Você já pensou em mapear o céu? O projeto Javalambre Physics of the Accelerating Universe Astrophysical Survey (J-PAS) pretende, nos próximos cinco ou seis anos, realizar esse feito. O projeto que foi concebido pela Espanha e está sendo realizado com o apoio brasileiro – através de recursos humanos e financeiros, – irá mapear o universo tridimensionalmente, em 56 cores, a partir de um observatório astronômico em Sierra de Javalambre, na cidade Teruel, Espanha.
Os pesquisadores envolvidos na empreitada observarão uma área de mais de 8.000 graus quadrados, o equivalente a 1/5 de todo o céu, utilizando dois telescópios – um de 2,5m e outro de 0,80m – que possuem um sistema de filtros capaz de cobrir toda a região visível do espectro eletromagnético. Os telescópios foram projetados exclusivamente para o mapeamento do universo e, além deles, os pesquisadores contarão com a JPCam, a segunda maior câmera astronômica do mundo.
Saulo Carneiro, membro do J-PAS e Diretor Científico da Fapesb, acredita que projetos como esse são importantes máquinas de fomento para a atividade de pesquisa no país: “O fato de o Brasil participar de um consórcio internacional desse porte certamente é um incentivo à pesquisa em Astronomia”. Segundo Saulo, o projeto trará ganhos para área de Astronomia: “O principal ganho é sem dúvida o avanço de nosso conhecimento sobre a estrutura e evolução do Universo. Mas há ainda inúmeros sub-produtos, como desenvolvimento de tecnologia em mecânica fina, ótica, software, transmissão e armazenamento de dados e formação de recursos humanos em todas essas áreas”.
Outros projetos de levantamentos astronômicos, como o Sloan Digital Sky Survey, iniciado nos anos 2000, também pretendem fornecer um mapa em 3D do universo, mas, o maior diferencial do J-PAS se encontra na JPCam. A câmera, que tem sua construção financiada e coordenada por pesquisadores brasileiros, possuirá um mosaico de 14 câmaras CCDs (sensor usado para obter imagens digitais) de grande formato e resolução de 1,2 bilhões de pixels, o que a torna capaz de produzir imagens de alta qualidade e um espectro de baixa resolução dos objetos observados. Ela também alcançará uma quantidade recorde de cores, já que possui 54 filtros estreitos e dois filtros largos.
O pesquisador baiano Cássio Pigozzo, membro do Comitê Científico de Cosmologia Teórica e Fundamentos de Física do J-PAS afirma que essas características da JPCam permitirão a classificação, identificação e localização de milhares de estruturas que dificilmente seriam encontradas: “Devido a este sistema de filtros, espera-se identificar mesmo galáxias pouco luminosas, aumentando nosso catálogo de objetos, e ainda fornecendo informações mais precisas sobre os mesmos”. Segundo Cássio, a maior dificuldade na construção da JPCam se encontra no sistema mecânico da câmera, que precisa dar conta de movimentar as bandejas dos filtros, em cada CCD: “Como temos 56 filtros, este mecanismo também traz desafios para a engenharia brasileira, que tem conseguido marcar seu pioneirismo na área”. Outros pesquisadores, tais como André Ribeiro, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), que trabalha no desenvolvimento de um método de classificação de galáxias, também participam do projeto J-PAS. André afirmou que a entrada de pesquisadores de instituições do estado neste projeto ocorreu em virtude de colaborações que já existiam nas áreas de astrofísica extragaláctica e cosmologia.
Orçado em cerca de 30 milhões de euros, obtidos através de um consórcio entre instituições brasileiras (como FAPESP, FAPERJ, FINEP e CNPq) e espanholas, o J-PAS irá mapear e catalogar com alta precisão diversos objetos do sistema solar. As observações computadas vão gerar dados e imagens que serão disponibilizados para astrônomos de diversas partes do mundo e para o público em geral. O mapa e o catálogo, que serão alguns dos maiores e mais completos já feitos, permitirão que pesquisadores busquem explicações para questões fundamentais da ciência. Questões como, por exemplo, de que modo as galáxias se formaram e evoluíram desde o Big Bang, poderão ser solucionadas a partir de informações mais detalhadas sobre a estrutura da Via Láctea. Também será possível, através dessa empreitada, estudar as pistas deixadas pela energia escura na distribuição de matéria escura do universo, dois grandes constituintes da galáxia, que têm sua natureza ainda desconhecida.
Mais de 100 cientistas, pesquisadores e engenheiros do Brasil, Espanha, Estados Unidos e outros países estão participando do projeto, que deve ser concluído em 2019.
Astronomia, Cosmologia e Astrofísica na Bahia
Na Bahia há pelo menos três grupos realizando regularmente pesquisas em Astronomia: A Universidade Federal da Bahia (UFBA) possui o Grupo de Gravitação e Cosmologia, que é composto por pesquisadores da universidade e conta com colaborações nacionais e internacionais; a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) possui um grupo de astronomia que atua em diferentes áreas da astrofísica e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) possui o LATO (Laboratório de Astrofísica Teórica e Observacional), em que diversos pesquisadores se dedicam a diferentes temas da astrofísica. Na Universidade do Recôncavo da Bahia (UFRB) há o projeto ‘Astronomia no Recôncavo da Bahia’, que, financiado pela FAPESB e pelo CNPq, busca, através de atividades como observação pública do céu, palestras e oficinas destinadas ao público geral, disseminar e popularizar a Astronomia na região do Recôncavo da Bahia.
Fonte: Ana Santana/Lorena Bertino – FAPESB
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