
O Agroamigo é um programa desenvolvido pelo Banco do Nordeste que tem a finalidade de orientar a aplicação de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf. Buscando entender os resultados da implantação desse programa no estado de Sergipe, um estudo está sendo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
O coordenador do projeto e Doutor em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade, Eliano Sérgio Azevedo Lopes, explica que o objetivo do projeto é entender melhor quais os resultados da implantação desse programa em Sergipe nos últimos 10 anos e, principalmente, nos 10 municípios que tiveram o maior número de operações feitas através desse Agroamigo que foram: Gararu, Itabaiana, Itabaianinha, Itaporanga D’ajuda, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Riachão do Dantas, Tobias Barreto e Umbaúba.
“A ideia era ver a concepção, a gestão e a operacionalização dessa metodologia singular criada pelo próprio Banco do Nordeste no Brasil. Quais os impactos desse programa tanto para a vida desses tomadores do crédito, quanto para a economia municipal, a economia do entorno, onde eles têm a sua propriedade e onde eles desenvolvem suas atividades”, explica.
Segundo o professor Eliano Sérgio, antes a metodologia do Pronapf era aplicada praticamente em atividades agropecuárias, agricultura e pecuária, criação de animais, gados e etc. Com o agroamigo, esse programa se abriu no sentido de também financiar atividades chamadas não agrícolas, ou seja, atividades tipo artesanato, bordado, borracharia, pequenas mercearias, sorveterias e etc. Atividades urbanas que se dão no meio rural e são executadas por membros dessas famílias de agricultores familiares, e também verificar quais novos produtos foram introduzidos, que novas atividades suscitaram o interesse desses agricultores familiares, ou de membros de sua família, em face dessa disponibilidade e facilidade de acesso ao crédito para tais atividades.
A professora e Doutora em Ciências Sociais, Mônica Santana, explica que uma das coisas que surpreendeu positivamente foi a questão do número no peso desse contrato, da presença da mulher, praticamente quase que igualando em termos percentuais o número de tomadores de crédito homens.
“Surpreendeu-nos porque é algo bem inovador. Segundo dados apresentados pelo banco, chega a ser 47% os tomadores de crédito que são mulheres, quase 50% e isso é completamente novo principalmente nos territórios rurais, e a gente queria conhecer essas mulheres, saber se houve mudança na qualidade de vida dessas mulheres, se houve o que a gente poderia chamar de empoderamento porque essas mulheres são chefes de família”.
Etapas
A pesquisa possui três etapas: Na primeira foi realizado o levantamento bibliográfico, onde são avaliados os dados fornecidos pelo banco. Uma segunda etapa foi a pesquisa de campo para entender como os gerentes e os coordenadores de desenvolvimento de recursos humanos vão efetivamente nas comunidades para elaborar o plano de negócio com os consultores interessados. Na segunda fase, é preciso considerar uma série de variáveis que mostram onde foi aplicado? Em quais produtos? Em quais atividade? Por quem? Para que na terceira fase os dados obtidos possibilitem a realização de um roteiro de entrevista que será aplicado junto aos agentes do agroamigo e coordenadores, para que se possa entender o significado daqueles números, e a partir disso criar um perfil desses agricultores.
NAPs
O projeto de pesquisa é fruto do Programa de Pesquisa em Política Pública (NAPs) desenvolvido pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) em parceria com as Secretarias de Estado. O primeiro edital no NAPs foi lançado em 2011 e desde então o programa tem buscado atender as demandas do estado. Ao final de cada projeto de pesquisa, os pesquisadores apresentam os dados e propõe políticas públicas para serem aplicadas pelas secretarias.
Fonte: Comunicação Fapitec/SE.