| Em 06/07/2022

Evento virtual promovido pelo CONFAP e DESE conecta pesquisadores brasileiros e australianos com estudos dedicados aos oceanos

Odir Dellagostin, do CONFAP (à esquerda), Allison Dell, do DESE (ao centro) e Katyna Argueta, do PNUD (à direita) abriram a 2ª edição do Australia-Brazil Virtual Research Collaboration – VCR

Na quarta-feira (29/06) no Brasil, e quinta-feira (30/06) na Austrália, foi realizado o encontro “Australia-Brazil Virtual Research Collaboration – VCR” com foco nos oceanos, que apresentou importantes incentivos para parcerias em pesquisa científica entre o Brasil e a Austrália.

O evento foi realizado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e pelo Ministério de Educação, Capacitação e Emprego da Austrália (DESE), e integra o conjunto de atividades previstas no Memorando de Entendimento assinado entre as duas instituições, em dezembro de 2020. Esta edição contou com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-Brasil).

O encontro virtual foi aberto pelo presidente do CONFAP, Odir Dellagostin que deu as boas-vindas aos pesquisadores participantes. Ele chamou a atenção para a possibilidade criada pela parceria entre CONFAP e DESE de acesso a recursos dos dois países para financiar projetos conjuntos de pesquisa, descrevendo em linhas gerais o processo simplificado estabelecido no memorando. 

Em seguida, Allison Dell, do DESE, destacou o crescimento e fortalecimento de pesquisas colaborativas entre os dois países desde 2007. Naquele ano, havia 17 acordos acadêmicos e de pesquisa entre Brasil e Austrália, em 2020, o número saltou para 135, com crescimento sustentado durante o período de pandemia, em especial nas áreas de medicina e saúde, ciências da terra e sustentabilidade. Esse cenário desenha um campo fértil para um crescimento cada vez maior de parcerias para produção de conhecimento entre os dois países. 

Por fim, Katyna Argueta, representante residente do PNUD-Brasil, reforçou o papel da pesquisa colaborativa entre países na produção de soluções inovadoras para os oceanos, objeto de atenção das Nações Unidas no período de 2021-2030, tendo em vista o atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). A prioridade dada ao tema pela ONU implica em prioridade no investimento de recursos financeiros dos países em pesquisas nessa temática.

Palestras

Dois palestrantes convidados destacaram a oportunidade de Brasil e Austrália reunirem condições privilegiadas para juntos apontarem caminhos para a produção global de conhecimento sobre os oceanos. Milton Kampel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostrou as possibilidades de utilização de novas abordagens em pesquisa como a inteligência artificial e a computação para ampliar a pesquisa nesse tema,  com potencial para gerar soluções para o clima a partir dos oceanos, em especial no carbono azul. 

Beth Fulton, da Agência Nacional de Pesquisa Australiana (CSIRO), chamou o sul global de “hemisfério dos oceanos” tornando estratégica a parceria em pesquisa entre Brasil e Austrália no tema. Por serem os dois maiores países da região e enfrentarem neste momento, de forma mais intensa que o resto do mundo, as consequências das mudanças climáticas em sua costa, os dois países juntos estão em posição de reunir lições aprendidas no hemisfério sul para abrir caminhos de sustentabilidade para o planeta. 

Os pesquisadores destacaram o fato de o uso humano dos oceanos ter aumentado dramaticamente. “Tudo o que é feito na terra hoje, hoje é feito também no mar”, afirmou Fulton. A diferença crucial está no ponto de partida dessa ocupação humana dos mares, uma vez que existem mais informações e conhecimento para se pensar num uso sustentável dos oceanos pela humanidade, com base em pesquisa, especialmente a partir do hemisfério sul.

Conexão entres os pesquisadores

Em seguida, os participantes se dividiram em três grupos distintos para levantar possibilidades concretas e de interesse comum para cooperação. Na sala virtual 1, dedicada a “Oceano e Meio Ambiente”, moderada por Liz Dinsdale da Flinders University da Austrália, os principais temas destacados foram: condução de experimentos conjuntos sobre como os organismos estão se movendo na costa, aquicultura de diversas espécies; uso do sensoriamento remoto para mapear e identificar áreas de interesse comum em pesquisa; corais e métodos para sua sobrevivência; mudanças climáticas e seus efeitos sobre a costa.

Na sala 2, focada em “Oceano e Economia”, moderada por Vikram Garaniya da Universidade da Tasmânia na Austrália, foi discutida a importância de parcerias na área tecnológica e educacional, em especial entre escolas de Engenharia Naval. Um dos pontos de interesse principal foi a navegação marítima, responsável por grande parte das questões ambientais no oceano, em função de 80% do comércio mundial ocorrer por essa via, tendo sido muito intensificado durante o período de pandemia. Foi criado um grupo separado para seguir detalhando a cooperação nesse tema.

Na terceira sala, mediada pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Eduardo Secchi, voltada para “Oceano e Sociedade”, as prioridades de cooperação identificadas foram: mitigação de mudanças climáticas, causas de eventos extremos e acidificação dos mares e segurança alimentar. Um dos principais objetivos seria aumentar a capacidade de prever os impactos de mudanças climáticas nas comunidades costeiras. O compartilhamento de dados entre os dois países foi destacado como essencial para projetos de colaboração nessa área.

Assista a íntegra da abertura e das palestras do evento (áudio em inglês):

Parceria  CONFAP e DESE

O Memorando de Entendimento assinado entre o CONFAP e DESE viabiliza atividades que motivam pesquisadores australianos e brasileiros a atuarem conjuntamente em projetos de pesquisa; possibilita a mobilidade de pesquisadores, alunos de pós-doutorado e alunos de pós-graduação (incluindo doutorado e mestrado) entre os países; a realização de seminários, workshops e publicações para promover os resultados das atividades conjuntas; e a preparação e coordenação de outras atividades em conjunto que possibilitem o intercâmbio científico entre o Brasil e a Austrália. Saiba mais sobre o acordo de Cooperação Científica no link.

Para mais informações sobre as modalidades de fomento das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) que aderiram à parceria CONFAP-DESE, acesse o link, ou envie e-mail para: projetosconfap.dese@gmail.com.

Pelo lado australiano, existem atualmente três Chamadas de Propostas abertas relacionadas ao tema do evento, são elas: Minderoo Foundation; COALAR e Australian Research Council.

 

Assessoria de Comunicação do CONFAP em colaboração com a Assessoria de Comunicação da Embaixada da Austrália no Brasil.

 

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