| Em 16/08/2017

Pesquisa de MS desenvolve índice de sustentabilidade para pecuária de corte

A sustentabilidade da pecuária de corte tem sido fortemente recomendada atualmente. As principais discussões giram em torno da ampla dispersão da pecuária no território nacional, muitas vezes, associada a pastagens degradadas, à participação na expansão da fronteira agrícola e, mais recentemente, à produção de gases de efeito estufa, quando mal conduzida.

Portanto, entender melhor essa questão e propor meios de inferir sobre a sustentabilidade, minimizando seus possíveis impactos, faz-se necessário, principalmente entre pequenos e médios rebanhos, cujas dificuldades são ainda maiores. Para isso, as pesquisas científicas são fundamentais.

A Embrapa Gado de Corte desenvolveu o projeto “Monitoramento de pequenas e médias propriedades na Área de Proteção Ambiental do Córrego Ceroula, Campo Grande/MS: um estudo de caso para análise e validação de índices de sustentabilidade para a pecuária de corte”, sob coordenação da pesquisadora Dra. Mariana de Aragão Pereira.

A pesquisa é realizada com investimentos financeiros do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), que é vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

“Por meio de uma abordagem quali-quantitativa e usando o estudo de caso como estratégia de pesquisa, o projeto-piloto monitorou duas propriedades rurais de bovinocultura de corte com área entre 200 e 1.000 hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) do Córrego Ceroula, Campo Grande, Mato Grosso do Sul”, afirma Dra. Mariana. Essa área foi selecionada porque possui potencial de abastecimento de água para o município de Campo Grande e seu entorno. Por se tratar de uma APA, as questões envolvendo a sustentabilidade das atividades econômicas desenvolvidas na região ganham ainda maior importância.

A pesquisadora explica que o objetivo do projeto foi desenvolver um índice de sustentabilidade global (ISG) para a pecuária de corte que considerasse, simultaneamente, as dimensões gerencial, econômica, social e ambiental/produtiva. Contudo, uma preocupação no desenvolvimento do índice era assegurar sua fácil aplicação no campo e a rápida identificação das dimensões limitantes à sustentabilidade da pecuária de corte, permitindo a tomada de decisão do produtor. Por esta razão, evitou-se incluir indicadores que requeressem coleta de material (ex. solo, água etc.) para análise, o que dificultaria o processo e o tornaria mais oneroso para o usuário.

Com a ajuda de especialistas de diversas áreas e considerando os indicadores de sustentabilidade preconizados pela FAO (Food and Agriculture Organization), chegou-se a uma lista de 32 indicadores, que foram desdobrados em 40 itens de um questionário aplicado aos produtores rurais. “Para elaboração do ISG, os pesos dos indicadores, assim como os pesos das dimensões, foram considerados iguais, pressupondo uma contribuição equânime destes para a sustentabilidade. Contudo, estudos complementares podem indicar pesos diferentes para dimensões e indicadores, conforme sua maior ou menor contribuição para a sustentabilidade”, explica a Dra. Mariana.

Os resultados
A Fazenda A, cuja atividade pecuária era conduzida com base em princípios gerenciais de planejamento e controle, obteve resultados produtivos e econômicos compatíveis com os recursos e tecnologias disponíveis, sendo capaz de intensificar e expandir a atividade pecuária no período estudado.

Em contraste, a Fazenda B, que era conduzida de forma empírica, sem práticas de gestão definidas e organizadas, obteve renda líquida negativa no período e descontinuou a pecuária, arrendando a propriedade para o vizinho. Como era esperado, o índice de sustentabilidade global da Fazenda A (3,78) foi maior do que aquele apresentado pela Fazenda B (1,31). O ISG foi, portanto, capaz de captar a situação real das propriedades analisadas e inferir sobre a sustentabilidade dos sistemas de produção praticados.

“As propriedades participantes desse estudo foram bastante contrastantes e ilustram a realidade da pecuária de corte no Estado de Mato Grosso do Sul, que vem observando a mudança no uso do solo, com os sistemas de produção insustentáveis, cedendo espaço para atividades de maior sustentabilidade e rentabilidade, inclusive a pecuária mais intensiva e de maior nível tecnológico”, observa a pesquisadora.

O emprego do ISG deverá ser útil para produtores e consultores rurais que quiserem verificar a sustentabilidade dos sistemas produtivos e, se aplicado em uma região, poderá determinar o nível de sustentabilidade da pecuária regional, eventualmente, fornecendo informações para a elaboração de políticas públicas.

Divulgação internacional
Os resultados do projeto serão apresentados no 21º Congresso da IFMA (International Farm Management Association), importante fórum internacional, que acontece de 2 a 7 de julho em Edimburgo, Escócia.

“A apresentação dos nossos resultados nesse Congresso, que reúne pesquisadores, professores, produtores e consultores rurais de mais de 30 países, nos dá oportunidade de divulgar, discutir e validar nossas metodologias de avaliação da sustentabilidade da pecuária. Essa é uma importante etapa na consolidação do ISG, que pode vir a se difundir, futuramente, tanto no Brasil quanto em outros países”, relata Dra. Mariana.

Sobre
Edital: Edital Chamada FUNDECT N° 10/2011 – UNIVERSAL
Título do projeto: Monitoramento de pequenas e médias propriedades na Área de Proteção Ambiental do Córrego Ceroula, Campo Grande/MS: um estudo de caso para análise e validação de índices de sustentabilidade para a pecuária de corte
Coordenação: Mariana de Aragão Pereira
Instituição: CNPGC – Embrapa Gado de Corte

Fonte: Comunicação Fundect (Texto: Bianca Iglesias).

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