| Em 30/06/2016

Pesquisa propaga conhecimento sobre legado arquitetônico de Alagoas

Com o advento de um olhar mais atento ao patrimônio da cidade, um projeto busca aliar estudos de educação patrimonial ao conhecimento da produção arquitetônica, utilizando a web para compartilhar mais sobre a História e a contemporaneidade de Maceió.

O grupo de pesquisa Representações do Lugar (Relu), ligado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), estuda linhas dentro da área arquitetônica de preservação, com o auxílio de duas professoras: Adriana Capretz, que coordena o projeto e orienta abordagens nos campos de memória e história da arquitetura, patrimônio cultural e design, e Josemary Omena, que produz trabalhos na área de restauro e participa de produções acerca do inventário do patrimônio imaterial de Alagoas.

[cml_media_alt id='9529']Igreja Nossa Senhora da Guia - Divulgação/RELU[/cml_media_alt]

Igreja Nossa Senhora da Guia – Divulgação/RELU

O grupo integra vários estudos e o Portal de Arquitetura Alagoana é um deles. Idealizado em 2009, a proposta visava construir um levantamento do legado histórico na capital do Estado. No princípio, foram feitas as coletas de materiais, produção de fotografias e desenhos do acervo de períodos variados (fim século XIX, início do XX e meio do século, o chamado período moderno). Reunido em um volume de material interessante a partir do tema inicial, percebeu-se que havia mais pautas a serem exploradas.

Nessa perspectiva, os estudiosos pensaram inicialmente em disponibilizar mais materiais compilados num portal : “No curso de arquitetura é frequente a produção de desenhos de nossos monumentos e às vezes este material fica perdido. São produtos de TCCs, aulas e tudo fica sem uso após as disciplinas”, alega Adriana Capretz. Com o site, o material estará sempre disponível e os alunos não repetirão as mesmas criações. Eles podem estudar pelos projetos existentes e realizar novos para serem publicados.

Para a execução dos procedimentos, as pesquisadoras contam com o auxílio fixo de duas bolsistas da graduação, Manuela Viana, do curso de arquitetura, e Juliana Cavalcanti, de Ciências da Computação, que é responsável pela configuração do site, além do auxílio e contribuição de estudantes atuantes no doutorado e mestrado da FAU.

Estruturação

Desde 2010 as pesquisas começaram a ser disponibilizadas online, porém, a partir de 2013, devido à boa repercussão do site, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) passou a ampliar o escopo de apoio concedido ao projeto. A Fapeal já financiava bolsas do Programa de Iniciação Científica (Pibic), em conjunto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Ufal.

[cml_media_alt id='9530']Adriana Capretz e Manuela Viana (2)[/cml_media_alt]

No ensejo de otimizar o projeto, o CNPq prospectou recursos através do edital Universal, o que possibilitou a compra de aparato tecnológico. Já a Fundação, passou a incentivar o programa com aportes próprios, a serem utilizados em produção gráfica, na compra de ferramentas especializadas e de material de divulgação e publicações. Foram produzidos cerca de 10 mil folders, 150 livros de jogos da memória e cadernos para colorir, 150 jogos de capa, assim como adesivos, pastas e papeis timbrados.

A coordenadora ressalta ainda a importância do apoio obtido a partir da chamada de auxílio à pós-graduação, fornecido pela Fapeal: “Com estes investimentos foi possível garantir suporte para a contratação de serviços técnicos específicos. Devido à grande demanda, tivemos de contratar um programador para a plataforma, designer, fotógrafo, coisas que fogem às habilidades dos alunos, e estes subsídios foram garantidos através da Fapeal”.

Tais ações reverteram em crescimento produtivo e o quadro foi aprimorado, sendo possível atualmente acessar mais temas. São eles: igrejasescolascasas e todas as 55 Unidades Especiais de Preservação (UEP) em Maceió. “Nós já estamos trabalhando em novos materiais com pautas em museus, edifícios públicos e monumentos em memória. Até o fim do ano, serão publicados arquivos com novos objetos”, ressalta Capretz. Os conteúdos foram escolhidos desta forma porque trata-se de obras que estão próximas à realidade da sociedade.

Os recursos convergiram em esforços para a equipe, que explica que o propósito do site foi ampliado nesse processo evolutivo. Inicialmente, o desejo era agregar as pesquisas e formar um grande acervo virtual. No entanto, isso ainda era pouco para o alcance que o conjunto poderia adquirir. Os resultados acumulados representariam uma atividade para um público específico, um site limitado aos estudantes do curso.

O foco foi simplificado e o projeto passou a voltar-se para uma classe que não tinha acesso, que não estudava ou não conhecia o meio. Nesta etapa criativa, foram elaboradas ferramentas de interação com novos públicos.

O portal começou a promover uma educação patrimonial, incluindo materiais voltados ao público infantil e uma linguagem compreensível por leigos na temática. O design ganhou uma configuração mais simplificada, de fácil acesso e sistematizou suas informações em tópicos. Foram disponibilizados de forma gratuita para download,desenhos para colorir e jogos da memória, todos baseados em construções da história alagoana.

Porém, apesar das mudanças, não foi deixado de lado o campo mantido para os acadêmicos de arquitetura. O ambiente virtual continua ofertando a área de acesso, que contém os desenhos facilitados para as análises e referências.

Atualmente, estão disponíveis fotografias das edificações, colocando sempre um registro antigo e outro mais recente, revelando a História nesta correlação, bem como maquetes eletrônicas, que apresentam as obras em 3D, um grande atrativo do site, para conhecer os espaços de Maceió a partir de novos ângulos.

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O projeto deverá ser divulgado nos planos das escolas de ensino público, mas há estratégias de expandi-lo também ao âmbito privado, pois o desconhecimento é generalizado em Alagoas. As professoras e a coordenação podem analisar o material com o intuito de baixar os desenhos e jogos e reproduzir o conhecimento através das biografias narradas em acompanhamento.

MOTIVAÇÃO 

Bolsista do estudo, Manuela Viana explica que teve a oportunidade de realizar intercâmbio numa universidade nos Estados Unidos e lá participou de um projeto de preservação patrimonial.

A partir disso, surgiu o interesse em promover algo similar em Alagoas: “Nós possuímos muitas vezes estruturas mais antigas, nobres e interessantes, de grande importância à produção histórica, mas que não recebem a atenção devida. Quando voltei, eu vi o projeto realizado pela professora Adriana e ali pude me inserir, utilizando o que eu aprendi e construindo também um conhecimento voltado não só à arquitetura, mas com o objetivo pedagógico de divulgar a história local”, explica a aluna.

Manuela é atualmente responsável por fotografar e manipular as imagens, formatando os produtos ao site.  A rede que se tornou dinâmica e atual, já configura um modelo exitoso e é divulgada em sites conhecidos como o da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e na Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (Sempla).

Desafios

Adriana Capretz explica que um dos maiores obstáculos enfrentados hoje é o hábito de se entender como patrimônio apenas obras de feições antigas, o que ocasiona a perda de propriedades únicas.

Para os moradores é frequente o não reconhecimento de projetos do estilo moderno, uma vez que eles não apresentam elementos característicos a um padrão mais clássico. Entretanto, este é o gênero estrutural que é comumente encontrado em Alagoas e é considerado como legado arquitetônico. Ele condiz ao intervalo entre guerras, anos 20 a 50 e, no Brasil, é estendido até as décadas de 60 e 70 por influência da estética de Brasília. Com isso, as edificações, por não serem facilmente identificadas e rotuladas como riquezas patrimoniais, acabam sofrendo degradação.

A “casa rosada”, que ficava no bairro de Pajuçara, é um ótimo exemplo desta herança, que foi perdida e demolida. O seu desaparecimento deu origem à criação das Unidades Especiais de Preservação (UEP), que serviu para que as autoridades atentassem a esta realidade, isolando 55 unidades na capital. Elas não fazem parte de um conjunto, como o centro de Maceió, que é uma Zona Especial de Preservação (ZEP), e por isso esta tarefa se torna mais complexa.

Na cidade encontram-se várias construções solitárias e o portal procura contribuir para que estas obras não fiquem obsoletas. Nele, estão presentes para visualização a localização das obras, tanto no Google Maps como no Google Street View, incentivando o turista e cidadão a conhecer o que Alagoas tem em produção histórica.

Planos Futuros

Como metas futuras o programa visa iniciar as visitações nas escolas em larga escala e implantar os materiais no processo de aprendizado em conjunto com professores.

Ampliar o site também é um viés trabalhado, utilizando-se novos temas e pautas a serem compiladas, no entanto a equipe destaca um conteúdo especial do patrimônio em memória. Formulado a partir de edificações que não existem mais, nele será mostrado, por exemplo, a casa rosada como referência entre outras obras demolidas ou algo como o Gogó da Ema, que representa o único monumento natural presente, assim como simboliza uma referência importante e histórica.

Concluindo estas atividades, o grupo analisa, em longo prazo, lançar a idealização de um guia arquitetônico de Maceió, em que seriam evidenciados os possíveis ambientes de que se dispõe para turistas ou cidadãos que desejem encontrar elementos específicos da cidade.

Clique aqui e conheça o Portal da Arquitetura Alagoana

Fonte: Tárcila Cabral – Ascom Fapeal

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