| Em 08/12/2016

Pesquisador investiga causas de abandono de vila por moradores

Quase seis anos após a inauguração, muitos moradores de Nova Mutum Paraná, localidade de Porto Velho, deixaram suas casas depois de serem remanejados das antigas moradias na área do reservatório da Usina Hidrelétrica Jirau, a cerca de 150 quilômetros da capital, na BR-364, sentido Guajará-Mirim.

No estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), o professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Artur de Souza Moret, percebeu as alterações no projeto destinado a abrigar moradores de áreas alagadas pela construção da Jirau.

A vila ganhou um templo de alvenaria, os moradores construíram outro de madeira. Em algumas casas, telhas de barro foram trocadas por fibrocimento.

Nova Mutum Paraná foi inaugurada festivamente em 19 de janeiro de 2011. Ainda não se sabe se os moradores se mudaram para Abunã, Jacy-Paraná ou Vila Jirau, mas há indícios de negociações de casas, aluguéis e situações de abandono de imóveis.

“Afinal, por que a maior parte deles abandonou o lugar? Quais as causas exógenas?”, questionou Artur Moret, mestre e doutor nas áreas de física, energia (produção de eletricidade, calor e potência) e desenvolvimento sustentável.

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Ele espera esclarecer isso depois de constatar se houve algum tipo de falha no projeto ou faltaram oportunidades de trabalho nessa região que no passado explorou látex de seringueiras nativas, viveu o ciclo do ouro nos anos 1980 no rio Madeira, e na Ponta do Abunã explora madeira.

Nova Mutum Paraná tem 1,6 mil casas construídas com base em um projeto urbanístico de dois milhões de metros quadrados.

No estudo dos momentos vividos pelas 1,8 mil pessoas dessa nova cidade, Moret notou modificações nas casas. “Possivelmente para voltarem ao antigo modo de vida, porque colocaram cercas de madeira e telhas de fibrocimento muito comuns em toda Amazônia Ocidental brasileira”, opinou.

No ano do quinto aniversário da Fapero, essa é uma das maiores investigações sociais em curso no Estado de Rondônia. Sua chamada denominada PAP Universal da Fapero contempla mestres e doutores.

Planejada pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, a cidade surgiu ao lado do antigo distrito de Mutum Paraná.

Moradores ganharam ruas asfaltadas, água tratada, esgoto, rede de telefonia fixa e móvel, acesso à internet banda larga, coleta seletiva de lixo, praças e áreas de lazer, escolas de ensino fundamental e médio, terminal rodoviário, Correios, agência bancária, posto de saúde, central de abastecimento, setor para instalação de indústrias de médio e grande porte, centro comercial e feira livre dos produtores rurais.

DESPESAS

Se antes ninguém pagava contas de energia elétrica, depois da mudança a despesa aumentou por causa do consumo de eletrodomésticos e do ar-condicionado, principalmente.

Esse tipo de gasto familiar é uma das pistas encontradas pelo professor Moret. Ele se baseia na situação de 42 famílias de Novo Engenho Velho, a oito quilômetros de Porto Velho.

“Essas pessoas são remanescentes da Cachoeira de Santo Antônio e se mudaram em consequência da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio”, lembrou.

Moret notou que, a exemplo de Nova Mutum Paraná, apesar de receberem casas com instalação de água, energia e fossa séptica, moradores de Novo Engenho Velho pagam a energia consumida por dois tanques de peixes, cuja água tem que ser trocada a cada oito dias.

Acompanhado do pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), José Manoel Carvalho Marta, Moret articula alternativas econômicas para os assentados do outro lado do rio Madeira, nas circunvizinhanças da BR-319 (Porto Velho-Manaus).

Desde 2015 Moret supervisiona o professor Marta no estudo da história econômica de Rondônia.

Marta já percorreu a região fronteiriça Brasil-Bolívia, Zona da Mata e parte do Vale do Jamari rondonienses. Pesquisador visitante sênior, ele também dá aula no programa de pós-graduação em desenvolvimento regional e meio ambiente na Unir.

Recentemente Moret visitou a Universidade da Califórnia (EUA), uma das mais importantes e prestigiadas do mundo e a elogia. “Ela é pública, porém consegue financiamentos de instituições e fundações no apoio à pesquisa”, disse.

Situação semelhante ele notou na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, onde ex-alunos também se cotizam no financiamento a pesquisas diversas. “Assim, é muito gratificante o que a Fapero faz aqui, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)”, observou.

Para o presidente da Fapero, Francisco Elder Souza de Oliveira, os critérios da fundação assemelham-se aos da Capes, vinculada ao Ministério da Educação; e do CNPq. “Ou seja, ampara pesquisas com publicações em revistas indexadas Qualis”, disse.

Fonte: Portal Espigão

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