| Em 04/04/2016

Cultura de arroz poderá ter menos defensivos químicos

Graças ao trabalho desenvolvido pela UnB em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão é possível que, já em 2019, o controle de doenças do cereal possa ser feito por fungos e bactérias. Essa é a terceira cultura cerealista mais importante do mundo, ficando atrás somente do milho e do trigo.
“Nós entenderemos melhor de que forma a planta responde quando colocada em contato com o agente indutor”, explica o professor Helson do Vale, docente do Programa de Pós-graduação em Fitopatologia. Ele orienta o doutorando Eugenio Sperandio, que analisa como essas intervenções se expressam nos genes da planta.
Existem duas formas de plantar arroz atualmente: em terrenos irrigados ou em não irrigados. Os primeiros costumam produzir mais grãos e com mais qualidade.
Os sistemas não irrigados contam só com a água da chuva e não produzem com a mesma qualidade do outro sistema.

[cml_media_alt id='8225']Eugenio Sperandio (esq.) e Helson do Vale (dir.) esperam desenvolver soluções de controle alternativo viáveis comercialmente até 2019 Foto:Luis Gustavo Prado/Secom UnB [/cml_media_alt]

Eugenio Sperandio (esq.) e Helson do Vale (dir.) esperam desenvolver soluções de controle alternativo viáveis comercialmente até 2019
Foto:Luis Gustavo Prado/Secom UnB

Com trabalho, que conta com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal e da Capes, além da Embrapa, as bactérias presentes no solo farão com que a planta adquira resistência contra fungos, em especial o Magnaporthe oryzae, que causa Brusone, considerada a doença de maior importância do arroz. “O que queremos fazer pode ser comparado a uma vacina”, explica. “Isolamos um fungo que não consiga provocar a doença, e o colocamos em contato direto com a planta. Assim, ela fica imunizada”, conclui.
Outra vertente do estudo é aumentar a produtividade utilizando os agentes bacterianos. De acordo com o professor Helson do Vale, “a rizobactéria que estudamos foi encontrada em solos com plantio de arroz e iremos potencializar seu uso para que estimule o crescimento da planta”.
O experimento é dividido em várias etapas. A caracterização bioquímica é feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde fica o maquinário para a análise das amostras. “Percebemos que o arroz que ia para o beneficiamento tinha resíduos de defensivos agrícolas”, explica a pesquisadora da Embrapa, Cristina Filippi. A identificação da bactéria e o sequenciamento de parte do genoma estão sendo feitos na UnB.
De acordo com a pesquisadora, os produtores terão drástica redução nos custos da rizicultura. “O arroz precisa ter os grãos padronizados porque isso dá o preço do produto. Como consequência, há, atualmente, a necessidade de utilizar tantos subsídios para garantir a produção. Poderemos diminuir o uso de adubo e agrodefensores, impactando na qualidade, no ganho de produtividade e na conservação do meio ambiente”, finaliza.
“Brusone é uma doença difícil de controlar”, narra Eugenio. “É preciso produzir muitos grãos para se ter rendimento. O uso indiscriminado dos defensivos causa danos ao ecossistema, prejudicando os micro-organismos do solo. Além disso, há estudos que indicam que fungicidas são carcinogênicos”, explana. Usar agrotóxicos indiscriminadamente, pode criar agentes patógenos resistentes.
Os pesquisadores esperam ainda, após o término dos estudos, contribuir para melhorar plantas como o feijão e o milho.
Fonte: Thaíse Torres – Da Secretaria de Comunicação da UnB

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