| Em 01/07/2025

Pesquisadores identificam novas espécies de briófitas na Paraíba e propõe ações de conservação em ecossistemas em área protegida da Caatinga

(Foto: Divulgação)

Pesquisa realizada no Parque Estadual do Poeta e Repentista Juvenal de Oliveira, em Campina Grande, identifica novas espécies de briófitas (musgos), pequenas plantas rasteiras, folhosas ou talosas, que geralmente crescem em locais úmidos nas florestas ou nas margens de cursos d’água. Essas plantas seriam um direcionador para ações de conservação e podem ajudar a compreender e monitorar a saúde ambiental de ecossistemas rochosos no Semiárido brasileiro. 

O projeto “Diversidade particionada de comunidades de briófitas como direcionador para ações de conservação em ecossistemas rochosos em uma área protegida na Caatinga” foi executado por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Durante 36 meses (novembro de 2021 a outubro de 2024) os pesquisadores realizaram diversas expedições, demarcando estações diferentes (uma vez que as plantas respondem às condições ambientais), para coleta de dados e monitoramento das áreas delimitadas.

O grupo encontrou 23 espécies de briófitas sendo uma espécie de distribuição rara no país; um novo registro para a Paraíba e uma espécie categorizada como Quase Ameaçada, pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN). “Eu ampliei a distribuição de uma espécie, Myreocoleopsis minutíssima, agora com seu segundo registro para o Nordeste e seu primeiro para a Paraíba”, afirmou o coordenador da pesquisa, Joan Bruno Silva.

Segundo ele, um dos desafios encontrados pelos pesquisadores, foi o avanço da degradação ambiental no Parque, o que exigiu adaptações metodológicas e um acompanhamento mais frequente. Bruno teve como supervisor, o prof. Dr. Sérgio de Faria Lopes.

A análise revelou que a ação humana tem maior influência negativa sobre essas comunidades do que fatores climáticos como chuva ou temperatura. “As briófitas se mostraram excelentes bioindicadores ambientais, sinalizando a degradação do habitat e a perda de biodiversidade, reforçando a importância da conservação da área”, destacou Bruno.

O pesquisador denuncia a constante degradação da área, seja por abertura de estradas, seja por depósitos de resíduos de todas as origens, que segundo ele, destruiu diversas áreas de estudo, acompanhadas periodicamente quanto à variação da composição de briófitas e variáveis microclimáticas, antes do estudo terminar. Isso levou à necessidade de diversos ajustes até a finalização da coleta de dados.

(Foto: Divulgação)

A execução do projeto foi possível graças ao apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI/CNPq) e do Governo do Estado, através de edital da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), por meio de Bolsa de Desenvolvimento Científico Regional e Tecnológico (Edital PDCTR) e investimento de R$ 20 mil. Com esses recursos, foram adquiridos equipamentos essenciais como GPS, computadores e combustíveis para deslocamento, além de serviços como manutenção e tradução de artigos. “O apoio da Fapesq foi fundamental para garantir a infraestrutura necessária à execução da pesquisa e fortalecer a ciência feita no Semiárido, contribuindo não apenas para o avanço do conhecimento, mas também para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável do estado da Paraíba”, enfatizou Bruno.

As implicações ecológicas do projeto resultaram em várias publicações de qualificações nacionais e internacionais. “Como saldo total, eu atualizei o número de espécies de briófitas para a Paraíba, endêmicas para o Brasil, para 188. Esse dado é importante visto que a informação digital, via projeto Flora do Brasil, mostra a Paraíba com apenas 91 espécies”, destacou Joan Bruno. 

Desertificação da Caatinga

Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que a Caatinga, classificada como floresta seca brasileira, uma das áreas mais susceptíveis às mudanças climáticas do país, nos últimos anos está sob intensa desertificação. “Nesse sentido, ações conservacionistas devem focar em um contexto amplo abrangendo toda uma comunidade biológica”. Os resultados do projeto ampliaram o conhecimento sobre os efeitos dos impactos antrópicos sobre as comunidades de briófitas e demonstra como usar essas plantas, de forma rápida e precisa, como bioindicadores do estado de conservação de áreas protegidas analisando a estruturação das comunidades através de índices bio-ecológicos, ou seja, formas de vida, atributos funcionai e impacto humano. 

Fonte: FAPESQ (Por: Ascom Fapesq)

Leia também

Em 02/11/2026

CONFAP e pesquisas apoiadas pelas FAPs são destaque no programa Conexão, do Canal Futura

A participação do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e de pesquisadores com projetos apoiados pelas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) foi destaque na edição de sexta-feira, 30 de outubro, do programa Conexão, do Canal Futura. Com o tema “Ciência em todo lugar”, o episódio apresentou iniciativas científicas e […]

Em 02/11/2026

Com apoio da Fapt, pesquisa investiga se protocolos internacionais de agrotóxicos protegem espécies brasileiras

O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado no Tocantins, o INCT em Ecotoxicologia Terrestre (INCT TerrEcotox), apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), desenvolve pesquisas para verificar se os protocolos internacionais de agrotóxicos são capazes de proteger espécies brasileiras que vivem no solo […]

Em 30/10/2026

Idosos mais ativos têm volume cerebral preservado em áreas de memória e raciocínio, mostra estudo

Idosos que praticam mais atividade física têm maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória, cognição e raciocínio, conclui revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity. Ao reunir dados de quase 2.700 pessoas com 60 anos ou mais, o estudo mostra uma associação consistente entre níveis mais elevados de movimento no […]

Em 28/10/2026

Roupas inteligentes: Inovação na costura transforma tecidos em solução para a incontinência urinária

A tecnologia nem sempre está em circuitos, sensores ou dispositivos eletrônicos. Ela também pode surgir de uma nova maneira de fazer algo que já conhecemos. Na costura, a escolha dos materiais e as técnicas de confecção podem transformar uma peça de vestuário em uma solução para necessidades específicas do cotidiano. Foi uma situação vivida dentro […]