| Em 18/03/2016

15% das crianças e adolescentes de Sergipe sofrem com excesso de peso

A obesidade infantil é um distúrbio alimentar que tem atingindo cada vez mais crianças e adolescente de forma precoce. Um estudo realizado pela doutora em Nutrição, Danielle Góes da Silva, pretende analisar a linha de cuidado disponível nos serviços públicos de saúde do estado de Sergipe para crianças e adolescentes com excesso de peso.

Problemas psicossociais, ortopédicos, respiratórios, endócrinos, gastrointestinais e até cardiovasculares são alguns das principais consequências do excesso de peso na infância. Segundo a pesquisadora Danielle, esses problemas têm afetado cada vez mais esse público jovem devido aos hábitos alimentares inadequados, desde os primeiros anos de vida, e ao sedentarismo.  

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“As últimas pesquisas de consumo alimentar mostraram que o brasileiro tem aumentado drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados, com alto teor de açúcar, sal e gordura saturada, e baixo teor de fibras e de nutrientes como as vitaminas e minerais, e reduzido o consumo de alimentos regionais como arroz e feijão e produtos naturais como frutas e legumes. Também, o estilo de vida sedentário vem fazendo parte do nosso dia-a-dia. Não se pode perder de vista que as crianças e adolescentes estão expostos da mesma forma a todo este ambiente promotor da obesidade, fato que merece atenção por parte dos serviços públicos de saúde”, alertou a doutora em Nutrição.

Danielle Góes lembra que os hábitos alimentares inadequados começam desde o primeiro ano de vida, como a interrupção do aleitamento materno e a inadequada introdução de alimentos complementares ao leite materno.  “Hoje já é possível encontrar na idade pré-escolar muitas crianças com colesterol alto e hipertensão arterial, devido ao excesso de peso. Tudo isso é reflexo do ambiente promotor da obesidade em que vivemos”.

Pesquisa

O estudo que vem sendo desenvolvido com o financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) pretende avaliar qual a rede de serviços públicos disponível para atenção nutricional às crianças e adolescentes com sobrepeso/obesidade no estado de Sergipe. Segundo a pesquisadora Danielle, de acordo com a última pesquisa nacional (2008-2009), o sobrepeso atinge cerca de 34% de crianças brasileiras de 5 a 9 anos, e a obesidade 14,3%. Em Sergipe, ainda não houve estudos com amostragem representativa do estado, que identificassem o problema do excesso de peso entre crianças e adolescentes. Contudo, resultado de pesquisa publicada pelo IBGE em 2009 com escolares no 9o ano do ensino fundamental do município de Aracaju, identificou 14,2% de sobrepeso e 5,4% de obesidade.  Ainda, em 2010, tese de mestrado com pré-escolares de escolas públicas de Aracaju identificou cerca de 13% de excesso de peso.

“A partir de 2013, o Ministério da Saúde publicou portarias que instituíram a organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e da obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas Não transmissíveis no âmbito do SUS. Com base nisto, e no aumento da obesidade infantil em todo país, vimos a importância de analisar quais as ações e serviços atualmente disponíveis ao cuidado nutricional de crianças e adolescentes com excesso de peso do estado de Sergipe. No intuito de posteriormente, construir uma proposta de linha de cuidado e submeter à apreciação e pactuação com os gestores de saúde. A organização da linha de cuidado é um novo modelo de assistência à saúde que reorganiza os processos de trabalho desde a atenção básica até outras ações assistenciais. No modelo atual e tradicional, a assistência é fragmentada, sem ações articuladas e cuidadoras”, pontua.

Ainda segundo a pesquisadora Danielle Góes, o problema da obesidade infantil precisa ser reconhecido pela gestão da saúde, e as ações de proteção, vigilância e assistência ao cuidado nutricional deste grupo precisam ser implementadas o quanto antes, a fim de evitar maior comprometimento à saúde destes indivíduos. “Muitas vezes a gestão de saúde não reconhece o problema porque os dados disponíveis ainda não foram organizados e analisados devidamente. A partir do momento que o problema é identificado, as estratégias de ação pode ser elaboradas e discutidas visando o aprimoramento da qualidade da atenção integral à saúde desses usuários nos serviços públicos de saúde.”

Fonte: Assessoria de Comunicação – Fapitec/SE

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