| Em 16/09/2015

FAPEMIG apoia estudo sobre as propriedades medicinais do Ipê Branco

Passar por um ipê branco florido e não ser arrebatado pela sua delicada beleza é algo quase impossível. Ainda mais nos centros urbanos, onde a visão da árvore em flor, em meio ao movimento caótico de pessoas e automóveis, tem um efeito quase terapêutico. E os ipês não esperaram a chegada da Primavera – que começa no próximo dia 23 de setembro – para florescer. Além disso, não é só a flor que possui propriedades “curativas”, a folha e a casca da madeira também as têm. No entanto, para percebê-las foi preciso olhar o ipê de um outro lugar, o lugar da ciência, como fez a pesquisadora Dênia Antunes Saúde Guimarães, coordenadora do projeto Estudo fitoquímico e avaliação das atividades anti-inflamatória e anti-hiperuricêmica de espécie do cerrado mineiro, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

[cml_media_alt id='5634']Muda de Ipê Branco - plantei.com[/cml_media_alt]

Muda de Ipê Branco – plantei.com

O projeto, conduzido na Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), chegou a uma promissora alternativa para o tratamento da gota, doença inflamatória, que acomete sobretudo as articulações, decorrente do aumento nos níveis de ácido úrico no sangue (hiperuricemia). Segundo a pesquisadora, essa elevação pode ter como possíveis causas histórico familiar, consumo excessivo de álcool, doença renal, obesidade, idade, fatores dietéticos, incluindo elevado consumo de frutos do mar, carne e vegetais ricos em purinas, por exemplo, couve-flor, aspargo, ervilhas e espinafre. “Dados presentes na literatura apontam que 10% das pessoas com níveis elevados de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) desenvolvem gota e 90% dos pacientes com gota possuem hiperuricemia”, explica.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a gota acomete com maior frequência os homens, a partir dos 30 anos, sendo rara entre mulheres na mesma faixa etária. Porém, após a menopausa, esse grupo torna-se mais vulnerável. No entanto, conforme destaca Dênia Saúde Guimarães, para além desses dados de prevalência da doença, um fator importante, que motivou a pesquisa, foi o número reduzido de medicamentos disponíveis no mercado para o tratamento da enfermidade e os efeitos adversos apresentados pelos medicamentos atuais.

“Assim, buscamos em uma planta do Cerrado mineiro a atividade antiartrite gotosa, ou seja, atividade anti-inflamatória e de redução dos níveis de ácido úrico no sangue. Como os extratos das plantas são compostos por muitas substâncias, é possível encontrar em um único extrato o efeito anti-inflamatório e de redução do ácido úrico no sangue, tanto pela diminuição da sua síntese como pelo aumento da sua excreção. Tais extratos seriam de grande importância para o tratamento das crises de gota.”, explica a pesquisadora.

Biodiversidade do cerrado

Segundo Dênia Saúde Guimarães, embora o Brasil possua a maior biodiversidade vegetal do mundo, apenas 8% de suas espécies foram estudadas com o objetivo de se isolar de substâncias bioativas e, das espécies estudadas, poucas tiveram suas propriedades medicinais avaliadas. No caso, a opção por estudar uma espécie do cerrado mineiro deu-se não apenas pelo fato de ele ser o bioma predominante em Minas Gerais, mas também pela elevada biodiversidade apresentada. “O cerrado brasileiro possui maior diversidade taxonômica (gênero, família e ordem) que a Floresta Amazônica, o que leva a uma maior diversidade química entre as espécies desse bioma. Nesse sentido, a diversidade e o potencial de substâncias com atividades biológicas produzidas pelas plantas do cerrado seriam maiores que as da floresta amazônica”, destaca Dênia.

 

Contatos da pesquisadora:

Dênia Antunes Saúde Guimarães
Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Telefone: (31) 3559-1649

 

Fonte: Assessoria da FAPEMIG

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