| Em 06/10/2021

Cientistas tocantinenses desenvolvem uma ferramenta inovadora aplicando inteligência artificial para análise e controle da hanseníase

Trata-se de uma pesquisa científica aplicada à saúde pública que permite um mapeamento cronológico dos casos da doença com apontamento de soluções a gestão pública municipal e estadual. (Foto: Stefani Cavalcante)

Um grupo de pesquisadores especializados em Ciências da Computação, Engenharia e Desenvolvimento de Sistemas da Universidade Federal do Tocantins (UFT), estão executando um projeto que desenvolve uma Ferramenta de Análise Geoespacial a partir dos dados pré-existentes de casos de Hanseníase no Estado do Tocantins. O objetivo do estudo é viabilizar a tomada de decisões de políticas públicas de saúde, objetivando o combate e controle da doença. A pesquisa faz parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) do Ministério da Saúde, e conta com apoio financeiro também do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

Segundo o coordenador do projeto, doutor em Engenharia de Sistemas e Computação, Ary Henrique Morais de Oliveira, o estudo está sendo feito com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN, 2017), onde encontram-se os registros dos pacientes, casos da doença e o tratamento. “Isso tem permitido a descoberta detalhada da atual situação no Estado, e possibilitado o entendimento dos registros contidos através de uma análise estratégica dos aspectos geográficos, temporais, culturais, políticos e administrativos da doença. O objetivo é levantar tendências e padrões para subsidiar o processo de tomada de decisões para que os gestores possam estabelecer políticas e diretrizes para auxiliar o sistema de saúde municipal e estadual”, explicou.

O sistema tem a finalidade ainda de reconhecer padrões, predizer cenários, extrair regras de associações e realizar inferências matemáticas e estatísticas, através da aplicação de algoritmos das áreas de mineração de dados e inteligência artificial. O estudo está sendo realizado através do cruzamento das análises dos dados a partir do critério de localidade e a data da identificação de ocorrências da doença, para permitir um mapeamento cronológico e regional que proporcione uma visualização da distribuição geográfica dos casos. Em consequência disso, será possível uma análise minuciosa dos dados coletados visando à investigação da causa dessa cadeia de transmissão e seus fatores.

Segundo a Assessora Técnica de Programas e Projetos de Saúde da Fapt, Adriana Arruda, esse é um dos projetos científicos apoiados pelos Governos federal e estadual que têm saído do papel e transformado em ações aplicáveis que trarão benefícios à sociedade a curto e médio prazo. É louvável essas parcerias com a rede municipal de saúde, pois levará inovação a gestão, tanto na parte de gerenciamento como na consultoria que terão por parte do cientista coordenador do projeto.

Resultados

Conforme o pesquisador, o estudo é investigativo e vai resultar em um produto de utilização específica de instituições que trabalham com epidemiologia e doenças endêmicas. Além de proporcionar um relatório técnico sobre os diferentes cenários da hanseníase, a partir da adoção de métodos e ferramentas de inteligência artificial e mineração de dados, os quais geram uma análise mais tecnológica e inovadora com base em padrões de características, comportamento, localidade para prever cenários de inibição da doença.

O terceiro produto será composto de um conjunto de artigos científicos publicados em revistas de saúde pública e/ou informática médica. Os artigos devem apresentar os métodos desenvolvidos na pesquisa e os resultados das análises estatísticas e das análises obtidas com os algoritmos de mineração de dados e inteligência artificial. O quarto produto é um sistema de informação para visualização do estado anterior, atual e futuro da hanseníase no estado do Tocantins.

O estudo é considerado inovador na forma de processamento das informações, com base em algoritmos e métodos de inteligência artificial, e na forma de apresentação, adotando ferramentas de visualização de última geração com apoio dos mapas geográficos. O espaço amostral inicial é a população de Palmas que apresenta diagnóstico de hanseníase, casos leves e de alto risco de contaminação. O trabalho será expandido para nível de Estado após a construção da ferramenta, com a inclusão de registros das demais cidades para aumentar a área de análise.

Coordenador do projeto, doutor em Engenharia de Sistemas e Computação, Ary Henrique Morais de Oliveira (Foto: Stefani Cavalcante)

Acordo de cooperação técnica

A fim de tornar o estudo prático de forma aplicável e real, a UFT através do projeto do Dr Ary Henrique, está viabilizando um acordo de cooperação técnica com a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas a fim de implantar a ferramenta de ciência de dados na gestão de saúde pública para monitoramento da hanseníase no município inicialmente. O estabelecimento do convênio vai ampliar o escopo da base de dados do SINAN-TO, por meio da aprovação da atualização do projeto no Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos. A assinatura da parceria está prevista para esse semestre.

O estabelecimento do acordo permite a interação entre as equipes da vigilância em saúde da Secretaria e os pesquisadores da universidade, ou seja, a ideia é colocar em prática uma ferramenta criada na academia, a partir de um projeto de pesquisa fomentado pelos governos federal e estadual.  O propósito do acordo é ampliar as ações do projeto, cujos produtos são tecnológicos e de inovação, para a produção de futuros trabalhos acadêmicos de análise de contextos em relação aos comportamentos das endemias, epidemias e pandemias.

“Trata-se de uma importante ferramenta desenvolvida no campo da Epidemiologia Computacional que estará disponível diretamente para os técnicos da Secretaria da Saúde e indiretamente para a população, que receberá os resultados da ação por meio de um planejamento estratégico mais eficaz, efetivo e eficiente”, ressaltou o pesquisador.

(Foto: Stefani Cavalcante)

 

Fonte: FAPT (Por Geórgya Laranjeira Correa / Governo do Tocantins)

 

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