| Em 06/05/2016

Pesquisadora desenvolve produto para combate ao mosquito da dengue

A dengue, a febre pelo vírus zika e a febre de chikungunya passaram a chamar a atenção da população brasileira pela sua gravidade e crescente número de pessoas infectadas. Segundo o Ministério da Saúde, em 2015 foram registrados mais de 1,6 milhões casos prováveis de dengue em todo o país e o Nordeste ficou em segundo lugar entre as regiões com mais registros, com 311.519 casos.

[cml_media_alt id='8718']Etapas de obtenção da galactomanana: sementes (1), aquecimento em água fervente (2), intumescimento por 24 horas (3), endospermas após separação manual (4), secagem em acetona PA (5) e obtenção do produto final após trituração (6)[/cml_media_alt]

Etapas de obtenção da galactomanana: sementes (1), aquecimento em água fervente (2), intumescimento por 24 horas (3), endospermas após separação manual (4), secagem em acetona PA (5) e obtenção do produto final após trituração (6)

Até o dia 2 de abril de 2016, o Brasil registrou 802.249 casos prováveis de dengue, 91.387 casos prováveis de febre pelo vírus Zika e 39.017 casos prováveis de febre de chikungunya, segundo boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde. A três doenças possuem sintomas parecidos e compartilham do mesmo transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o combate direto ao Aedes aegypti ainda é a única forma de intervenção no controle da dengue.

Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Selma Elaine Mazzetto, responsável pelo Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos, em
parceria com o professor Diego Lomonaco, está desenvolvendo um novo produto a partir do Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC) e sementes de Olho de Pavão (Adenanthera pavonina) para auxiliar no combate ao mosquito Aedes aegypti. A pesquisa contou com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Por ser um bioinseticida, esse novo produto se torna uma alternativa de combate, podendo ser candidato às medidas de controle pela baixa toxicidade aos mamíferos e sem impacto ambiental.

“Visto a preocupação das autoridades face ao aumento do número de casos de dengue relatados, nos perguntamos se, conhecendo as características químicas do LCC, poderíamos de algum modo contribuir para um problema local através do uso de uma matéria-prima local”, explica a professora.

Para obter esse novo produto, a equipe extraiu o endosperma de sementes leguminosas da espécie Adenanthera pavonina e o Líquido da Casca de
Castanha de Caju (LCC) e seus principais constituintes, o cardanol e o cardol, para a produção de um material encapsulante de polissacarídeos naturais denominados de Galoctomananas. Todos os elementos foram submetidos a processos químicos até chegarem ao ponto de encapsulamento.

[cml_media_alt id='8719'] Etapas da obtenção das microcápsulas: (1) Preparação da solução do material encapsulante; (2) Soluções com adição do material ativo ; (3) Secagem em atomizador; (4) Produtos após secagem final.[/cml_media_alt]

Etapas da obtenção das microcápsulas: (1) Preparação da solução do material encapsulante; (2) Soluções com adição do material ativo ; (3) Secagem em atomizador; (4) Produtos após secagem final.

Os testes foram executados com larvas de 3º estágio de ovos de Aedes aegypti, realizados em triplicata e leitura de mortalidade após 24, 48 e 72 horas e foi utilizado o componente químico de larvicidas, pyriproxyfen, na formulação granulada, onde foi constatada uma mortalidade superior a 90% das larvas.

“Dentre os diversos resultados obtidos neste estudo, pode-se destacar a obtenção de um novo larvicida a partir da combinação inédita de dois componentes da biomassa cearense, que poderá futuramente ser apresentado ao público como mais uma arma no controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti”, afirma Selma.

O projeto teve suas informações patenteadas recentemente e encontra-se em fase de novos experimentos para aprimorar as condições de produção em grande escala. Devido aos bons resultados, a equipe também está buscando ampliar a variedade de matérias-primas utilizadas no produto, assim como estudar novas técnicas de geração das microesferas, para que desta forma possam tornar esse produto cada vez mais inovador.

A produção do larvicida foi apoiada pela Funcap por meio do Edital 11/2013 – PPSUS-CE FUNCAP/SESA/MS/CNPQ. O Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) visa apoiar a execução de projetos de pesquisa que promovam a formação e a melhoria da qualidade de atenção à saúde no estado do Ceará no contexto do Sistema único de Saúde (SUS), representando significativa contribuição para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Ceará.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Funcap

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