| Em 23/10/2015

Bolsista Funcap/CNPq faz pesquisa sobre crustáceos no Rio Jaguaribe

Lagostas, camarões e caranguejos estão entre os mais famosos representantes da ordem Decápoda, a maior entre os Artrópodes. Em Fortaleza, os três citados também estão entre os mais apreciados “frutos do mar”, termo utilizado na culinária em referência aos crustáceos e moluscos utilizados na alimentação humana.

O Ceará é considerado o maior consumidor e importador de caranguejo do Brasil, com destaque para a alta procura em Fortaleza. Por conta da pequena área de estuário no estado, a maioria dos caranguejos consumidos é oriunda do Piauí, Maranhão e Pará, sendo o Delta do Rio Parnaíba a principal região produtora de caranguejo-uçá do Nordeste do Brasil.

A pesquisadora Cynthia Yuri Ogawa, bolsista de Desenvolvimento Cientifico Regional (DCR) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), está desenvolvendo há um ano a pesquisa “Ecologia reprodutiva e distribuição de crustáceos decápodes em um estuário do nordeste, Ceará”.

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A pesquisa se propõe a gerar informação relevante sobre fatores que afetam a distribuição e reprodução de espécies de crustáceos que ocorrem no estuário do Rio Jaguaribe, como Cardisoma guanhumi, Ucides cordatus, Uca maracoani, Clibanarius vittatus, e Clibanarius sclopetarius. O caranguejo-uçá (Ucides cordatus) é o famoso caranguejo consumido nas barracas e restaurantes de Fortaleza, enquanto o guaiamu (C. guanhumi) é muito apreciado nos estados vizinho e exportado, sendo pouco consumido no Ceará. As duas são as espécies que mais sofrem com a pesca.

“Eu trabalho com biologia reprodutiva de crustáceos. Isso quer dizer que eu tento estabelecer quando, onde e com que tamanho os caranguejos e caranguejos ermitões se reproduzem. O meu campo é no estuário do Rio Jaguaribe e eu costumo fazer coletas mensais”, explica a pesquisadora.

Há uma parte do projeto com a questão de distribuição e zonação de crustáceos ao longo do estuário. “Tenho tentado, como algo a mais e que não estava previsto no projeto original, fazer alguma coisa de divulgação das espécies que ocorrem por lá, ameaças que elas sofrem, além da pressão pesqueira, e outros aspectos que acredito serem importantes”, destaca Cynthia.

Além disso, informa a bolsista, as outras grandes ameaças são a carcinicultura, pois além de introduzir espécies exóticas acidentalmente, polui a água e desmata a área, e a exploração imobiliária, cada vez mais ocupando áreas onde anteriormente encontravam-se mangues.

Programas de manejo para proteção de ecossistemas

Entre as metas da pesquisa estão prover informações de utilidade para o manejo e compreensão da dinâmica de populações de crustáceos em áreas costeiras e estuarinas e contribuir para o manejo de ecossistemas complexos, como manguezais, por meio da proposta de um modelo adequado que descreva o ecossistema.

De acordo com o projeto apoiado pela Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a escassez de modelos ambientais no Brasil, especialmente no Nordeste, dificulta a elaboração e implementação de programas eficientes de manejo e proteção dos ecossistemas sob pressão da atuação humana, como os manguezais.

Segundo a pesquisadora, a informação é parte essencial para a formulação de qualquer plano de manejo. “O conhecimento sobre a biologia básica de muitas espécies ainda é escasso no Brasil, em especial no Nordeste. É uma esperança minha que essa informação possa ser usada para se pensar os planos de manejo. Com esse tipo de informação é possível escolher áreas de proteção representativas para a reprodução de uma espécie”, explica Cynthia.

A bolsista DCR destaca a necessidade de pensar nas populações ribeirinhas que dependem dessas espécies. Com o plano de manejo adequado, seria possível beneficiar não só as espécies estudadas, mas também as gerações presentes e futuras. “A informação de base é essencial para tudo isso”, informa.

Sobre a pesquisadora

Apaixonada por Ciências desde a adolescência, Cynthia Yuri Ogawa graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e tornou-se mestre em Oceanografia Biológica pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Rio Grande do Sul. Tornou-se doutora em Biociências Aplicadas pela Tokyo University of Marine Science and Technology (TUMSAT), no Japão.

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Fascinada pela ideia de produzir conhecimento, aos 12 anos sentia-se dividida entre o céu, por conta da Astronomia, e o mar, pelo interesse em peixes e outras formas de vida. Até assistir a um biólogo marinho falar em um programa de TV que nós possuímos mais conhecimento sobre as estrelas do que sobre os mares e oceanos.

“Aquilo me marcou. Como era possível termos mais conhecimento sobre o espaço em que não há um consenso sobre o seu tamanho – fixo ou em expansão? – do que sobre o mar? Foi aí que eu me decidi por ser uma bióloga marinha. Na época, no entanto, eu pensava que trabalharia com peixes marinhos. Foi só na faculdade que surgiu o amor pelos crustáceos que perdura até hoje. Eu vi que era um grupo muito importante, mas pouco estudado e que poucas pessoas se importavam em preservá-los”, explica.

No primeiro semestre da graduação, há 15 anos, ela ouviu falar de um professor que fazia pesquisa sobre crustáceos no Curso de Engenharia de Pesca e foi conversar com ele. “Na época ele tinha uns programas de cultivo de crustáceos e eu achei muito interessante”, relembra. Atualmente, a pesquisadora desenvolve seus estudos no Departamento de Biologia da UFC, por meio da bolsa DCR concedida pela Funcap e pelo CNPq, com o auxílio de estudantes de graduação do curso de Ciências Biológicas e do mestrado e doutorado em Ecologia e Recursos Naturais da UFC.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação da FUNCAP

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