| Em 18/04/2017

Projeto de inclusão leva bolsistas para Mestrado no Reino Unido

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Bolsistas contemplados na chamada promovida pela Fapeg, Fapesb e Fapesq e autoridades presentes na solenidade. Foto: Eduardo Ferreira.

Nos próximos meses, um grupo de jovens brasileiros, formado por estudantes de diversas áreas do conhecimento, deverá passar por uma experiência transformadora que será uma contribuição na melhoria de inclusão de minorias sub-representadas na ciência, como mulheres, negros e indígenas. São participantes de um projeto inovador – cuja iniciativa foi lançada nos estados da Bahia, de Goiás e da Paraíba, em parceria com o Reino Unido, por meio de ações das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) – e que fazem parte do futuro da ciência e do futuro da inclusão por meio da mesma. Ao todo, dez pessoas foram selecionadas e devem partir para o Reino Unido no segundo semestre e promover, posteriormente, transformações profundas na questão da representatividade na ciência desses grupos.

“Temos aqui a conjunção de três grandes causas: a educação, a ciência e a inclusão social para a superação de desigualdades”, destacou a presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Maria Zaira Turchi, durante solenidade de apresentação dos contemplados no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia (GO), nesta terça-feira, dia 18. A presidente lembrou que é um passo na questão da política de ação afirmativa, mas que ainda é preciso percorrer um longo caminho entre políticas e práticas para promover o acesso a essas oportunidades de pesquisa e redução de assimetrias.

Conforme lembrou o diretor do British Council no Brasil, Martin Dowle, instituição co-financiadora do programa, a ideia é estimular que mais pessoas participem na ciência e possam seguir os passos de quem já está fazendo isso. “Qualquer país que não usa o seu recurso mais importante, que é o recurso humano, e só trabalha com uma parte desse capital, está dando um tiro no pé. O país tem que usar todos os cérebros possíveis para a ciência e para o futuro. E, também, para as universidades britânicas é uma ótima iniciativa, porque elas passam a ter uma maior diversidade de pessoas, de partes diferentes do Brasil. É um estímulo em que todo mundo ganha”, ressaltou.

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Solenidade reuniu autoridades e bolsistas contemplados na chamada para grupos sub-representados na ciência. Foto: Renan Rigo.

Ação contínua
Contemplada entre os seis candidatos que serão co-financiados pela Fapeg, em Goiás, Ayanda Dantas Silva acredita que essa formação deverá contribuir mais ainda à sua carreira e ao trabalho que pretende desenvolver no futuro. “É um projeto bastante inspirador. Penso que não vou agregar apenas o conhecimento para mim, mas também para as futuras gerações e para esse investimento em ciência e em pesquisa. Já fui em um projeto de intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras e, agora, com essa ação, acredito que poderei evoluir ainda mais esse conhecimento e ir além”, salientou.

Essa inspiração também é compartilhada pela bolsista Kivia Vieira, contemplada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). “Estou muito animada, porque nunca havia pensado que eu pudesse desenvolver determinadas ferramentas e agora sei que terei o apoio e oportunidade com essa bolsa. Vou ter contato com profissionais maravilhosos que vão contribuir muito para minha carreira acadêmica e tenho certeza que a minha pesquisa vai ser importantíssima para o conhecimento científico”, acrescentou. Kivia, que é da área de Geologia, também alertou para a participação da mulher na pesquisa na área de Exatas e da Terra. “Geralmente, a participação da mulher nessas áreas não é comum. No entanto, essa representação vem crescendo e me sinto orgulhosa por fazer parte dessa ação afirmativa, para poder mostrar para minhas colegas que somos capazes, que podemos fazer o que quisermos e contribuir muito para a ciência”, completou.

Para o bolsista Douglas Xavier, da Paraíba, o impacto dessa ação trará novas possibilidades para mudar o futuro de várias comunidades e transformar a realidade brasileira no aspecto da inclusão. “Sinto que é algo não só para mim, mas que tem um impacto muito maior. A minha proposta de mestrado é nesse sentido e eu quero voltar para o Brasil com algo para impactar e multiplicar em comunidades e nos segmentos que eu represento: os negros e a comunidade LGBT. Quero realmente ter esse papel na sociedade”, salientou.

Sucesso e novas iniciativas
Conforme reforçou o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq) e vice-presidente do Confap, Cláudio Furtado, a grande quantidade de pessoas inscritas já mostra o sucesso do programa. “Essa inclusão mais forte na área da ciência se volta para uma maior representatividade na sociedade e para que possamos discutir esses problemas de uma forma mais direta, já que temos a participação de pessoas que estão diretamente ligadas a esses grupos”, argumentou.

Nesse sentido, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Lázaro Cunha, acrescentou que o País tem um retorno grande com iniciativas como essa. “O Brasil tem muito a ganhar com isso, na medida em que mais talentos vão estar disponíveis para o desenvolvimento socioeconômico do País. Com programas de ações afirmativas como este, temos condições de dar apoio, sustentação e possibilidades a grupos que sistematicamente são excluídos e que, com essas condições, podem apresentar seus potenciais. A nossa ideia é ter novos desdobramentos dessa iniciativa”, pontuou.

A presidente da Fapeg e do Confap, Maria Zaira Turchi, também destacou o sucesso da iniciativa e acredita que a ação trará novos frutos para a comunidade científica de Goiás e do Brasil. “Nesse desdobramento, a Fapeg fará uma ação de bolsas especial para os alunos de mestrado e doutorado voltado para ações afirmativas”, anunciou. Para o governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, que estava presente na solenidade, o projeto servirá de inspiração para a aplicação no Goiás Sem Fronteiras. “Fico feliz pelas convergências de ações, de esforços e iniciativas que envolvem as nossas universidades com instituições tão representativas e importantes mundialmente, como Fundo Newton e Conselho Britânico. E quero pedir à Fapeg que estudemos a fundo esse projeto porque ele pode aprimorar o Goiás Sem Fronteiras que é um dos nossos grandes objetivos neste ano e no próximo”, completou.

Presidente da Fapesb, Lázaro Cunha, e presidente da Fapesq, Cláudio Furtado, durante solenidade. Foto: Renan Rigo.

Sobre o projeto
O edital teve como objetivo fortalecer a participação de grupos sub-representados, como minorias étnicas e pesquisadoras de ciência e inovação no Brasil, além de influenciar práticas e políticas inclusivas. O programa será realizado em quatro fases: curso de inglês de três meses e preparação para o exame IELTS no Brasil; curso de inglês de verão de três meses no Reino Unido; mestrado (integral) no Reino Unido; e atividades de disseminação de impacto.

O valor da bolsa é de até 40 mil libras esterlinas e custeará os cursos de inglês, taxa de exame IELTS, tradução juramentada de documentos para candidatura universitária no Reino Unido, taxa de vistos, voo internacional, ajuda de custo e taxa de matrícula. O Mestrado será realizado no Reino Unido e em inglês. No total, 32 universidades britânicas aderiram ao projeto.

Saiba mais sobre esse edital e conheça todos os bolsistas contemplados aqui: https://www.britishcouncil.org.br/newton-fund/chamadas/mestrado-fapeg-fapesq-fapesb-2017

Assessoria de Comunicação Social da Fapeg e Coordenadoria de Comunicação do Confap.

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