
Atrasos no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem impactar o desenvolvimento da criança. Atualmente, a identificação da condição ainda ocorre tardiamente no Brasil, anos após os primeiros sinais. Mas, em Mato Grosso do Sul, uma pesquisa desenvolvida com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect) pode se tornar uma tecnologia que ajude a vencer o desafio de acelerar o diagnóstico.
A miRTEA Diagnósticos transformou investimento público em inovação e conhecimento científico em ferramenta para a sociedade. Criada a partir de estudos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a empresa utiliza a análise de microRNAs – pequenas moléculas, presentes na saliva, que ajudam a regular o funcionamento dos genes – para identificar alterações no organismo.
“A miRTEA Diagnósticos surgiu a partir de projetos de pesquisa científica desenvolvidos na Universidade Católica Dom Bosco, com foco em Biologia Molecular aplicada ao Transtorno do Espectro Autista. Ao observar a alta prevalência de casos de autismo e o atraso no diagnóstico, percebemos a necessidade de transformar esse conhecimento científico em uma solução real para a sociedade”, explica Alinne Pereira de Castro, pesquisadora e fundadora da empresa.
A tecnologia desenvolvida pela empresa torna o processo menos invasivo e mais acessível, identificando, com precisão, padrões moleculares associados ao desenvolvimento típico ou ao transtorno.
“O principal desafio é o diagnóstico e a possibilidade de uma intervenção precoce. Muitos profissionais esperam a criança crescer para confirmar o diagnóstico, e, enquanto isso, ela não é estimulada e perde tempo de intervenção”, destaca Nathalia Hespanhol Molina, psicóloga que contribuiu com o projeto.
Segundo ela, a demora afeta diretamente o desenvolvimento infantil. “Quanto mais tarde ocorre a intervenção, menos a janela da neuroplasticidade é aproveitada, que é um período em que o cérebro da criança aprende com maior facilidade”, explica. Neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se adaptar, reorganizar e criar novas conexões entre os neurônios.

A transformação da pesquisa em produto foi possível com o apoio do Programa Centelha, iniciativa executada pela Fundect, vinculada ao Governo do Estado e à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
“O Programa Centelha foi fundamental para a transição da pesquisa científica para o empreendedorismo. A subvenção financeira permitiu um avanço para um estágio real de inovação. Hoje somos uma startup de base científica incubada na UCDB, com metodologia padronizada, protocolos exclusivos e um protótipo funcional”, afirma Alinne.
“O programa ampliou nosso impacto, permitindo que a pesquisa ultrapassasse o ambiente acadêmico e se posicionasse como uma solução concreta para a área da saúde”, complementa.
Centelha 3 – A miRTEA Diagnósticos foi impulsionada pelo Programa Centelha, iniciativa que apoia ideias inovadoras e contribui para a criação de negócios de base tecnológica com impacto social.
A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundect, com a parceria de instituições locais como Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS).
A terceira edição do Centelha está com inscrições abertas até 11 de maio de 2026, por meio do site ms.programacentelha.com.br.
O edital prevê a seleção de até 47 propostas, com investimento total de R$ 6,5 milhões. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, além de até R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, concedidas pelo CNPq, totalizando até R$ 139,6 mil por iniciativa.
Podem participar pessoas físicas com ideias inovadoras, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência.
Fonte: FUNDECT (Por: Assessoria de Comunicação – Fundect)
