
Há anos, moradores da Serra, mais especificamente da região do Rio Jacaraípe, sofrem em épocas de fortes chuvas, com casos de enchentes na região, acarretando a perda de bens, proliferação de doenças e até casos de morte durante estes períodos.
Para tentar minimizar estes impactos negativos e buscar uma solução para o problema, o pesquisador e professor Saymon Castro de Souza implantou na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Fernando Duarte Rabelo um Programa de Iniciação Científica Júnior (Pic Júnior), com o objetivo de desenvolver junto com os alunos um sistema capaz de prever enchentes no rio.
O programa é realizado pelo Governo do Estado por meio de recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), que também realiza o acompanhamento dos projetos. Podem participar até 10 alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, dois professores e dois estudantes de graduação.
Durante a elaboração da pesquisa, o Pic Júnior tem o objetivo de funcionar como um curso para os alunos, que aprendem novos conhecimentos e desenvolvem atividades além do ensino regular. “Os alunos realizaram pesquisas relacionadas ao impacto ambiental, social e urbanístico, além de entrarem em contato com áreas de pesquisa da computação e da engenharia”, destacou o professor e coordenador do projeto, Saymon.
A pesquisa, nomeada de “O uso de redes de sensores para monitoramento da bacia hidrográfica do Rio Jacaraípe para predição de enchentes”, abreviada para Moppe, já chegou ao estágio final e conta com um protótipo e um aplicativo. “O conteúdo que estes estudantes aprenderam eu tive contato apenas no 6º período da faculdade de engenharia de controle e automação. É uma oportunidade única em que, ao mesmo tempo que eu ensino, aprendo com eles, e vice-versa”, destacou Reginaldo Gutter, monitor do programa e graduando no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Funcionamento
O objetivo do projeto foi desenvolver um dispositivo com capacidade de sensoriamento e comunicação sem fio, para o monitoramento da Bacia Hidrográfica do Rio Jacaraípe na predição de enchentes. A equipe criou um protótipo para realizar toda a simulação, com os sensores implantados, a fim de medir dois níveis: o de alerta e o crítico. “Conforme os sensores são acionados, os leds são acesos indicando o estado atual. Caso o sistema seja implantado no rio, os moradores podem acompanhar em tempo real, por meio do aplicativo, como está o nível do rio, podendo se prevenir para enchentes”, destacou Victor Cristian Aguiar, de 17 anos, um dos alunos do projeto.
Como resultado esperado, além da formação e do desenvolvimento do pensamento crítico sobre os impactos decorrentes da situação atual da Bacia Hidrográfica do Rio Jacaraípe, espera-se a conclusão do contato introdutório com a área de pesquisa durante a construção do dispositivo de monitoramento, ampliando as perspectivas dos alunos sobre pesquisa científica.
Pic Júnior
O Pic Junior é desenvolvido com recurso do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio de abertura de editais. O objetivo do programa é tratar um problema real da sociedade, a partir da metodologia, científica para resolver o problema na medida em que isso possa ser palpável para alunos de Ensino Médio.
Anualmente são realizados seminários de avaliação de resultados a fim de verificar como está sendo o andamento de cada pesquisa. “O objetivo é despertar o interesse pela pesquisa científica nos estudantes, proporcionar ainda mais conhecimento e auxílio nos estudos, incentivar que os alunos entrem na universidade e posteriormente se tornem pesquisadores”, destacou o presidente da Fapes, José Antônio Bof Buffon.
Fonte: Comunicação Fapes.