| Em 16/06/2021

Startup catarinense usa nanotecnologia para produzir defensivos agrícolas orgânicos

NanoScoping Soluções em Nanotecnologia

(Foto: divulgação)

NanoScoping Soluções em Nanotecnologia, startup de Florianópolis, desenvolveu uma linha de defensivos agrícolas de origem natural usando nanocápsulas do tamanho de um vírus. A tecnologia inovadora, que conta com um pedido de patente, recebeu o selo de insumo orgânico e pode ser usada na agricultura orgânica.

A startup tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por meio do Tecnova II SC. Ao todo, o programa destinou mais de R$ 7,5 milhões para contemplar 28 empresas em todo o Estado.

A linha Nano Agro é composta de três produtos: Nano Agro Neem (inseticida), Nano Agro Crop (fungicida e bactericida) e Nano Agro Total (fungicida, bactericida e inseticida). Por serem feitos a partir de compostos de origem natural, são biodegradáveis e biocompatíveis e podem ser usados em uma série de culturas agrícolas, como milho, morango, tomate e alface.

A base dos produtos já é utilizada na agricultura orgânica: melaleuca, neem, citronela e orégano. A inovação está no uso da tecnologia: os óleos essenciais são encapsulados em nanopartículas – impossíveis de serem vistas a olho nú. “Com essa tecnologia, conseguimos atribuir funcionalidades aos princípios ativos”, diz Maria Beatriz da Rocha Veleirinho, sócia da startup.

“Por exemplo: conseguimos aumentar a penetração e espalhabilidade dos princípios ativos na planta. Os óleos essenciais também são bastante voláteis e evaporam ao serem aplicados. Quando você consegue colocar uma estrutura em volta dessa molécula, você consegue prendê-la, como se fosse uma célula. Então os óleos ficam mais tempo na superfície de uma folha, tornando-se mais eficazes”, explica Maria Beatriz.

Testes comprovam a eficiência dos produtos: redução de 47% a 97% no crescimento bacteriano em tomates; redução de 78% a 83% no crescimento fúngico em morangos; redução de 99% a 100% no crescimento bacteriano em pimentões. Outras pesquisas sobre a eficiência continuam sendo realizadas.

“Os testes de eficiência agronômica são realizados juntamente com universidades e instituições de pesquisa e fornecem dados importantes sobre a segurança e dosagem dos insumos em diferentes culturas agrícolas”, salienta Letícia Mazzarino, diretora técnica da NanoScoping.

Segundo Letícia, “conseguir resultados tão promissores sem o uso dos agrotóxicos convencionais vai contribuir muito para aumentar a produtividade dos sistemas orgânicos e melhorar a qualidade dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

A linha foi lançada no final do ano passado. Em fevereiro, após uma criteriosa avaliação, recebeu da Ecocert Brasil, um organismo de inspeção e certificação, o certificado de insumo orgânico para ser usado na agricultura orgânica – para ter este selo é necessário seguir uma série de regras do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Segundo Maria Beatriz, cada vez mais há uma busca por produtos de origem orgânica. “Acreditamos que encontrar o equilíbrio entre o meio ambiente e a produção que alimente o planeta é justamente buscar recursos alternativos e, para isso, utilizamos as tecnologias inovadoras, como a nanotecnologia”, afirma.

“A certificação orgânica assegura que todos os produtos da linha Nano Agro cumprem os requisitos da legislação orgânica no Brasil, Estados Unidos e União Europeia. A certificação é uma ferramenta importante pois fornece confiança a produtores e consumidores”, diz Letícia.

A força do Ecossistema

A startup foi fundada por duas pesquisadoras com um currículo recheado: Maria Beatriz é doutora em Química pela Universidade de Aveiro e Letícia Mazzarino é doutora em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ambas possuem três pós-doutorados. “Somos uma empresa brasileira fundada por pesquisadoras, que após anos de estudos de pós-graduação na área de nanotecnologia, resolveram aplicar seus conhecimentos em benefício da sociedade e dos animais”, explicam no site.

O percurso empresarial da NanoScoping-Soluções iniciou em 2014 durante o Sinapse da Inovação, um programa de incentivo ao empreendedorismo inovador idealizado pela Fundação CERTI e desenvolvido pela Fapesc. Depois de alguns anos de pesquisa e desenvolvimento de produtos em laboratórios, a startup iniciou a operação no início de 2017 comercializando ativos nanotecnológicos para o segmento veterinário – além da agrícola, também possui linhas de nutrição, desinfecção e cosméticos.

Em 2020, a empresa conquistou o segundo lugar no Prêmio Inovação Catarinense – Professor Caspar Erich Stemmer, na categoria Inovação em Produto. No mesmo ano, também recebeu recursos do Tecnova II para desenvolver e aprimorar a linha agrícola. Além dos produtos estarem sendo comercializados e de ter recebido o selo, também foi submetido um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

“O recurso do Tecnova tem sido fundamental para avançarmos nos testes de desenvolvimento de caracterização e de estabilidade, mas também para os testes de campo de eficácia”, conta Maria Beatriz. “Para alguns registros mais específicos precisamos fazer os testes em empresas credenciadas pelo Mapa e são testes, além de trabalhosos, caros. O recurso está sendo fundamental.”

“Quando vemos a trajetória dos empreendedoras da NanoScoping temos certeza que todo o investimento do Governo do Estado e da Fapesc fazem sentido e são decisivos para a transformação do conhecimento em inovação, para a mudança da realidade das regiões e geração de oportunidades aos talentos catarinenses”, afirmou o presidente da Fapesc, Fábio Zabot Holthausen.

O presidente da Fapesc também salienta a importância da Finep, que é parceira de vários programas voltados para a formação de empreendedores e a geração de inovação no setor empresarial, com o Tecnova II. “Com investimento público do Governo de Santa Catarina e articulação realizada pela Fapesc, juntamente com parceiros como a Finep manteremos nossas ações de apoio e fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação.”

 

Fonte: FAPESC (por Maurício Frighetto – Assessoria de Comunicação Fapesc)

 

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