| Em 15/10/2024

Do saquinho de alpiste à prótese de silicone. Parceria de startup com a Rede Feminina de Combate ao Câncer transforma vida de pacientes

(Foto: Divulgação)

Aos 46 anos, a comerciante Mirian Zancanaro Wergutz foi diagnosticada com câncer de mama. Passou por cirurgia para a retirada de um nódulo mas, depois de cinco meses, o câncer voltou mais agressivo e foi necessário fazer uma mastectomia com a retirada total da mama. Além da dor física, ficaram os sentimentos de medo, angústia, vergonha, insegurança e a queda da autoestima.

Mirian procurou várias formas de se adaptar à nova realidade. “Tentei com espuma e até saco de alpiste, mas nada substituia o peso e o formato da mama adequadamente. Não encontrei nenhum sutiã adaptado que se ajustasse a minha situação”, relata.

Ela conta que sempre foi muito vaidosa, gostava de ir à praia, usava roupas com decote e mais justas, mas que deixou tudo isso de lado. “Sentia que tinha que aceitar que a minha situação não me permitia mais essas vontades”, comenta.

Várias vezes pensou em fazer a cirurgia de reconstrução mas teve medo de seu corpo rejeitar e passar novamente pela retirada. “Foi então que eu conheci esta prótese de silicone, confesso que foi uma alegria imensa. O tamanho, formato e peso são perfeitamente proporcionais e deixa tudo muito natural. Consegui voltar a usar as roupas que eu gostava, ir à praia e recuperei minha autoestima”, conta Mirian.

A prótese que foi tão importante para Mirian recuperar sua autoestima e se sentir uma mulher completa novamente, foi desenvolvida pelos pesquisadores da startup Regenera 3D em um projeto conjunto com a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Curitiba, que conta com a doação de próteses mamárias a pacientes vítimas de câncer de mama.

O engenheiro e sócio da startup, Antônio Verguetz, explica que a grande diferença deste produto em relação aos demais é a ergonomia. “São adaptados ao corpo da mulher, não são apenas um volume. Testamos em trezentas mulheres, para chegar em uma relação peso/volume que fosse semelhante a uma mama.”

“Assim, conseguimos fazer um sistema de alívio de peso que mantivesse a geometria e permitisse a prótese ser colocada no lugar do bojo de um sutiã, ficando imperceptível”, destaca o engenheiro.

Engenheiro e sócio da startup Regenera 3D, Antônio Verguetz.
(Foto: Ian Lages – UTFPR)

Inovação à serviço da sociedade 

A ideia da produção das próteses mamárias surgiu da demanda apontada pela Rede Feminina de Combate ao Câncer. Os recursos para a aquisição dos equipamentos utilizados pela startup para a produção das próteses foram adquiridos durante a participação da Regenera no Programa Centelha.

O programa, realizado com recursos da Fundação Araucária e da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora. “Todo o apoio que recebemos participando do Centelha foi primordial para a existência da Regenera”, enfatiza o engenheiro Antônio Verguetz.

A vice-presidente estadual da Rede Feminina de Combate ao Câncer do Hospital Erasto Gaertner, Angela Hilgemberg Zanlorenzi, destaca que a parceria com a startup foi fundamental para a execução do projeto. “A Regenera realizou, incansavelmente, todos os testes necessários. Desenvolveu a parte técnica da prótese e foi uma grande aliada no sucesso desse projeto”, ressalta.

Outro fator importante, segundo a vice-presidente, é o custo benefício da prótese desenvolvida. já que a Rede é mantida por doações de empresas e da população.“Através da parceria com a Regenera nós conseguimos adquirir um produto com valor muito menor que as próteses vendidas no mercado, o que possibilita um maior número de doações. Mesmo as pacientes com condições financeiras de adquirir a prótese podem comprar no bazar boutique da Rede por um valor muito menor”, observa Angela.

Antônio Verguetz  explica que a prótese é produzida com um material que pode ser higienizado e usado na praia e na piscina. “Muitas destas mulheres usavam saquinhos de alpiste para preencher o espaço da mama retirada, antes de ter acesso à prótese. Com a prótese podem ter uma vida normal, inclusive ir à praia.”

As próteses são doadas às pacientes encaminhadas pela equipe médica do Hospital Erasto Gaertner que executa a cirurgia de mastectomia. Além das próteses que são doadas, a Rede Feminina de Combate ao Câncer tem um bazar boutique, sem fins lucrativos, dentro do Hospital Erasto Gaertner onde também há próteses e sutiãs adaptados à venda com preço acessível.

“A importância de iniciativas como esta é a recuperação da autoestima e confiança da mulher para continuar a sua vida social e suas relações, isso apoia a mulher emocionalmente evitando crises de depressão e ansiedade”, destaca a vice-presidente da Rede Feminina. 

Todos os meses são doadas cerca de 20 próteses. Com a receita das próteses vendidas na lojinha da Rede Feminina são financiadas as próteses doadas. Desde o início do projeto em julho de 2022, já foram entregues, entre doação e venda, mais de 1500 conjuntos de próteses e sutiãs. “A ideia é que após patentear o produto seja possível distribuir as próteses para todas as Redes Femininas do Brasil”, lembra Angela.

Mais informações podem ser obtidas nas redes sociais da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Curitiba, no Instagram @rfcc_curitiba e no Facebbok Rede Feminina de Combate ao Câncer de Curitiba.

Durante o mês de outubro a startup Regenera 3D também está com uma campanha de doação de 50 próteses mamárias. Mulheres mastectomizadas podem entrar em contato pelo e-mail contato@regenera3d.com.br

Centelha 

O Programa Centelha oferece capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso. A iniciativa contou com o investimento da Fundação Araucária e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) de R$ 4,6 milhões em suas duas edições. O número de empresas apoiadas deve passar de 70, com o valor de até R$ 60 mil por projeto.

A FINEP anunciou um investimento de R$ 124 milhões na terceira edição do Centelha que deve ser lançada em breve. O valor é quase o dobro da edição anterior.

Fonte: Fundação Araucária (Por: Ticiane Barbosa/Ascom F.A.)

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