e de ar para ambientes menores, deve ser lançada em breve.

“Os testes, feitos em laboratório de biossegurança de nível 3 [NB3], mostraram que mesmo o nosso equipamento com menor potência, que é o descontaminador portátil de superfícies, é capaz de eliminar 99,9% da carga de coronavírus em menos de um segundo”, diz Caetano Sabino, fundador da empresa.

Os equipamentos têm sido usados tanto em ambientes corporativos, para descontaminação de objetos e ambientes, como doméstico, para desinfetar compras de supermercado, por exemplo.

“O sistema é extremamente rápido e eficaz, não deixa resíduos, não degrada materiais e pode ser usado tanto em superfícies mais simples, como de metal ou plástico, e até em mais complicadas, como embalagens, papéis, tecidos, alimentos e eletrônicos, em que não é possível usar desinfetante”, afirma Sabino.

Para garantir a eficácia microbicida, os equipamentos são baseados em dois parâmetros principais: a potência óptica pela área incidida, chamada irradiância, e o tempo de exposição com essa irradiância, que resulta na dose de UV.

O comprimento de onda aplicado pela empresa é de 254 nanômetros (nm). Essa dose garante maior eficácia microbicida, seja para bactérias e parasitas ou para vírus de DNA e de RNA, como o SARS-CoV-2, apontou Sabino e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em um estudo recém-publicado na revista Photodiagnosis and Photodynamic Therapy.

A luz ultravioleta com comprimentos de onda superiores a 180 nm pode causar efeitos adversos à saúde, como danos aos olhos, câncer de pele e envelhecimento. Portanto, os raios ultravioleta C nunca devem ser usados diretamente sobre a pele e os olhos de seres vivos, ressaltam os pesquisadores. “A luz ultravioleta não pode ser utilizada em pessoas e animais. Somente em objetos inanimados”, destaca Sabino.

O efeito microbicida dos equipamentos ocorre porque as bases constituintes do DNA e do RNA absorvem luz na faixa UVC. Esse efeito produz uma reação de fotoadição com moléculas próximas, gerando fotoprodutos que distorcem a estrutura do DNA ou do RNA e inibem as funções desse material genético.

As lâmpadas dos equipamentos desenvolvidos pela BioLambda têm espectro de emissão sobreposto com o máximo de absorção do material genético, o que possibilita que a eficiência seja tão alta, explica o pesquisador. “Nossos pilares são segurança e eficácia. Por isso, fazemos as validações microbiológicas e operacionais em ambientes reais e em laboratórios independentes”, afirma Sabino.

O descontaminador manual de superfícies, batizado de UVSurface, foi validado no laboratório de biossegurança de nível 3 do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Já o descontaminador de ar, chamado UVair, foi avaliado na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas. Os resultados dos testes indicaram que, em 15 minutos, o equipamento foi capaz de reduzir a contaminação do ar em 99,96%.

“Os testes foram feitos em uma clínica compartilhada na Faculdade de Odontologia da universidade, onde seis dentistas trabalham ao mesmo tempo, demonstrando que o equipamento pode trabalhar continuamente, com a presença de pessoas, nos mais diversos ambientes”, diz.

A empresa já comercializa dois modelos do equipamento hoje, sendo um voltado para ambientes com até 150 metros quadrados (m²) e outro para locais com até 75 m² para uso industrial, hospitalar e corporativo. Nos próximos dias devem ser lançadas outras duas versões para uso em ambientes com 34 e 15 m², como salas de reuniões e consultórios odontológicos.

Os equipamentos UVair são feitos com aço inoxidável e possuem exaustores de ar e lâmpadas geradoras de luz UVC com comprimentos de onda de 254 nm. O ar sugado trafega por cerca de dois segundos em uma câmara espelhada contendo as lâmpadas de baixa pressão de vapor de mercúrio geradoras de alta potência de luz UVC para então ser devolvido ao ambiente.

“A luz UVC gerada fica totalmente contida dentro do equipamento. Desse modo, não oferece risco às pessoas”, explica Sabino.

Próximos lançamentos

A BioLambda também desenvolveu e deve lançar uma linha de equipamentos para desinfecção de ambientes. Um dos equipamentos, que é fixado no teto, possui sensores redundantes que ativam o sistema ao detectar a presença de pessoas. O equipamento também pode ser acionado ou desligado com controle remoto.

“O equipamento é voltado para os mais diversos ambientes. Estamos focando bastante em consultórios médicos e odontológicos, elevadores e banheiros”, diz Sabino.

Hospedada na incubadora de startups do Hospital Israelita Albert Einstein, a empresa também está desenvolvendo em parceria com a instituição um equipamento móvel, operado remotamente, para desinfecção de ambientes para uso hospitalar.

 

Fonte: FAPESP (Texto: Elton Alisson)

 

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