| Em 27/02/2025

Fapern apoia: Pesquisadores da UFRN desenvolvem tijolo ecológico de Cannabis

Equipe de pesquisa do projeto. (Foto: Higor Silva)

Muito se fala sobre a versatilidade da Cannabis e suas variantes para fins terapêuticos e medicinais, porém, a planta se mostra como uma alternativa sustentável para o setor industrial, substituindo materiais danosos ao meio ambiente. Um projeto coordenado pela professora Viviane Muniz, do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DET/UFRN), explora novos usos para a Cannabis, principalmente na produção de tijolos ecológicos.

A Iniciativa recebeu fomento da Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (Fapern) por meio do edital Nº 16/2022, que visa a apoiar propostas de pesquisa com utilização de Cannabis para fins terapêuticos e industriais. Quatro propostas foram aprovadas, uma delas, o projeto coordenado pela professora Viviane. Os recursos deste edital chegam a R$300 mil, sendo R$150 mil provenientes da emenda parlamentar da Deputada Isolda Dantas que soma aos outros R$150 mil de subsídios do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundet), gerido pela Fapern.

Com o objetivo de driblar as polêmicas do tema, a professora Viviane buscou tirar proveito máximo da planta para além do uso farmacológico. “Quando surgiu o edital fiquei pensando como poderia trabalhar com cannabis sem que trouxesse um preconceito, onde eu pudesse fazer algo diferente e como a engenharia se encaixaria nesse meio”, conta a professora. “Com isso, fui conversar com a associação Reconstruir Cannabis e no meio da conversa surgiu a ideia de fazer algo com o resíduo, uma vez que ninguém trabalha com ele”.

Com os restos da planta, a pesquisadora foi capaz de desenvolver um tijolo ecológico, o Hempcrete, que é feito de barro e utiliza pouco cimento. O caule seco triturado ou resíduos do extrato do óleo são usados no lugar de elementos prejudiciais ao meio ambiente. “O resíduo é uma coisa interessante porque você planta, colhe, produz o óleo e a Anvisa manda queimar o resíduo, que é um desperdício, no próprio ciclo podemos aproveitar tudo”. 

Gilton Sampaio, diretor presidente da Fapern, explica como a parceria com a UFRN no desenvolvimento de pesquisas vem ajudando no avanço econômico e social do Estado nos últimos anos. “Neste projeto, também contamos com a parceria com o mandato da deputada Isolda Dantas, que propôs uma emenda de R$150 mil para desenvolver pesquisas nessa temática”, diz o diretor.

O diretor presidente afirma que os resultados da pesquisa são promissores para uma construção civil mais sustentável. “A Fapern parabeniza a professora Viviane e espera que o resultado ajude os setores produtivos do estado, reafirmando o compromisso da Fundação de desenvolver muitas outras parcerias junto a Universidade Federal”, declara Gilton.

A produção dos tijolos ecológicos começa com a obtenção dos resíduos ou do caule da planta, que passam por tratamento e moagem antes de serem misturados aos demais componentes do material. Em seguida, a mistura é colocada em uma prensa, que molda o tijolo em seu formato final. O processo é concluído com a secagem total do produto. “O grande sucesso que temos é utilizar todo o resíduo e nada ser jogado fora. Então temos o ciclo de carbono perfeito, desde a cultura, fotossíntese, colheita, processo de obtenção do óleo, até usar os resíduos para os tijolos”, diz a professora Viviane Muniz.

Atualmente, a pesquisa está identificando o tamanho ideal da fibra, seu teor e granulometria nas propriedades do tijolo. Os próximos passos incluem produzir tijolos utilizando cal virgem. “A vantagem de fazer com cal é que conseguimos colocar mais fibra e ele fica um bloco bem mais rígido, passando a ser um tijolo estrutural, utilizado em construções mais resistentes”, afirma Viviane.

O objetivo final é que o tijolo possa ser uma alternativa viável para a construção civil. “Estamos chegando nas proporções corretas para colocar esse tijolo dentro das normas. Agora a ideia é fazer um protótipo de construção para ser monitorado ao externo e fazer a medição do conforto térmico”, explica a professora.

A pesquisa coordenada pela professora Viviane Muniz demonstra o potencial da cannabis como alternativa sustentável. O projeto, além de contribuir para a redução de impactos ambientais, também mostra o aproveitamento integral da planta. Com investimento em projetos como esse, a Fapern explora um futuro onde sustentabilidade e tecnologia trabalham juntos.

Fonte: FAPERN (Por: Higor Silva Nunes/ Ascom Fapern)

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