| Em 22/09/2017

Óleos essenciais para combater a formiga cortadeira

Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. No Brasil, o consumo anual desses agrotóxicos tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do planeta. A utilização desses agrotóxicos tem preocupado toda sociedade e diferentes órgãos governamentais e, se justifica devido aos efeitos colaterais dos agrotóxicos, tais como poluição ambiental e a presença de resíduos em alimentos e por isso têm incentivado pesquisadores a buscar estratégias de controle alternativo.

Um dos principais motivos do uso de agrotóxicos se deve a quantidade de pragas agrícolas que afetam as plantações, a exemplo da formiga cortadeira saúva. Com o objetivo de combater esses insetos praga, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), sob a coordenação da doutora em Ciências Biológicas, Maria de Fátima Souza dos Santos de Oliveira, está desenvolvendo um biomaterial a partir de óleos essenciais obtidos de plantas encontradas na região da Caatinga.

A pesquisadora Dra Maria de Fátima explica que as formigas podem causar danos diretos e indiretos ao agricultor. O dano direto seria o corte contínuo nas estruturas foliares, de diferentes vegetais, ocasionando danos econômicos que podem intensificar, em caso de alta infestação de formigueiros na área. Assim, essas formigas podem causar danos diretos, como a morte de mudas e redução do crescimento dos vegetais. Já os danos indiretos ocorrem quando devido aos prejuízos causados nas plantações, o agricultor utiliza inseticida e acaba contaminando a água e a plantação. Segundo a pesquisadora Dra Maria de Fátima, os agrotóxicos podem causar problemas à saúde devido aos efeitos resíduais.

“Sabemos que gerações estão sendo prejudicadas pelos efeitos residuais danosos desses agrotóxicos, também que 75% do custo de uma empresa é com o controle de pragas, vamos reduzir o custo em termos de valores, reduzir o custo de saúde e meio ambiente”, afirma.

O uso intensivo dos agrotóxicos para ter uma ação mais rápida no combate à praga têm causado sérios problemas aos agricultores, que utilizam o produto, muitas vezes sem a devida orientação e manuseio correto. Os agrotóxicos possuem, entre outro componente, substâncias que podem causar sérios problemas de saúde Uma alternativa, segundo a pesquisadora Maria de Fátima, seria a retomada aos estudos de compostos naturais presentes nos vegetais superiores, principalmente os que fazem parte do metabolismo secundário, que ao mesmo tempo, permiti o controle destas importantes pragas e o uso dos óleos essenciais voltou a ser discutido por suas vantagens em relação ao químico. A principal diferença da utilização do inseticida natural, obtido de vegetais é que ele degrada mais rápido no ambiente e são encontrados com facilidade no meio ambiente.

A proposta do projeto é a partir da utilização de óleos essenciais elaborar alternativas mais viáveis economicamente para o controle das formigas cortadeiras e também diminuição ou eliminar o uso de agrotóxicos na agricultura.“A ideia do projeto é utilizar vegetais bioativos, com potencial em bioinseticida, que são comumente encontradas aqui na região da Caatinga e utilizar os óleos desses vegetais no controle de formigas cortadeiras. A proposta do projeto foi exatamente retomar o uso de inseticida botânico e, claro, elaborar um controle de formiga cortadeira que seja o mais natural possível”.

Pesquisa de campo
A pesquisadora Maria de Fátima explica que a primeira etapa do projeto é desenvolvida em laboratório e a segunda etapa é o teste em campo. No laboratório, são montados ninhos artificiais, com as formigas cortadeiras, que ficam dentro de vasilhames plásticos transparentes. Segundo a pesquisadora, o material precisa ser transparente para os pesquisadores possam acompanhar o comportamento das formigas e os efeitos causados pela aplicação do óleo essencial, nas colônias de formigas cortadeiras.

“A partir desse material transparente, nós observamos o comportamento das formigas para poder ver a melhor estratégia de controla-las. É a partir da análise dos comportamentos que, quando aplicamos o produto, verificamos se o material contaminou, o que foi contaminado: se foi o fungo simbionte das formigas cortadeiras ou a própria formiga cortadeira. Ao longo dos nossos estudos, conseguimos verificar que alguns dos óleos essenciais que utilizamos possuem atividade inseticida e outros têm propriedade fungicida. E tudo isso é levado em consideração” , afirma Dra Maria de Fátima, que acrescenta que após os testes no laboratório, a próxima etapa seria a aplicação do bioproduto gerado em formigueiros, em ambientes naturais, no campo.

Equipe
O projeto conta com uma equipe grande formada por estagiários e colaboradores, sendo supervisionado pelo professor Dr. Genésio Tâmara. Os experimentos estão sendo realizados no Laboratório de Entomologia Florestal – LEFLO. Segundo a pesquisadora Maria de Fátima, a partir do projeto foram produzidos artigos e devido aos resultados gerados, já foi possível uma patente e a expectativa é que o projeto possa ter continuidade através de outros financiamentos.

A pesquisadora Maria de Fátima ainda destaca a importância do projeto para os agricultores. “A principal contribuição do projeto é a busca por alternativas para o controle das formigas cortadeiras que sejam mais viáveis e baratas e menos prejudicial a saúde do homem, com a diminuição do uso de agrotóxicos na agricultura. Utilizando essa grande quantidade de agrotóxico nas plantações, acaba prejudicando a saúde do homem e de outros organismos. É um efeito cascata”, finaliza.

Fonte: Comunicação Fapitec/SE.

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