| Em 27/03/2020

Cientistas sequenciam genomas do Covid-19 em Minas Gerais

 

Pesquisadores da UFMG trabalham no sequenciamento dos genomas do Covid-19

 

Durante o último sábado (21/03), pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) sequenciaram, em tempo recorde (48h), os primeiros 19 genomas do Covid-19 de pacientes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. O projeto contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), MCTIC, Cadde e LNCC.

As amostras foram coletadas de pacientes atendidos pela UFRJ e, na capital mineira, pelos laboratórios Hermes Pardini e Símile. De acordo com o professor do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG e membro da equipe de pesquisa, Renato Santana, os dados genéticos sugerem que o SARS-CoV-2 chegou ao Brasil por meio de pessoas infectadas oriundas de diversos países europeus e da China, este último em menor número. Além disto, o pesquisador explica que o sequenciamento possibilitou identificar de maneira genética tanto as transmissões locais (pessoas infectadas que retornaram de viagem e infectaram seus familiares), quanto comunitárias (pessoas que não tiveram histórico de viagem, mas acabam se infectando e infectando outras pessoas). “Estes resultados reforçam a necessidade do isolamento social e testagem como medida preventiva da transmissão do Covid-19”, enfatiza.

A identificação da origem das infecções é importante porque possibilita ações mais eficazes de prevenção. “A relevância em sequenciar os vírus em Minas Gerais consiste em entender, teoricamente, a origem das infecções. Sabemos, por exemplo, que os casos de Covid-19 no Brasil entraram por meio de voos internacionais de pessoas retornando ao país ou de visitantes, isto é fato. Então, especificamente para o Estado de Minas Gerais, é de suma importância entender este trânsito para que possamos adotar medidas de vigilância de fronteiras e tentar diminuir a entrada do Covid-19”, alerta.

CONTROLE DA EPIDEMIA

Sequenciar significa identificar e codificar bases nitrogenadas. No caso do RNA, trata-se da citosina, da guanina, da adenina e da uracila. É a partir do sequenciamento que os cientistas podem desenhar testes diagnósticos específicos, evitando reações cruzadas com outros vírus que causam sintomas respiratórios, além do desenvolvimento de vacinas a longo prazo. “Sem você saber a sequência e o genoma do vírus, não é possível desenhar um diagnóstico apropriado e específico. Isto é importante para não correr o risco de confundir com outros vírus que também causam a gripe, como a Influenza”, explica. Além disto, é a partir do estudo e do sequenciamento que os cientistas podem verificar a capacidade de mutação do vírus e como é possível agir nestes casos, bem como desenvolver meios para a criação de uma barreira física de migração do mesmo.

Para isto, Santana conta que a UFMG está oferecendo sua estrutura física e de pessoal com diversos virologistas e outros especialistas da instituição para o enfrentamento e diagnóstico do coronavírus no país e em Minas Gerais. Neste cenário, ele destaca a importância da FAPEMIG. “Esta pesquisa não contou com apoio direto da Fundação, pois o Covid-19 pegou todos de surpresa e não possibilitou a abertura de chamadas específicas de apoio a pesquisas. Contudo, houve sim um suporte fundamental da FAPEMIG com equipamentos e materiais financiados advindos de outros projetos e chamadas já contratadas. Isto permitiu que a equipe e a infraestrutura de laboratórios da UFMG estivessem em condições de desenvolver alternativas, quando da chegada do Covid-19 aqui. Afinal, os resultados científicos não são de curto prazo, é preciso investimentos contínuos em CT&I”, pontua.

Como exemplo de outras frentes atuantes, Santana enfatiza os trabalhos desenvolvidos na UFMG para o enfrentamento do coronavírus. “Com relação ao estudo do genoma, os cientistas analisam a dispersão do vírus em nosso país, a fim de agilizar a implementação de políticas públicas de controle das fronteiras. Também utilizamos o estudo do genoma para identificar as regiões geográficas ou bairros com maiores índices de transmissão, a fim de propor medidas de intervenções e políticas de isolamento”, fala.

Ainda, de acordo com o cientista, há grupos de pesquisadores na UFMG que, em parceira com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estão desenvolvendo vacinas, enquanto outros estudam a possibilidade de associação de medicamentos para o tratamento de pacientes em condições mais severas. “São os estudos genéticos sendo utilizados para dar suporte a vigilância que está sendo realizada no Brasil, desenvolver vacinas e evitar a transmissão”, finaliza.

 

Fonte:  Fapemig (Texto: Tatiana Nepomuceno)

 

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