| Em 23/06/2025

Vitamina D aumenta a chance de câncer de mama desaparecer com quimioterapia

Após 6 meses de tratamento oncológico e de suplementação, 43% das participantes que usaram a vitamina D tiveram o desaparecimento da doença com a quimioterapia, ante 24% das pacientes do grupo placebo (imagem: National Cancer Institute)

Estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp) mostrou que a suplementação de vitamina D em baixa dosagem pode aumentar a eficácia do tratamento quimioterápico em mulheres com câncer de mama. Com os resultados, a substância desponta como potencial alternativa para drogas de difícil acesso, cujo objetivo também é aumentar a resposta à quimioterapia.

Apoiada pela FAPESP, a pesquisa envolveu 80 mulheres com mais de 45 anos que iriam iniciar o tratamento no ambulatório de oncologia do Hospital das Clínicas da FMB-Unesp. Elas foram separadas em dois grupos: 40 delas tomaram 2.000 UI (unidades internacionais) de vitamina D por dia, enquanto as outras 40 receberam comprimidos placebo.

Após os seis meses de tratamento oncológico e de suplementação, 43% das participantes que usaram a vitamina D tiveram o desaparecimento da doença com a quimioterapia, contra 24% do grupo placebo. Todas as participantes do estudo realizaram a chamada quimioterapia neoadjuvante, quando o tratamento é utilizado para facilitar a cirurgia de retirada do tumor.

“Mesmo com uma amostra pequena de participantes, foi possível observar uma diferença expressiva na resposta à quimioterapia. Além disso, a dosagem usada na pesquisa [2.000 UI por dia] está muito abaixo da dose de ataque para a correção da deficiência de vitamina D, que costuma ser 50.000 UI por semana”, afirma Eduardo Carvalho-Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo e um dos autores do artigo publicado na revista Nutrition and Cancer.

Imunidade

A vitamina D é um hormônio que atua na absorção de cálcio e fósforo, sendo fundamental para a saúde óssea. Estudos recentes têm destacado que ela também desempenha um papel importante no sistema imunológico, ajudando a combater infecções e doenças como o câncer. No entanto, a maioria dos estudos que relacionam câncer e suplementação de vitamina D utilizou doses elevadas da substância.

A obtenção desse hormônio se dá, sobretudo, por meio da exposição à luz solar e da alimentação. A ingestão diária recomendada para quem não tem carência da vitamina é de 600 UI, enquanto pessoas idosas devem consumir 800 UI por dia. A Academia Americana de Pediatria recomenda 400 UI de vitamina D por dia para bebês. Vale lembrar que o excesso pode ser tóxico e causar vômito, fraqueza, além de dores ósseas e cálculo renal.

A maior parte das participantes do estudo tinha níveis baixos de vitamina D (menos de 20 nanogramas por mililitro de sangue – ng/mL). Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o recomendado é entre 40 e 70 ng/mL. “Com a suplementação, os níveis aumentaram ao longo do tratamento quimioterápico, o que reforça uma possível contribuição na recuperação das pacientes”, conta à Agência FAPESP Carvalho-Pessoa. “A vitamina D é uma opção acessível e barata em comparação a outras drogas usadas para melhorar a resposta à quimioterapia, algumas delas nem incluídas no rol do Sistema Único de Saúde”, acrescenta.

Para o pesquisador, os achados abrem caminho para uma investigação mais aprofundada sobre o papel auxiliar da substância na resposta ao tratamento oncológico. “São resultados animadores que justificam uma nova rodada de estudos com um número maior de participantes. Isso vai permitir um maior entendimento sobre o papel da vitamina D no aumento da resposta ao tratamento quimioterápico e, por consequência, na maior chance de remissão do câncer de mama”, conclui.

O artigo Vitamin D Supplementation Improves Pathological Complete Response in Breast Cancer Patients Undergoing Neoadjuvant Chemotherapy: A Randomized Clinical Trial pode ser lido em: www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01635581.2025.2480854.

Fonte: FAPESP (Por: Maria Fernanda Ziegler / Agência FAPESP)

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