| Em 24/06/2020

Fundação Araucária promove quatro dias de debates com relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS)

A Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná (FA) realizou entre os dias 16 e 19 de junho, o Workshop “Escola Internacional de Pesquisa e Inovação Colaborativa: Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS)”. O evento online teve como objetivo identificar as políticas públicas locais, regionais e internacionais sobre o tema para futuras parcerias em projetos envolvendo pesquisadores e instituições do Paraná, Reino Unido e Quebec-Canadá e estruturar uma Escola Doutoral. As pessoas puderam também acompanhar a transmissão do Workshop por meio do YouTube.

O workshop viabilizou o contato com pesquisadores e agências de fomento internacionais para a construção conjunta de parcerias. O evento conta com o apoio institucional da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico Social (CEDES) do Paraná.

“O Paraná é um dos estados do Brasil que possui maior densidade de ativos, ou seja, de pesquisadores de alto nível que estão muito bem distribuídos. Esse fato é considerado um patrimônio da sociedade paranaense, a sociedade do conhecimento. Esse número de pesquisadores vem crescendo ao longo dos anos, são aproximadamente oito mil professores e  quase seis mil são doutores, nas universidades estaduais. Portanto, podemos aproveitar esses ativos para que eles trabalhem nos assuntos de interesse do estado, como por exemplo, nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis”, afirmou o presidente da Fundação Araucária Ramiro Wahrhaftig.

(Imagem: Reprodução Workshop)

Durante os quatro dias do evento, que contaram com a participação diária de aproximadamente 120 pessoas, foram promovidas diversas trocas de experiências referentes aos ODS, como por exemplo, relatos da diretora associada de internacionalização do Conselho de Investigação do Ambiente Natural do Reino Unido (NERC), Sarah Webb, e do professor na área de Sustentabilidade e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos da Universidade de Coventry,Benny Tjahjono.

“Temos como proposta estudar e aplicar alguns dos seguintes temas transversais ligados aos ODS: a captação de pesquisa em aceleração de impacto, pesquisa em nível de sistemas socioeconômicos,tecnologias digitais e de dados e também a capacitação para pesquisadores em início de carreira”, informou Sarah.

O professor Benny Tjahjono comentou sobre as principais ações que precisam ser tomadas para o desenvolvimento de políticas voltadas aos ODS. “A orientação em cascata, otimização econômica e a consciência ambiental precisam ser calcadas na resiliência, mudança efetiva e colaboração das pessoas. E para que essas medidas tenham efeito precisamos dos seguintes facilitadores: tecnologia, mercado e inovação”. Neste mesmo dia, o workshop contou com a participação da gestora da educação superior e ciência do Conselho Britânico, Vera Oliveira.

No terceiro dia do evento, o embaixador do Brasil no Canadá, Pedro Henrique Lopes Borio, destacou que a relação entre o Canadá e o Brasil é muito boa. “Estamos tentando avançar em um acordo de comércio entre o Mercosul e o Canadá, independente da pandemia. Tínhamos uma expectativa de fazer duas rodadas de negociação neste semestre, evidentemente que diante das circunstâncias tivemos que adiar, mas ela vai acontecer. Temos negociações em vista no mercado de produtos agrícolas. Então minha mensagem é de muito otimismo, vamos avançar juntos na pauta Paraná e Quebec”, disse.

Paulo Rezende de Castro Reis, diretor de Relações Institucionais na Câmara de Comércio Brasil-Canadá, fez uma apresentação sobre o ecossistema de inovação e P&D naquele País. Afirmou que, assim como o Paraná com o Biopark, o Canadá possui um ecossistema que reúne instituições de ensino com empresas, com centros de inovação e com o Governo. Criando grandes hubs e ecossistemas de inovação.  “A inovação está no DNA dos canadenses. O Canadá possui muitos hubs de inovação, com a maioria das startups concentradas em Ontario, British Columbia, Alberta e Quebec. O Canadá é um dos melhores países do mundo para sediar startups.Também por conta da solidez econômica, pouca burocracia, baixos custos para abertura de empresas e facilidade de financiamento.”

A diretora interina do Escritório do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, Tais Aun, destacou que o compromisso do Quebec com um mundo mais justo e sustentável tem dimensão internacional. “Com ações e programas de cooperação e de solidariedade internacionais para alcançar estes objetivos propostos. As circunstâncias excepcionais que vivemos nos últimos meses mostram que é essencial que todos trabalhemos juntos na implementação dos ODS.”

Completou que “mais do que nunca, estamos nos conscientizando das estreitas relações entre desafios sanitários, ambientais, alimentares, sociais e da forte necessidade de cooperação na construção de um mundo mais sustentável.”

O workshop também contou com a participação do presidente e CEO da Ecotech Quebec, Denis Leclerc. A organização representa o cluster the Cleantech em Quebec. Sua missão baseia-se na mobilização de parceiros estratégicos da economia verde para criar condições favoráveis ao desenvolvimento e crescimento de companhias, além de encorajar os usuários na implantação de tecnologias limpas.

“Nós queremos influenciar governos, tomadores de decisão para acelerar a adoção de tecnologia verde. Portanto queremos garantir que tenhamos programas sustentáveis que ajudem não apenas as universidades, mas também as startups a gerarem a inovação que nós precisamos implementar. Se nós queremos alcançar os nossos objetivos. Não só os econômicos, mas também em termos de clima e biodiversidade.”

Denis Leclerc ressaltou ainda que primeiramente é importante ter um bom networking. “Você tem que trazer todos para o seu lado. Não somente entre as startups e pesquisadores, nós também precisamos trazer as principais empresas e as cidades que precisam da tecnologia. E também temos que trazer para o nosso lado os investidores.” Mark Purdon, membro do corpo docente da Universidade do Quebec em Montreal, compartilhou as pesquisas que desenvolve atualmente nas quais faz a comparação entre as políticas de mudanças climáticas em diversos países.

(Imagem: Reprodução Workshop)

Durante os quatro dias do evento, foi destacada a importância da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), ressaltando também que quando os ODS são tratados como ferramenta para a geração de políticas públicas, torna-se uma tendência entre os países que fazem parte da Organização.

Pontos Focais

No último dia do evento foi a vez dos pontos focais do Paraná relatarem as experiências que possuem em suas respectivas instituições, políticas públicas e programas voltados aos ODS. Representantes do Paranacidade, da Superintendência da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, das Secretarias da Educação e do Esporte, da Infraestrutura e Logística, da Segurança Publica, da Justiça,Família e Trabalho, da Agricultura e do Abastecimento e a Assespro – Paraná apresentaram as políticas públicas e programas voltados aos ODS que possuem.

“Hoje o Paraná é pioneiro tanto no Brasil, quanto fora dele, em relação à Agenda 2030. Estamos conseguindo mapear o estado com mais eficácia no levantamento de dados e ações, e com o estabelecimento de parcerias internacionais e auxílio de pesquisadores e da Fundação Araucária, avançaremos cada vez mais em todo esse processo”, destacou  a vice-presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social do Paraná (Cedes), Keli Guimarães.

O diretor científico, tecnológico e de inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, disse que “A transformação do sistema de ciência, tecnologia e inovação em um bem comum que possa ser usufruído pela população é uma das prioridades dessa Escola Doutoral que será formada. Temos também como objetivo o aproveitamento máximo dos ativos já existentes no Estado, definindo novas formas de fomentos, e priorizando sempre  as especificidades  e demandas de cada região”.

Marília de Souza, gerente executiva do Observatório Sistema FIEP, falou sobre a visão que a indústria tem com relação aos ODS. “Dentre tantos projetos, podemos destacar a Bússola da Sustentabilidade, que promove o alinhamento das estratégias de negócio e das atividades das indústrias aos aspectos sociais, ambientais, econômicos, culturais e geográficos de sustentabilidade, tendo em vista a evolução da dinâmica empresarial e o estímulo à competitividade”.

Por fim, a coordenadora do Workshop “Escola Internacional de Pesquisa e Inovação Colaborativa: Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS)”, Eliane Segati Rios, agradeceu a disponibilidade de todos. “Agradeço a participação de todos os colaboradores, dos apoiadores institucionais e de todas as pessoas que acompanharam os quatro dias do Workshop. É com essa integração de ideias e de segmentos que teremos experiências exitosas”.

 

Para assistir os vídeos do Workshop acesse o canal do Youtube da Fundação Araucária (Clique Aqui)

 

Fonte: Fundação Araucária 

 

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