| Em 22/04/2026

Cooperação internacional leva inovação e economia circular à comunidade quilombola

Com apoio do Governo do Estado do Pará, projeto une universidades e quilombolas para promover empreendedorismo sustentável na Amazônia (Foto: Divulgação)

Intitulado “Competências empresariais em economia circular climaticamente inteligente utilizando decisões baseadas em IA: reforço aos meios de subsistência dos quilombolas afro-brasileiros e dos jovens britânicos”. Foi idealizado com objetivo de capacitar jovens entre 18 e 30 anos para atuação na economia circular e no trabalho verde, promovendo geração de renda e o fortalecimento de meios de subsistência sustentáveis. 

A iniciativa integra formação, inovação e atuação prática nos territórios, a partir da capacitação de jovens em economia circular, empreendedorismo sustentável e trabalho verde. Tudo isso, aliada ao desenvolvimento de tecnologias sociais e ao uso de inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões produtivas. A proposta foi uma das selecionadas para financiamento por meio Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), em parceria com o British Council. 

O projeto é resultado da cooperação internacional entre a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a Leeds Beckett University, do Reino Unido, e a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém. A execução da iniciativa ocorre de forma estruturada, iniciando com o alinhamento institucional, seguido da formalização das parcerias, recrutamento dos participantes e implementação das atividades formativas e práticas junto às comunidades quilombolas.

Sustentabilidade – A proposta também busca transformar resíduos e desperdícios, especialmente no contexto da agricultura, em oportunidades econômicas, utilizando princípios da economia circular aliados a decisões apoiadas por inteligência artificial.

Segundo a professora doutora da Ufopa, Lilian Rebellato, que atua como co-líder da iniciativa e coordenadora do projeto no Brasil, “a iniciativa tem grande relevância por promover inclusão social e geração de oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que fortalece práticas sustentáveis e incentiva a economia verde. Além disso, o projeto valoriza os territórios quilombolas como espaços de inovação, integrando conhecimento científico, saberes locais e aplicação prática, com impacto direto na melhoria das condições de vida das comunidades”, destacou. 

Bioeconomia e avanços do projeto no Pará

Em fevereiro deste ano, ocorreram reuniões de alinhamento entre as instituições parceiras que consolidaram o início da implementação do projeto; definição das diretrizes de salvaguarda, propriedade intelectual e organização das etapas da cooperação internacional; formalização do termo de cooperação e outorga do projeto e seleção de jovens participantes do território quilombola João Pereira (JP), em Santarém. 

Ainda na oportunidade, foram definidos o nome fantasia do projeto, o início da criação do site institucional e a expectativa de formalização do Acordo de Colaboração entre a Universidade Federal do Oeste do Pará e a Leeds Beckett University.

(Foto: Divulgação)

Entre os principais avanços do projeto de transformação de resíduos em oportunidades econômicas no Pará, destacam-se, inicialmente, a realização do primeiro contato com os participantes, fortalecendo o vínculo inicial e apresentando a proposta do projeto. Um período com ações de planejamento, articulação institucional e mobilização dos participantes em Santarém.

A coordenadora do projeto afirma que “o financiamento Fapespa, em parceria com o British Council, é fundamental para a viabilização da iniciativa. Essa parceria fortalece a cooperação internacional, amplia o acesso a oportunidades para jovens e garante suporte institucional e financeiro para o desenvolvimento de ações voltadas à economia verde, à inovação social e às competências climáticas”.

Esse primeiro encontro presencial com candidatos a bolsistas, foi realizado em 21 de março, na comunidade quilombola JP, com apresentação do projeto e escuta dos participantes. Após essa etapa, foi realizada a seleção dos bolsistas do projeto, seguida da solicitação de documentação e organização dos planos de trabalho individuais.

Os próximos passos incluem o início das atividades formativas, capacitando os jovens com foco na introdução aos conceitos de economia circular e bioeconomia, empreendedorismo sustentável e competências para o trabalho verde. O início das aulas presenciais está previsto para o dia 11 de abril deste ano, com o objetivo de desenvolver soluções práticas e gerar renda nos territórios, promovendo inclusão social e fortalecendo práticas sustentáveis. 

Para Marcel Botelho, “o desenvolvimento da bioeconomia no estado do Pará passa, necessariamente, pela união dos conhecimentos tradicionais, dos saberes ancestrais e das tecnologias desenvolvidas nas instituições de ciência e tecnologia do estado. O Governo do estado do Pará, através da Fapespa, apoia projetos como este que fazem a perfeita união desses diferentes atores. E, aqui, nós estamos falando também de uma parceria internacional, trazendo o protagonismo a partir do que foi discutido na COP30, momento de grande relevância para todo o Brasil, mas em especial para o estado do Pará, que mostrou que a Amazônia deve ser protagonista do seu próprio desenvolvimento. É isso que nós estamos buscando e, certamente, esse projeto é um bom exemplo disso”, afirmou o presidente da Fapespa.

Fonte: FAPESPA (Texto: Jeisa Nascimento, estagiária, sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira/Ascom Fapespa)

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