| Em 16/06/2021

Cientistas estudam meios para minimizar as sequelas dos acidentes com animais peçonhentos no Tocantins

Pesquisas científicas com animais peçonhentos são desenvolvidas na UFT com apoio do Governo do TO por meio da FAPT. (Foto: Geórgya Laranjeira Corrêa/Fapt)

Um estudo científico desenvolvido por pesquisadores tocantinenses, avaliou o perfil epidemiológico do acidente botrópico, (picada de cobra), toxicidade do veneno da espécie jararaca denominado Bothrops moojeni presente no Estado, e ainda as sequelas ocasionadas, bem como alternativas para o tratamento. A pesquisa faz parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), financiada pelo Ministério da Saúde, por meio do Governo do Tocantins, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

O estudo científico denominada “O acidente botrópico no Tocantins: epidemiologia, fatores ambientais e toxicidade do veneno”, é coordenado pela Pós-Doutora em Bioquímica de Proteínas, Carla Seibert que atua na Universidade Federal do Tocantins (UFT), e conta com a participação de alunos de graduação, mestrado e doutorado de cursos de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente, além de professores da instituição e de pesquisadores do Instituto Butantan/SP.  O estudo já resultou na publicação de dois artigos científicos e aguarda parecer de revista de outros manuscritos submetidos.

A pesquisa constatou que o perfil epidemiológico dos acidentes botrópicos no Tocantins acompanha o padrão nacional, sendo estes mais frequentes em pessoas economicamente ativas, como trabalhadores rurais, com manifestação de alterações clínicas leves a moderadas, mas que podem levar à óbito. Fatores ambientais e climáticos como período chuvoso, temperatura e umidade relativa do ar, devem ser observados pois contribuem de forma significativa para os acidentes com animais peçonhentos. Desta forma a pesquisadora orienta que medidas de prevenção devem ser redobradas com o uso de botas e luvas para prevenir o contato direto com as serpentes.

Inovação

Os pesquisadores estão estudando saídas viáveis para minimizar o impacto desses acidentes ofídicos, para reduzir o número dos casos. E até o momento, os resultados dos estudos científicos têm sido promissores. Está sendo investigado ainda, outras vertentes que buscam alternativas para o tratamento dos sintomas locais ocasionados pela espécie de jararaca Bothrops moojeni que não são controladas pelo antiveneno comercial.

“Mesmo sabendo que é incontestável a eficácia do antiveneno comercial, a pesquisa está abrindo novos caminhos no que tange ao aprofundamento dos estudos científicos na bioprospecção de plantas medicinais tocantinense com potencial antiofídico utilizada pela população para viabilizar o tratamento e reduzir as sequelas. Aliado a isso, o projeto visa ainda conservar as serpentes que possuem um importante papel biológico na natureza”, revelou a Dra Carla.

Por fazer parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), o projeto poderá nortear ações que contribuirão para a redução dos riscos gerados pelos acidentes botrópicos. Para a pesquisadora, o financiamento possibilitou implantar técnicas que permitirão mais autonomia às pesquisas com venenos de animais peçonhentos no Estado, pois antes os experimentos eram realizados em laboratórios parceiros fora do Tocantins, atualmente não há mais essa necessidade.

Apoio Financeiro

“O apoio concedido pelo PPSUS por meio da Fapt, está possibilitando suporte ao estudo que há anos vínhamos almejando o financiamento. Devido a isso conseguimos melhorar as atividades científicas do estudo e possibilitar o fomento à informação e formação dos nossos alunos, transformando-os, em pesquisadores, professores e ainda gerando produtos”, destacou a pesquisadora.

Oportunidade

Para os envolvidos na pesquisa, a experiência tem sido valiosa em todos os aspectos, por favorecer a participação em grupos de cientistas renomados que trabalham com projetos de interesse público visando a preservação do meio ambiente. Além de viabilizar a conclusão do doutorado de diversos acadêmicos da UFT que fazem parte da pesquisa.

“O projeto me oportunizou a ampliação de conhecimento, e ainda viabilizou a integração com a comunidade científica nacional e internacional, como a aproximação com o Instituto Butantan que possibilitou a melhoria dos estudos para obtenção de resultados promissores. Desta forma, meu grande desafio é concluir o doutorado e continuar trabalhando com o grupo, a fim de ampliar as metas de pesquisa e fortalecer os projetos existentes visando a consolidação”, ressaltou o Doutorando em Ciências do Ambiente, Márcio Trevisan.

O estudo é coordenado pela Pós-Doutora em Bioquímica de Proteínas, Carla Seibert que faz parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) apoiado pelos Governos federal e estadual por meio da FAPT. (Foto: Geórgya Laranjeira Corrêa/Fapt)

“Fazer parte desse projeto tem sido uma experiência única e valiosa, é extremamente importante para mim como professora da rede pública do Estado do Tocantins, estar nesse nível de estudo que favorece conhecimentos inovadores que beneficiem a sociedade e ainda está favorecendo a conclusão do doutorado. Sou grata por fazer parte desse projeto que tem grandes perspectivas de trazer resultados promissores”, destacou a doutoranda em Ciências do Ambiente da UFT, Patrícia Siqueira Melo Rodrigues, uma das participantes do projeto.

 

Fonte: FAPT (por Geórgya Laranjeira Correa/Governo do Tocantins, com colaboração da estagiária de Comunicação da FAPT, Stefani Cavalcante)

 

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