| Em 08/03/2023

Semana da Mulher: pesquisadora apoiada pela Fapespa promove ações de manejo sustentável e o aperfeiçoamento de mulheres na agricultura familiar, no vale do Acará

Professora e pesquisadora Wilza da Silveira Pinto apresentando o projeto SustentArá. (Foto: arquivo pessoal da pesquisadora)

O município de Acará, localizado a 100 quilômetros de Belém, é uma localidade de extrema riqueza para o estado. Tal importância se deve tanto a sua cultura como a sua economia, em decorrência do processo histórico imigratório japonês no município, que deixou heranças em algumas atividades agrícolas, como o cultivo de pimenta-do-reino, dendê, madeira, produtos granjeiros, açaí e frutas diversas.

Além disso, atualmente, o âmbito da agricultura está ainda mais diversificado. A atividade por muito tempo foi dominada majoritariamente por homens mas, hoje em dia, as mulheres estão conquistando significativamente a sua posição como produtoras. Nesse sentido, a promoção da qualificação e do ingresso delas na atividade agrícola é de suma importância.

Sob essa lógica, se faz presente o projeto “Manejar para sustentar – SustentArá”, coordenado pela professora e engenheira agrônoma Wilza da Silveira Pinto, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Este projeto é financiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e administrado pela Fundação Guamá (PCT Guamá), e visa não só contribuir diretamente para a bioeconomia do estado como promover a autonomia e o empoderamento de produtores, principalmente mulheres, e a igualdade de gênero no âmbito da agricultura no estado do Pará.

Sobre o surgimento da iniciativa, Wilza relata: “Nos foi apresentada a demanda através do poder público do município e das pessoas ligadas a trabalhos na comunidade de Boa Esperança, que nos procuraram para intervir num processo de desenvolvimento local”.

O projeto desenvolveu palestras e oficinas de capacitação em manejo para produção, voltadas à produção de açaizais nativos e meliponicultura na comunidade de Boa Esperança, localizado no município de Acará, onde residem 50 famílias de agricultores e extrativistas familiares. Os mesmos trabalham com a produção de açaí e mandioca para diversas finalidades.

(Foto: arquivo pessoal da pesquisadora)

A participação feminina em campo

A fim de construir redes de relações, o projeto trabalha com a metodologia de pesquisa-ação e estende uma mensagem social importante, fortalecendo o cooperativismo na comunidade e o engajamento de mulheres na produção, perpetuando preceitos da igualdade de gênero, com o coletivo de mulheres, e estimulando o empoderamento delas.

Para a coordenadora, “As mulheres ocupam um espaço muito importante na família pela segurança alimentar e liderança familiar. Nós buscamos sensibilizar sua participação como membro ativo no processo de produção e renda. Com a sensibilização e mobilização busca-se a inclusão nos processos de tomadas de decisão familiar, no sistema produtivo. Isto gera empoderamento e maior participação na geração de renda e no processo de gestão da produção”.

(Foto: arquivo pessoal da pesquisadora)

Sendo assim, o perfil das mulheres engajadas no projeto é de produtoras, companheiras de produtores e proprietárias de terrenos. E a participação delas se dá de forma crescente desde a primeira ação do projeto. Entre as oficinas ofertadas pelo SustentArá, a que obteve maior participação feminina foi a de horticultura. Isso demonstra visivelmente o interesse delas nas atividades relacionadas à produção. Portanto, observa-se que o projeto SustentArá, mesmo em pouco tempo de atividade, já apresenta respostas extremamente positivas.

Por fim, vale ressaltar que a iniciativa é liderada por uma mulher, professora e pesquisadora. E, para ela, o ingresso de mulheres na ciência é o grande precursor do desenvolvimento como um todo. “A mulher tem uma capacidade de desenvolver o que ela quiser, seja na ciência, na vida pública, familiar ou na geração de produtos. Avançamos muito neste ambiente e a importância está em ter a mulher atuando no processo de desenvolvimento do país, com a sua capacidade de pensar e desenvolver tecnologias”, finaliza Wilza.

 

Fonte: FAPESPA (Por: Rodolpho Chermont/Ascom Fapespa)

 

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