| Em 20/03/2015

Professores da UFC pesquisam como identificar e detectar células cancerígenas por meio de lectinas

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. Professor do Departamento de Patologia e Medicina legal da Faculdade de Medicina da UFC, Edson Holanda Teixeira vem trabalhando na identificação e detecção de células cancerígenas por meio de lectinas, proteínas que se ligam a carboidratos de forma estável e reversível, sem modificá-los.

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“As lectinas tem a propriedade de se ligar a carboidratos de forma específica. Essa é a grande vantagem, o grande potencial dessas moléculas. Elas podem selecionar”, explica o professor do Departamento de Engenharia de Pesca da UFC, Alexandre Holanda Sampaio. “Por isso que a gente trabalha com o professor Edson na detecção de células cancerígenas, porque muitas células cancerígenas sofrem modificações em suas glicoproteínas de membrana e lectinas podem ser capazes de reconhecer”, acrescenta. De acordo com o professor Edson Holanda Teixeira, além da célula perder a capacidade de controlar a divisão celular, podem ocorrer alterações na expressão de muitos outros genes. Como exemplo, Edson cita as enzimas utilizadas pelas células para “inserir” carboidratos nas glicoproteínas de membrana denominadas glicosiltransferases.

“Uma das formas de comunicação entre as células são esses carboidratos. Então, se você tem alteração nesses genes, a quantidade e o tipo desses carboidratos nas membranas da células tumorais pode ser alterada. Dessa forma, as lectinas podem ser capazes de identificar de uma forma mais efetiva essas células tumorais do que as células normais.”, diz. Para o professor, por conta da dificuldade em diagnosticar alguns tipos de câncer, ter uma ferramenta para facilitar esse diagnóstico é uma prioridade para comunidade científica. “É importante que a gente trabalhe com isso. Mais do que isso: essas lectinas, ao se ligarem a esses receptores, já nos mostraram que induzem essas células a entrarem em morte celular programada, apoptose. Então, são duas linhas: uma de diagnóstico e outra de ‘terapia’”, destaca Edson.

Apoio da Funcap

A pesquisa faz parte do projeto “Avaliação do potencial de macroalgas marinhas como fonte de moléculas com atividades biológicas: isolamento, caracterização química, estrutura e atividades biológicas de lectinas” aprovado no edital 08/2010 – Programa Núcleos de Excelência (Pronex), da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Parte dos recursos foi destinada à compra de equipamentos e reagentes, a serem utilizados na pesquisa a ser desenvolvida sobre detecção de células cancerígenas.

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