| Em 08/02/2016

O desafio de alimentar-se bem nos grandes centros

Desde a pré-história, o homem vem transformando o alimento, seja com a descoberta do fogo, seja com as tecnologias da contemporaneidade. Recentemente, vê-se uma explosão de modas alimentares, que dividem opiniões entre especialistas. Dentre elas, sucos detox, tapiocas e sanduíches naturais, em que se propõe um novo conceito do “healthy”, saudável, que facilitaria em muito a vida de quem habita os grandes centros.

Por outro lado, estes moradores sofrem com diversos fatores que as metrópoles provocam. O corre-corre do dia a dia, um expediente que costuma se prolongar e, para completar, aquele trânsito semanal, que trabalhadores e estudantes já estão exaustos de enfrentar, são conhecidos antigos dos alagoanos. Estes, aliados à falta de tempo, são fatores que trazem sérias implicações na alimentação dos cidadãos de todas as faixas sociais.

Uma rotina regrada, rica em nutrientes e vitaminas é um desafio que, hoje em dia, pode ser simplificado com informações de fácil acesso na televisão e internet. A questão é justamente encaixar as refeições, que podem ser planejadas, dentro da rotina semanal, principalmente para quem vive nas maiores cidades, onde se encontram os piores índices de obesidade do estado. Uma confirmação deste diagnóstico é que de 56 a 60% dos alagoanos classificaram sua alimentação quotidiana como “normalmente ou algumas vezes insuficiente”, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Pesquisa de Orçamentos Familiares, de 2008-2009.

André Ferro ilustra este cenário. Ele é estudante e mora em Maceió há 3 anos, desde que iniciou o curso de jornalismo. Nesse período, tem enfrentado um dilema particular, buscando conciliar estudos, alimentação balanceada e atividades físicas regulares. Ele notou uma diminuição significativa dos estímulos para ter uma rotina mais cuidadosa:

“Quando eu saio de casa para comer geralmente opto por fast food. O preço é mais acessível e, como disponho de pouco tempo, essa opção é indispensável. Eu não tenho certeza quanto à higienização do ambiente, mas eu torço para que seja boa. O que posso fazer? Geralmente, quando me sinto mal após uma refeição, evito voltar para o restaurante. Mas não tenho muita preocupação em prevenir”, declarou o estudante.

Informação e Higiene

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Entre 2015 e 2016, estiveram em execução sete estudos vinculando alimentação, nutrição e saúde pública, com recursos do Governo de Alagoas Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e parceiros federais. Seis deles ainda estão em andamento.

Enquanto estes resultados não são divulgados, a Fapeal conversou com a nutricionista e especialista em segurança alimentar Ana Cristina Normande (no momento, sem vínculos de financiamento com a Fundação). Pesquisadora da Universidade Federal de Alagoas, que há anos vem realizando e orientando vários estudos na área. Ela cita que a qualidade nutricional e a higiênico-sanitária são as principais preocupações para que o consumidor deve atentar em restaurantes e lanchonetes.

Os maiores problemas, hoje, são vistos nos fast foods. Com o modo de vida alternativo e o hábito de comer fora de casa, agrava-se este problema. “Através da tendência em procurar a facilidade que a indústria oferece, nós acabamos perdendo os nutrientes básicos e consumimos refeições com altos índices de sódio e açúcares”, alegou Ana Cristina Normande. Quanto mais manipulado o alimento, maiores são os riscos de contaminação, diz a especialista, lembrando também da atenção aos condimentados: quando se opta pelo menos multiprocessado, mais saudável será a refeição.

No verão em especial, a atenção com os líquidos deve ser redobrada, devido a hidratação que a época exige, consomem-se sucos e águas de coco muitas vezes manuseados pelos vendedores sem muita estrutura nem muita prudência. O caso da água de coco é ainda mais preocupante, pois as de vida longa não apresentam valores nutritivos significativos e, quanto as disponíveis a curto período de durabilidade, não se sabe se o manuseio desse produto até ali foi correto, ampliando as chances da contaminação.

Ana Cristina Normande faz uma ressalva e cita que o indivíduo hoje deve fazer um esforço pela sua saúde, aprendendo a separar um tempo para preocupar-se com qualidade do que ingere, pois a praticidade não é sinônimo de bem-estar, apenas um paliativo momentâneo.

Enquanto a fiscalização cabe a Anvisa, ao consumidor resta seguir apenas as orientações repassadas pelos profissionais, analisando sempre se os funcionários estão com vestimentas adequadas, se o ambiente é limpo. Outra dica que a professora dá é prestar atenção à temperatura dos alimentos que, segundo a professora, quando aquecidos, devem apresentar a temperatura mínima de 65ºC e, quando resfriados, possuir abaixo de 10ºC. Resisti aos apelos comerciais e buscar mais informação sinaliza, pelo menos, um caminho mais seguro ao consumidor. Porém, ele detém o poder de escolha: alimentar-se bem não é uma tarefa cara, nem impossível, ela só requer empenho e interesse, para defender-se da abundância de facilidades nada saudáveis.

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