| Em 05/04/2023

Apoiado pelo Governo do Amazonas, estudo analisa casos de doença de Chagas no estado

Estudo analisa casos de doença de Chagas no Estado do Amazonas

(Foto: Érico Xavier- Decon/Fapeam)

A doença de Chagas, que por vezes pode ser negligenciada na Região Amazônica, requer atenção especialmente em virtude do consumo de açaí, bacaba e patauá, tornando necessários estudos sobre o perfil clínico dos pacientes. A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), analisou 83 casos, dos quais 74 foram em decorrência do consumo desses frutos.

O estudo intitulado “Relação entre polimorfismos genéticos e o desfecho clínico e laboratorial de pacientes autóctones da Amazônia com histórico de doença de Chagas aguda”, visou a análise clínica dos infectados e, dessa forma, verificou que nove casos isolados foram de transmissão desconhecida.

Os pacientes analisados foram de seis municípios do Amazonas: Coari (a 363 quilômetros da capital), Carauari (788 Km), Uarini (565 Km), Tefé (523 Km), Lábrea (702 Km) e Amaturá (909 Km). A pesquisa, em andamento, encontra-se na fase de análise e identificação do parasito, bem como dos genes associados à evolução da doença.

“Todos realizaram exame sorológico para doença de Chagas e 39,7% apresentaram sorologia positiva mesmo após anos de tratamento, 19,2% foram tratados há mais de 5 anos e permanecem com doença de Chagas. 21% dos pacientes com sorologia positiva apresentaram alterações no eletrocardiograma, sugestivas de doença de Chagas crônica cardíaca”, disse Débora Raysa Teixeira de Sousa, coordenadora do estudo.

A pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) observou também que do total de 83,50 pacientes (60,3%) apresentam resultado sorológico negativo, ou seja, ainda é necessário fazer o acompanhamento por alguns anos para confirmar a cura da doença e que 33 (39,7%) possuem sorologia positiva, isto é, não podem ser considerados curados da doença, mesmo após a realização devida do tratamento.

E, ainda, 21% destes 33 pacientes, também apresentaram eletrocardiograma alterado, sugestivo de doença de Chagas crônica cardíaca, sendo necessário o acompanhamento com cardiologista. O restante (79%) apresentaram eletrocardiograma normal, sugestivo de estado indeterminado da doença.

A pesquisadora, que integra o grupo de pesquisa em doença de Chagas Dr. João Macias Frade, da FMT-HVD, acrescentou que esses dados revelam a importância do diagnóstico da doença, a fim de identificar o parasito no sangue e de genes influenciadores na evolução da doença.

“Com os trabalhos realizados nos municípios, junto com as prefeituras, está sendo possível conseguir que os pacientes com suspeita de cardiopatia chagásica venham até Manaus para realizar outros exames como ecocardiograma, Holter de 24 horas e atendimento com cardiologistas e infectologistas na Fundação”, avaliou.

(Foto: Érico Xavier- Decon/Fapeam)

Apoio da Fapeam  

A coordenadora do projeto explica a importância o fomento da Fapeam, por meio do Programa Amazônidas: Mulheres e Meninas na Ciência, Edital n° 002/2021, que contribuiu com o auxílio de passagens aéreas à bolsista de apoio técnico para a ida com a equipe aos municípios de Coari e Carauari para a realização das coletas. Além da compra do material utilizado e a colaboração para capacitação da equipe nas técnicas de biologia molecular com o pesquisador da Fiocruz do Rio de Janeiro, Otacílio da Cruz Moreira.

Sobre o Programa 

O Programa é uma iniciativa do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Fapeam, que integra o Movimento Mulheres e Meninas na Ciência,  e visa estimular o aumento da representatividade feminina no cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) local, através da concessão de auxílio-pesquisa para despesas de capital, custeio e bolsas na modalidade AT-II, III, IV (Resolução n.º 001/2017-CS/FAPEAM), a fim de fomentar projetos de pesquisa, tecnologia e inovação como uma ação afirmava que visa à ampliação da participação feminina na liderança de projetos.

 

Fonte: FAPEAM (Por: Diovana Rodrigues – Decon/Fapeam)

 

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