
Foto: Fapitec.
Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desenvolveram uma pesquisa pioneira para identificar a composição e origem dos artefatos arqueológicos no município de Canindé de São Francisco. A pesquisa coordenada pela professora do Departamento de Física da UFS, Divanízia do Nascimento Souza, é fruto do programa de pós-doutorado da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE).
O Museu Arqueológico de Xingó (MAX) foi escolhido por causa da diversidade de material para trabalhar. Três tipos de materiais arqueológicos foram escolhidos: concha, cerâmica e cachimbo. A bolsista de pós-doutorado, Carolina Melo, explica que existe muito material lítico, mas pouco se sabe sobre a população que habitou a região de Xingó há nove mil anos. A meta é repassar para o museu as informações colhidas durante o projeto.
A partir da caracterização das conchas, foi possível observar que um dos tipos de conchas possui característica luminescente, ou seja, tem um brilho diferenciado, sendo a concha um objeto muito importante para os homens pré-históricos.
“As conchas tinham um papel importante pra eles, pois eram utilizadas no momento do sepultamento, e sempre posicionadas perto da cabeça. Elas têm um caráter perolado, então elas tinham essa característica diferenciada dentro de um ritual elas eram utilizadas de uma maneira diferenciada”, explica.
Já em relação à cerâmica, a pesquisadora Carolina Melo explica que foram avaliados produtos de dois sítios arqueológicos de cada região fronteiriça, que engloba os estados da Bahia, Alagoas e Sergipe. A partir das análises, foi possível identificar que o tipo de argila extraída era diferente, mesmo tendo proximidade em termos demográficos.
O estudo observou também a temperatura de queima dos cachimbos. “Os cachimbos são muito interessantes porque eles têm temperaturas de queima diferente das cerâmicas. Os dois são feitos de argila então são considerados materiais cerâmicos, mas têm tipologia diferente. O cachimbo geralmente era queimado em temperatura acima de 900ºC, já as cerâmicas eram queimadas abaixo de 550ºC, isso tudo são respostas que a gente também conseguiu identificar”.

Foto: Fapitec.
O estudo também identificou a presença de material orgânico no cachimbo, porém será necessária uma continuidade no estudo para identificar quais eram os princípios ativo das ervas que eles utilizavam. Segundo a pesquisadora Carolina, o projeto segue em desenvolvimento e o próximo passo será trabalhar com ossos de humanos e de animais.
A pesquisadora Carolina Melo explica que a ideia de estudar o cachimbo, a concha e a cerâmica surgiram a partir de questionamentos dos visitantes do Museu, que questionam a origem desses materiais. Além de contribuir para a academia, o estudo também pretende levar mais informações para o museu sobre os materiais expostos.
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O próximo passo do projeto é realizar palestras para os instrutores do Museu. “Vamos passar o que a gente aprendeu para que eles possam colocar isso no dia a dia conversando com os visitantes sobre como era o homem de Xingó. Essas informações podem ser acrescentadas durante esse processo de diálogo”.
Também faz parte do projeto publicar um livro que será chamado ‘Introdução a arqueometria’. O livro trará um apanhado de todas as técnicas utilizadas. O objetivo é ajudar não somente ao museu, como também os estudantes da área de física e arqueologia.