| Em 02/08/2017

Empresa cearense desenvolve linha capilar com proteção solar à base de cera de carnaúba

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as capitais da região Norte e Nordeste do Brasil atingem índices extremos de incidência de radiação ultravioleta. No ano passado, por exemplo, o órgão emitiu alertas pela detecção de níveis entre 11 e 12 no Índice Ultravioleta (IUV), que varia entre 0 e 15 pontos. Para se ter ideia do que isso significa, o Inpe define cinco níveis em sua medição: baixo (abaixo de 2), moderado (de 3 a 5), alto (entre 6 e 7), muito alto (de 8 a 10) e extremo (acima de 11).

Além da pele, os cabelos também sofrem com a exposição ao sol. Ela pode queimar os fios e deixá-los ressecados, quebradiços, opacos e desbotados. No entanto, a prioridade das pessoas costuma ser para a proteção da primeira. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), os produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) mais consumidos no mundo são desodorantes, fragrâncias e protetores solares. Em seguida vêm os produtos para cabelo e banho.

Nesta perspectiva, a empresa Wu Cosmetic Care está produzindo uma linha capilar com proteção solar. Os produtos têm a dupla finalidade de restaurar a fibra capilar e proteger os cabelos dos danos causados pela radiação solar. O projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e conta com o apoio da Governo do Estado, através da Funcap, com recursos do edital Inovafit.

A empresa faz uso de matérias-primas regionais, como a cera de carnaúba, que, associada a óleos vegetais, vitaminas e proteínas, favorece a proteção e a restauração da fibra capilar. Segundo o farmacêutico Vicente Sanford, a cera de carnaúba oferece hidratação e nutrição ao cabelo. Ele ressalta o fato da pesquisa ser feita com substâncias locais, o que contribui para o desenvolvimento econômico do Ceará.

De acordo com a pesquisadora Bianca Louchard, a interação entre a cera de carnaúba combinada com as outras substâncias contribuem para a restauração da fibra capilar. As nanopartículas do composto são capazes de permear entre os espaços inter e intracuticular (cutícula é a parte mais externa do fio de cabelo) da haste capilar, restabelecendo a sua natureza hidrofóbica (proteção contra umidade). Ao mesmo tempo, a fórmula confere proteção efetiva contra a radiação solar.

A primeira etapa do projeto consiste na produção em larga escala de um insumo constituído de nanopartículas formadas a partir de óleos vegetais, proteínas e vitaminas. A segunda etapa prevê o desenvolvimento de formulações de shampoo, máscara capilar e fluido capilar.

De acordo com a Wu Cosmetic Care, a previsão de chegada da linha capilar com proteção solar ao mercado é para o primeiro semestre de 2019. A perspectiva é que os produtos tenham um preço acessível para a população. “São produtos que, apesar de inéditos, entrarão no mercado com preços altamente competitivos”, revela a química industrial Karina Maso, responsável pelo projeto. Segundo ela, o apoio da Funcap está sendo fundamental para o desenvolvimento dos cosméticos. “O projeto está sendo financiado em 90% com os recursos do Inovafit”, ressalta a pesquisadora.

Fonte: Comunicação Funcap (texto: Nerice Carioca).

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