| Em 04/06/2021

Robô poderá ajudar médicos em cirurgias com crianças que sofrem de epilepsia

Testes estão sendo conduzidos em crânios artificiais

Tecnologia em desenvolvimento na USP de São Carlos tem potencial de tornar o procedimento mais rápido e seguro. Testes estão sendo conduzidos em crânios artificiais (foto: Henrique Fontes/ EESC-USP)

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) estão desenvolvendo um robô para auxiliar cirurgias em crianças que sofrem de epilepsia, um dos problemas neurológicos mais frequentes na infância.

A tecnologia está sendo construída e testada dentro de um dos hangares do Departamento de Engenharia Aeronáutica da EESC-USP e faz parte de pesquisa financiada pela FAPESP, com coordenação do professor Glauco Augusto de Paula Caurin.

Na maioria dos casos, a crise convulsiva é tratada com remédios, mas cerca de 25% dos pacientes não respondem ao tratamento clínico. A nova máquina auxiliará os médicos a inserir eletrodos no crânio de doentes com esse problema de saúde para que o cérebro possa ser monitorado durante uma crise. Com a tecnologia, a operação se tornará muito mais segura, rápida e eficiente do que aquelas realizadas atualmente nos hospitais.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da EESC-USP, Caurin explica que o equipamento, geralmente utilizado na fabricação de aviões, agora está sendo adaptado para auxiliar profissionais da saúde. A partir de imagens tridimensionais do cérebro do paciente recebidas on-line, a máquina auxiliará os profissionais de saúde a interpretá-las e a calcular exatamente onde os eletrodos devem ser inseridos, posicionando uma ferramenta tubular na cabeça da criança para que a equipe médica coloque os sensores.

“O robô conta com câmeras e sensores de distância. Um sistema de inteligência artificial analisa as imagens, os dados captados e mapeia os pontos para inserir os eletrodos. É mais segurança para as crianças que passam por esse tipo de procedimento”, disse o professor da EESC-USP.

Com o robô, o procedimento cirúrgico também será bem mais rápido. Atualmente, as tarefas realizadas durante a operação são executadas majoritariamente de forma manual pelos médicos, que contam apenas com alguns programas de computador para auxiliá-los.

Para criar a nova tecnologia, os pesquisadores importaram da Alemanha um braço mecânico articulado de última geração com aproximadamente 1,6 metro e 45 quilos, que será controlado por códigos computacionais desenvolvidos na EESC-USP.

A tecnologia tem sido testada por meio de simulações em crânios artificiais, visando identificar eventuais erros do sistema e prever todos os problemas que podem surgir no momento da cirurgia. Os primeiros resultados da pesquisa já estão sendo compilados e preparados para publicação em revistas científicas internacionais.

 

FONTE: FAPESP (Por Agência Fapesp, com informações da Assessoria de Comunicação da EESC ).

 

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