| Em 27/09/2018

Brasileiro ganha prêmio da Academia Mundial de Ciências

Um dos pesquisadores principais do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias, apoiado pela Fapesp, Thiago Mattar Cunha é o vencedor do TWAS-LACREP Young Scientists Prize 2018. Foto: Rosemeire Soares Talamone.

Thiago Mattar Cunha, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), e um dos pesquisadores principais do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID, na sigla em inglês), apoiado pela Fapesp, é o vencedor do TWAS-LACREP Young Scientists Prize 2018.

O prêmio, que será entregue em outubro, é atribuído anualmente pela Academia Mundial de Ciências (TWAS, em inglês) a jovens cientistas, com menos de 40 anos, que desenvolvem pesquisas na América Latina e Caribe.

A láurea é um reconhecimento a pesquisadores de países em desenvolvimento que trouxeram grandes contribuições para o avanço da ciência, mensuradas em número e impacto de artigos científicos publicados em periódicos científicos internacionalmente reconhecidos.

A premiação inclui um valor em dinheiro e diploma. “O prêmio representa um reconhecimento e é um incentivo para continuar a fazer pesquisa de impacto, que contribua para produzir ciência de qualidade”, disse Cunha à Agência Fapesp.

Com formação em farmacologia, o foco de estudo de Cunha é a dor. Em colaboração com outros pesquisadores do CRID e de universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, ele tem se dedicado a entender o processo de desenvolvimento da dor crônica – que se instaura e continua após uma lesão traumática, de nervos ou doença inflamatória, ter sido sanada.

“Temos estudado como é que os sistemas imune e nervoso ‘conversam’ no processo de desenvolvimento da dor crônica, e encontrado evidências de que existem algumas interações entre eles, chamadas de neuroimunes”, afirmou.

O entendimento dessas interações neuroimunes e como elas afetam o desenvolvimento da dor crônica abre a perspectiva de identificar enzimas, canais iônicos ou proteínas que atuam nesse processo e, consequentemente, descobrir moléculas que possam bloqueá-los, explicou Cunha.

Novo analgésico
Um exemplo de como o aumento da compreensão dos mecanismos biológicos da dor crônica pode resultar no desenvolvimento de fármacos que podem inibir ou reverter esse processo foi dado há alguns anos pelo próprio pesquisador. Em colaboração com colegas da FMRP-USP, Cunha anunciou em 2013 a descoberta de uma nova molécula com atividade analgésica.

A molécula pode dar origem a uma nova classe de medicamentos capazes de eliminar a dor sem causar os efeitos colaterais associados aos anti-inflamatórios mais utilizados hoje.

“Constatamos que a molécula que descobrimos é capaz de inibir uma proteína, chamada C5a, que faz parte do sistema de complemento [que contribui com a atividade de combate aos microrganismos infecciosos pelo sistema imunológico, ativando uma resposta inflamatória]”, disse.

Em parceria com a indústria farmacêutica italiana Dompé, os pesquisadores pretendem desenvolver um novo analgésico com essa ação bloqueadora de receptores do sistema de complemento. “A molécula está agora em estudos pré-clínicos [anteriores aos testes em humanos]”, disse Cunha.

Em outro estudo recente, publicado na revista Cancer Research, Cunha, em colaboração com colegas do CRID e da Universidade Federal do Ceará (UFC), comprovou um novo mecanismo de ação do paclitaxel – quimioterápico cujo uso continuado causa dor crônica ao lesar fibras nervosas.

Os pesquisadores constataram que o medicamento, conhecido comercialmente como Taxol, apresenta o efeito adicional de estimular o sistema imunológico (leia mais em http://agencia.fapesp.br/28711/).

“Sabíamos que um dos mecanismos que leva o paclitaxel a causar dor crônica e fazer o paciente interromper o tratamento é a ativação de um receptor chamado toll do tipo 4. Com base nessa informação, fizemos a descoberta da estimulação do sistema imunológico até então desconhecida desse medicamento”, disse Cunha.

Fonte: Agência Fapesp.

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