| Em 22/04/2026

Projeto financiado pela Fapt avança com estudos sobre comunidades tradicionais, memória e sustentabilidade no Cantão

Estudo conduzido pela professora doutora Conceição Aparecida Previero no Cantão evidencia a relação entre biodiversidade, memória e os modos de vida tradicionais da região – Foto: Adla Gonçalves/Governo do Tocantins

A produção de conhecimento sobre o Cerrado e a valorização de comunidades tradicionais no Tocantins ganham reforço com o projeto Agrobiodiversidade e caracterização ambiental dos ‘torrões’ no Parque Estadual do Cantão (PEC), que avança para a fase final.

Financiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), em parceria com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), e executado pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra Palmas), o projeto é coordenado pela professora doutora Conceição Aparecida Previero e adota uma abordagem participativa e colaborativa, desenvolvida junto aos torrãozeiros e a outros atores envolvidos no manejo dos recursos naturais da região.

O objetivo é ampliar os conhecimentos sobre a conservação da agrobiodiversidade no Parque, estimulando a participação e empoderamento dos agricultores por meio de suas habilidades e experiências. Ao final do projeto, espera-se evidenciar as formas das relações de um povo tradicional com os recursos naturais de onde vive, com seu meio ambiente e a agrobiodiversidade local.

“A iniciativa realizada junto à comunidade tradicional dos torrãozeiros, no Parque Estadual do Cantão, foca primordialmente no fortalecimento de sua identidade e autoestima. Trata-se de um esforço contínuo e gradual que busca reconectar os indivíduos com sua herança ancestral e suas memórias afetivas, valorizando seu papel histórico na região”, afirma a pesquisadora.

22º Congresso Nacional de Meio Ambiente

Em outubro de 2025, três pesquisas que compõem o projeto, desenvolvidas por acadêmicos da Ulbra Palmas, junto com a coordenação da professora Conceição Aparecida Previero, foram selecionadas para o 22º Congresso Nacional de Meio Ambiente, realizado em Poços de Caldas (MG).

Os trabalhos selecionados foram: Gestão dos Resíduos Sólidos e Orgânicos nos Torrões no Parque Estadual do Cantão, Tocantins; Rios de Memória e Resistência: a Linha do Tempo como Voz dos Torrãozeiros, no Parque Estadual do Cantão, Tocantins; e Produção e Doação de Mudas de Espécies Nativas para a Implementação de Quintais Agroflorestais nos Torrões, no Parque Estadual do Cantão, Tocantins.

Os artigos foram desenvolvidos pelos estudantes de Agronomia, Enoque Bezerra Nunes e Marcilene Rodrigues Cardoso, junto com a coordenação da professora Conceição Aparecida Previero, além de outros integrantes.

Reconhecido como um dos principais eventos ambientais do país, o congresso reúne pesquisadores de diversas regiões e se consolida como um importante espaço de divulgação científica.

Trajetória dedicada ao Cerrado

A atuação da professora doutora Conceição Previero no Cantão reforça uma trajetória de quase três décadas dedicada à pesquisa no Cerrado tocantinense. Ao longo desse período, a pesquisadora tem desenvolvido estudos voltados à conservação ambiental, à agricultura familiar e à valorização de saberes tradicionais.

Entre as iniciativas da pesquisadora está o resgate e a conservação de sementes crioulas. Para ela, o Cerrado funciona como um verdadeiro “laboratório a céu aberto”, onde conservação ambiental e saberes tradicionais caminham juntos.

“O resgate de sementes crioulas é um trabalho lento, silencioso”, resume a pesquisadora, ao lembrar que a iniciativa começou com apenas cinco sementes de milho recebidas em um evento em Brasília e, hoje, envolve multiplicação, troca e circulação de variedades tradicionais.

Edital Fapt/Naturatins – Meio ambiente

O edital conta com recursos financeiros no valor global de R$ 1,3 milhão, oriundos do Termo de Convênio nº 001/2022, celebrado entre o Naturatins e a Fapt. São financiadas até 12 propostas, no valor de até R$ 100 mil para cada proponente.

A iniciativa tem como foco financiar pesquisas científicas em nível estadual voltadas à produção de conhecimento sobre o entendimento, monitoramento, manejo, uso e proteção da biodiversidade, do patrimônio cultural e dos recursos naturais em Unidades de Conservação da Natureza Estaduais do Tocantins, dos grupos de Proteção Integral e de Uso Sustentável.

Comunidade Torrãozeiros

A comunidade Torrãozeiros é formada por grupos tradicionais que habitam o Parque Estadual do Cantão desde antes da criação da unidade de conservação, em 1998.

O nome tem origem nos chamados torrões, que são pequenas porções de terra ocupadas por famílias que vivem dos recursos da floresta. Eles são exemplos de convivência harmônica entre o povo e o ecossistema, com práticas enraizadas no respeito ao ambiente e na preservação de suas tradições.

Reconhecidos legalmente, os Torrãozeiros são parceiros na conservação do parque e contribuem ativamente para a proteção de um dos ecossistemas mais ricos da Amazônia tocantinense.

Fonte: FAPT (Por: Fernanda Dias/Governo do Tocantins)

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