| Em 27/03/2024

Nintendo Wii no tratamento do declínio cognitivo e das demências

Pesquisa na UFRJ com idosos utiliza ferramentas de realidade virtual que simulam cenários da vida real, produzindo a sensação de experimentar diferentes ambientes durante o exercício (Foto: Divulgação)

Projeto inédito no Brasil utiliza exergames no tratamento de idosos com transtornos neurocognitivos. Os exergames são ferramentas de realidade virtual que simulam cenários da vida real, produzindo a sensação de experimentar diferentes ambientes durante o exercício.

Coordenado pela professora Andrea Deslandes, do Laboratório de Neurociência do Exercício da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo utiliza o Nintendo Wii como estímulo para exercício físico, promovendo movimentos corporais associados a objetivos propostos por jogos.

“Selecionamos jogos que estimulam movimentos de membros inferiores, como agachamento, marcha estacionária, subir e descer degraus, controle postural e movimentos contínuos de membros superiores que mantenham a frequência cardíaca em um esforço moderado e contínuo. A seleção dos jogos foi baseada nos movimentos de habilidade aberta, com engajamento cognitivo e demanda de atenção importantes para a funcionalidade e capacidade intrínseca da pessoa idosa”, destaca Deslandes.

Pelos projetos já foram acompanhados cerca de 300 idosos, sendo 255 em um estudo de corte com participantes recrutados na Vila Olímpica da Maré e em unidades do Sesc de Copacabana e Madureira e cerca de 20 que utilizaram os exergames. Com média de idade de 73 anos, os participantes tiveram seus parâmetros de saúde avaliados no Instituto Nacional de Cardiologia e as baterias de avaliação cognitivas e funcionais foram realizadas no Centro de Doenças de Alzheimer, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Cada idoso foi acompanhado por três meses, incluindo medições de marcadores bioquímicos. O dado inédito observado foi a melhora aguda de funções executivas, observada, imediatamente, após uma sessão de exergames.

Os resultados foram publicados em vários artigos científicos o que também contribuíram para que Andrea Deslandes fosse considerada, em 2023, uma das 75 pesquisadoras mais influentes da UFRJ junto à Elsevier – uma das tradicionais editoras científicas do mundo.

Andrea Deslandes: estudo coordenado pela pesquisadora do Laboratório de Neurociência do Exercício da UFRJ utiliza o Nintendo Wii como estímulo para exercício físico (Foto: Divulgação)

Além desse reconhecimento, o trabalho inspirou a produção de materiais de divulgação para a população. Foram criados manuais, histórias em quadrinhos e vídeos que podem ser acessados em https://www.laboratoriolanex.com/c%C3%B3pia-manuais, https://www.laboratoriolanex.com/hqlanex e
https://www.laboratoriolanex.com/c%C3%B3pia-videos-tutoriais.

“Esses materiais são acessíveis e têm potencial para auxiliar familiares e cuidadores no dia a dia com idosos que sofrem com demência, transtornos de ansiedade e depressão”, ressalta a pesquisadora.

Mais de 70% dos idosos com demência no Brasil não são clinicamente diagnosticados. E Deslandes destaca que tanto a prática de exercícios físicos quanto a redução do comportamento sedentário e aumento de níveis de atividade física contribuem para a redução dos fatores de risco para demências. Segundo ela, o exercício físico pode contribuir ainda para a melhora da resposta clínica de pacientes com demências e declínio cognitivo. As evidências mostram que não apenas o treinamento aeróbico (como caminhada e corrida); mas também exercícios de força e dança, tai chi chuan e yoga.

A pesquisa é financiada pela FAPERJ e o grupo reúne parceiros do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, Instituto Nacional de Tecnologia, do Instituto Nacional de Cardiologia, do Serviço Social do Comércio e da Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes.

 

Fonte: FAPERJ (Por: Claudia Jurberg/ Ascom Faperj)

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