| Em 08/10/2018

Formação de recursos especializados é uma das maiores contribuições da Fapesp para o Brasil

Aumentar até 2023 o dispêndio de pesquisa em colaboração com empresas de 10% para 13% do total e de 5% para 10% em pesquisa em áreas estratégicas, com objetivos definidos em virtude de seu interesse para o Estado. Este é parte do plano de metas orçamentárias aprovado pelo Conselho Superior que o novo presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, ajudará a conduzir ao longo de seu mandato de três anos.

Em cerimônia de posse na sexta-feira (05/10), Zago ressaltou o fortalecimento de programas de perfil tecnológico e de inovação já em curso na Fapesp, sem que o apoio à pesquisa básica sofra qualquer efeito negativo. “Não pode, aqui, haver competição, mas sempre complementariedade”, disse.

Com 150 instituições de pesquisa e desenvolvimento e cerca de 15 mil empresas inovadoras, nas quais atuam 55% dos seus 70 mil pesquisadores, o Estado de São Paulo, lembrou Zago, constituiu ao longo das décadas o mais sólido complexo de ciência, de tecnologia, dos setores acadêmico, industrial, de saúde e de agropecuária do país.

“A formação de recursos especializados para esses setores é uma das maiores contribuições da Fapesp para o Estado e para o Brasil, e será sempre uma de suas prioridades; por isso, 41% dos recursos utilizados pela Fundação no ano passado foram aplicados em bolsas, e desde sua fundação, foram 158 mil bolsas”, disse.

Zago começou seu discurso lembrando que em 2019 completam-se 50 anos da chegada do homem à Lua. E que o sucesso da empreitada não foi resultado do acaso, “de deixar a ciência construir seu caminho”, mas sim uma resultante prática de uma decisão política do presidente dos Estados Unidos John Kennedy, anunciada em discurso ainda em 1961.

“A diretriz política clara, neste caso, foi o enunciado de um tópico de interesse amplo da nação, que originou ações agregadoras e sincrônicas de diferentes níveis. O resultado prático surgiu em oito anos”, disse.

Ele lembrou que o sistema de ciência, tecnologia e educação superior do Estado de São Paulo “não é produto da ação isolada de qualquer líder, governante ou partido político, mas sim uma construção coletiva da sociedade paulista ao longo de décadas”, disse.

“Da mesma forma, o sucesso da Fapesp, construído pela inteligência e dedicação de sucessivos dirigentes, diretores, conselheiros e presidentes, continuará dependente de forte apoio da academia, das empresas, da imprensa paulista, do governo, dos parlamentares, e de um trabalho interno coeso e consistente.”

Programas inovadores
O novo presidente lembrou ainda que, além da formação de recursos humanos altamente qualificados, a Fapesp se caracteriza por programas inovadores que fortalecem ou promovem a formação de núcleos de ciência, tecnologia ou inovação. Como exemplos, citou o sequenciamento do genoma da Xyllela fastidiosa, o Programa Genoma do Câncer, o Programa BIOTA de biodiversidade, o Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia, o Programa de Pesquisa para o SUS, o Programa de Pesquisa em Políticas Públicas e os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs).

Zago destacou também o investimento da Fapesp em Centros de Pesquisa em Engenharia e Centros de Pesquisa Aplicada, em parceria com empresas, para pesquisa por até dez anos e investimentos da Fapesp, das empresas e das universidades e institutos de pesquisa que os sediam

Zago recomendou ainda o fortalecimento do programa de estímulo à cooperação internacional. Entre os resultados, a ação contribuiu para aumentar a relevância dos artigos científicos publicados pelos pesquisadores, o reconhecimento da excelência das universidades e “a atração de jovens pesquisadores do exterior para participar da renovação da força de trabalho especializada”.

Marco Antonio Zago graduou-se pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, onde obteve títulos de mestre e de doutor, tendo realizado o pós-doutorado na Universidade de Oxford.

Foi reitor e pró-reitor de Pesquisa da USP, presidente do CNPq, coordenador do Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto (Cepid Fapesp, diretor clínico do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e membro da Comissão Nacional de Biossegurança. É o atual secretário de Estado da Saúde do Governo do Estado de São Paulo.

Zago sucede José Goldemberg, presidente de 2015 a 2018. Na passagem do cargo, o vice-presidente no exercício da presidência, Eduardo Moacyr Krieger, desejou sorte ao novo presidente e agradeceu o trabalho do antecessor.

“Nossos melhores votos para que em sua gestão a Fapesp continue cumprindo com sucesso sua obrigação constitucional de promover o desenvolvimento científico e tecnológico no Estado de São Paulo. Devemos também consignar um voto de agradecimento ao professor José Goldemberg, homem público, cientista e educador reconhecido internacionalmente, que presidiu a Fundação com competência nos últimos três anos”, disse Krieger.

Além de Krieger, estiveram presentes na cerimônia Ricardo Alexandre Almeida Bocalon, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, representando o governador Márcio França; Wanda Machado Hoffman, reitora da Universidade Federal de São Carlos; Soraya Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo; Marcelo Knobel, reitor da Universidade Estadual de Campinas; Antonio Carlos Hernandes, vice-reitor no exercício da Reitoria da Universidade de São Paulo; Sergio Roberto Nobre, representando Sandro Roberto Valentini, reitor da Universidade Estadual Paulista; Ricardo Toledo Silva, secretário de Estado em exercício de Energia e Mineração; José Luiz Fontes, representando o secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Francisco Sergio Ferreira Jardim; Antonio Rugolo Júnior, secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Saúde; coronel PM Helena dos Santos Reis, secretária-chefe da Casa Militar e coordenadora estadual da Defesa Civil; os conselheiros da Fapesp Pedro Wongtchowski, Ignacio Maria Poveda Velasco, Carmino Antonio de Souza, José de Souza Martins, Ronaldo Pilli, Marilza Vieira Cunha Rudge e Vanderlan da Silva Bolzani, representando ainda o presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira; Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp; Fernando Dias Menezes de Almeida, diretor administrativo da Fapesp; Maria Zaira Turchi, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa; Marcos Buckeridge, presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; Carlos Vogt, presidente da Fapesp de 2002 a 2007; Flavio Fava de Moraes, diretor-geral da Fundação Faculdade de Medicina e diretor científico da Fapesp entre 1985 e 1993; e Axel Zeidler, cônsul- geral da Alemanha.

O discurso de Marco Antonio Zago pode ser lido em www.fapesp.br/12071.

Fonte: Agência Fapesp.

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