| Em 20/03/2025

Tecnologia combina drones e inteligência artificial para mapear Aedes Aegypti no DF

(Foto: Divulgação)

Visando implementar inovação e ciência no combate e tratamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) está financiando um projeto inovador. Se trata de uma iniciativa baseada no desenvolvimento de um sistema de coleta e mapeamento de dados, utilizando tecnologia de ponta para monitorar a infestação do mosquito de forma precisa e em tempo real.

Como Funciona o Sistema?

O projeto emprega uma série de tecnologias avançadas para detectar e mapear focos do Aedes aegypti. Entre os principais componentes estão um Veículo Aéreo Não Tripulado (drone), uma armadilha inteligente para captura e identificação do mosquito, uma plataforma web com um mapa interativo e um aplicativo que utiliza gêmeos digitais das armadilhas.

A armadilha inteligente desempenha um papel fundamental na coleta de dados. Utilizando um atrativo químico chamado BG-Lure, que simula o odor da pele humana, o dispositivo captura os mosquitos e os identifica por meio de um sistema baseado em inteligência artificial (IA).

Um conjunto de sensores mede variáveis ambientais, como temperatura, umidade e concentração de CO?, fatores que influenciam a proliferação do mosquito. Os dados coletados são enviados para um servidor central por meio de comunicação LoRa, garantindo que o monitoramento seja contínuo e eficiente.

O Impacto do Mapeamento Inteligente

A distribuição das armadilhas será feita estrategicamente em áreas historicamente afetadas pelo mosquito e com baixos índices de criminalidade, garantindo a segurança dos equipamentos. O drone será responsável tanto pela instalação quanto pela remoção das armadilhas após um período máximo de 16 horas de coleta de dados.

A análise dos dados gerados pelo sistema permitirá identificar padrões de infestação e fornecer informações cruciais para ações de controle epidemiológico. “Com essa tecnologia, podemos antecipar surtos e direcionar melhor os recursos públicos. Isso significa campanhas preventivas mais eficazes, maior eficiência no uso do fumacê e um monitoramento contínuo da situação”, afirma Marco Antônio Costa Júnior, presidente da FAPDF.

Desafios e Expectativas para o Futuro

A implementação do projeto enfrenta desafios como a necessidade de criar um banco de imagens do Aedes aegypti com exemplares vivos para treinar os algoritmos de IA, além da complexidade da integração entre diferentes tecnologias. No entanto, a equipe de pesquisadores acredita que os benefícios a longo prazo justificam os esforços.

A curto prazo, espera-se que a armadilha inteligente consiga não apenas capturar e identificar o mosquito, mas também correlacionar sua presença com fatores ambientais. Já a longo prazo, a meta é reduzir significativamente os custos associados ao combate ao mosquito e ao tratamento das doenças que ele transmite, além de diminuir a sobrecarga no sistema público de saúde.

Além disso, há planos para expandir o sistema, aumentar a produção de armadilhas e desenvolver modelos preditivos para melhorar a eficiência das ações de combate ao vetor. A equipe também pretende integrar a tecnologia com outras iniciativas de vigilância sanitária e homologar a aeronave junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para ampliar seu uso.

Participação da Comunidade

Embora inicialmente o projeto não previsse interação direta com a população, os pesquisadores estão desenvolvendo um aplicativo que permitirá aos cidadãos reportar focos do mosquito em suas residências. Essas informações poderão ser usadas para complementar o mapeamento do sistema e auxiliar na tomada de decisão das autoridades de saúde.

“Nosso objetivo é transformar a forma como combatemos o Aedes aegypti, tornando a prevenção mais eficiente e menos onerosa. Com o uso da tecnologia, estamos caminhando para um futuro onde os surtos dessas doenças sejam cada vez mais raros”, conclui Marco Antônio Costa Júnior.

O projeto representa um grande avanço na luta contra o Aedes aegypti e pode se tornar um modelo para outras regiões do país, demonstrando como a ciência e a tecnologia podem ser aliadas fundamentais na promoção da saúde pública.

Fonte: FAPDF (Por: Ascom Fapdf)

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