| Em 19/02/2025

Projeto apoiado pela Fapes desenvolve sistema auxiliar de diagnóstico para amputados de membro inferior atendidos pelo SUS

Com o sistema, é possível avaliar a velocidade, tamanho da passada e ângulo dos joelhos do paciente. (Imagens: Divulgação)

Com o objetivo de melhorar o processo de reabilitação de pessoas amputadas do membro inferior atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores do curso de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – campus Vitória, em parceria com pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), desenvolveram um sistema de baixo custo capaz de estimar parâmetros do movimento de locomoção dos pacientes.

O trabalho foi coordenado pela professora Mariana Rampinelli Fernandes, do Ifes, com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do Programa Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS).

Um dos resultados mais importantes do projeto é a possibilidade da análise da marcha, que é o caminhar das pessoas com alguma redução de mobilidade. O sistema pode ser aplicado na reabilitação de pessoa amputada, total ou parcial, de membro inferior e possibilita mensurar o quanto ela está progredindo na adaptação com a prótese. 

Mariana Rampinelli explica que a iniciativa surgiu da cooperação com pesquisadores da Ufes, que desenvolveram uma prótese de perna robótica para pessoas como membro inferior amputados, também atendidas pelo SUS, sob a liderança do professor Raphael de Andrade. “Nossa contribuição foi com a análise do movimento e da locomoção dos pacientes”, destacou a coordenadora.

O projeto, que ainda é um protótipo, é um sistema com visão computacional (multicâmeras) que auxilia profissionais da saúde a acompanharem a evolução de pessoas em processo de reabilitação. Com o sistema, é possível avaliar a velocidade, tamanho da passada e ângulo dos joelhos dos pacientes.

“Ele funciona a partir de um software que captura e analisa as imagens das câmeras que foram instaladas no espaço inteligente. O paciente fica neste espaço para realizar o teste em que seu esqueleto é detectado e, a partir disso, é realizada a reconstrução do esqueleto em 3D, o que torna o diagnóstico menos subjetivo”, explicou Mariana Rampinelli.

De acordo com a pesquisadora, o profissional que acompanha a reabilitação do paciente pode avaliar os testes a distância, não é preciso estar presente. É necessária a presença de um técnico para executar o sistema e auxiliar o paciente a fazer os movimentos e exercícios adequados. Mariana também ressaltou que já existem sistemas semelhantes para a análise de movimento humano, mas que o valor do sistema que está implantando é seu maior diferencial: “Além disso, não há um sistema como esse no atendimento do SUS, principalmente para amputados. Será uma novidade”, pontuou. 

O trabalho intitulado “Sistema Auxiliar de Diagnóstico de Amputados de Membro Inferior Atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), baseado em Visão Computacional e Aprendizado de Máquina”, foi contemplado na chamada realizada pela Fapes, em parceria com o Ministério da Saúde (MS), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria da Saúde (Sesa): Edital PPSUS nº 09/2020. O projeto recebeu investimento de R$ 141 mil provenientes do MS e da Fapes. 

“O Edital foi fundamental para o desenvolvimento do projeto. Com o financiamento, pudemos comprar os equipamentos e instalar o sistema no CREFES [Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo]. Além disso, a bolsa do projeto permitiu que tivéssemos um profissional com dedicação ao projeto durante os meses de vigência na Fapes”, frisou Mariana Rampinelli.

O PPSUS 

O Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS) surgiu, em 2004, como iniciativa de descentralização de fomento à pesquisa em saúde, em todos os estados que promovem o desenvolvimento científico e tecnológico, visando a atender às peculiaridades de cada região brasileira e contribuir para a redução das desigualdades regionais.

No edital de 2020, aberto pela Fapes, 18 projetos capixabas foram selecionados com investimento de mais de R$ 2 milhões.

Fonte: FAPES (Por: Rafaela Aguiar/ Ascom Fapes)

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