| Em 06/11/2024

Startup apoiada pelo Governo do Paraná cria simulador para treinamento de procedimentos de hemodiálise

Simulador para treinamento de procedimentos de hemodiálise – (Foto: Divulgação)

Uma tecnologia utilizada em um protótipo que simula o sistema circulatório deve otimizar treinamentos e capacitações práticas, não invasivas, de profissionais da saúde que atuam com pacientes em hemodiálise ou terapia renal substitutiva. O simulador inteligente para hemodiálise foi criado pela técnica em Enfermagem e estudante do curso de Enfermagem Renata Candido, que ao participar do Programa Centelha-PR, da Fundação Araucária, entendeu que sua ideia poderia se transformar em um produto e abrir sua própria startup.

Por meio do Centelha, Renata conseguiu apoio técnico para levar sua ideia a diante e recursos financeiros para desenvolver os protótipos. “O apoio que tive do Centelha foi em um momento ímpar do desenvolvimento do equipamento, pois eu não tinha recursos financeiros para levar a ideia a diante e se quer entendia que tinha uma empresa nas mãos”, conta a estudante de Enfermagem.

Mesmo com anos de experiência na enfermagem, Renata sentiu na pele as dificuldades de aprender uma nova função na sala de hemodiálise cheia de pacientes e no próprio paciente. “Trabalhar com o paciente renal crônico é uma especialidade que não se aprende nos cursos técnicos ou de graduação de enfermagem. É no dia a dia, com o paciente e com uma máquina que eu nunca tinha visto antes”, comenta.

“Eu me perguntei como é que esse paciente se sente ao ver uma profissional que vai cuidar da vida dele treinando ali na frente dele, sem conhecimento algum. Foi então que tive a inspiração divina de criar um simulador, que inicialmente era um mecanismo instalado dentro de um manequim de loja e que evoluiu para um simulador com mecanismo de circulação que funciona na máquina de hemodiálise”, explica a proprietária da startup ISHÁ Simuladores.

Como a máquina de hemodiálise é feita para reconhecer o ser humano, o simulador tem toda a programação de fluxos e batimentos cardíacos programados para ser reconhecido pela máquina. Por meio da embarcação de sensores e tecnologia estrutural, o equipamento promove a simulação e a reprodução concreta e fidedigna de um sistema circulatório (sanguíneo).

“O simulador cria um ambiente que dá segurança ao paciente. Melhoria da retenção de conhecimento, com redução de falhas técnicas, além de possibilitar a visualização na prática da instalação, cuidados pré e pós tratamento”, ressalta Renata Candido.

Há 18 anos fazendo hemodiálise, o motorista aposentado Eduardo Araújo Reis, já presenciou muitas situações constrangedoras de profissionais inexperientes. “Quando comecei a fazer hemodiálise fui atendido por um profissional sem nenhuma experiência que errou sete vezes ao tentar fazer o acesso na fístula arteriovenosa. Fiquei com sete agulhas no braço por ser um momento de aprendizagem do profissional, até chegar um enfermeiro mais experiente e conseguir furar direitinho para fazer a hemodiálise”, relata Eduardo.

O aposentado já viu várias vezes o simulador em atividade e afirma que com a possibilidade de capacitação antes de chegar ao paciente, o doente renal terá um melhor atendimento. “Este simulador vai agregar muito para a capacitação das enfermeiras antes de chegar no paciente, que não terá medo de ter seu tratamento prejudicado por uma pessoa sem experiência. Porque uma fístula, dependendo da maneira que fura você pode até perdê-la”, observa o aposentado.

O simulador já foi patenteado e sete protótipos já estão sendo usados em treinamentos. A startup busca parcerias para viabilizar a produção para a sua comercialização.

A idealizadora do projeto Renata Cnadido e a cirurgiã vascular Mariana Gibim – (Crédito: Aline D’JudaMK)

Qualificação profissional

A idealizadora do simulador, Renata Candido, lembra que o paciente precisa da hemodiálise quando o rim dele pára de funcionar. Precisa do tratamento por cerca de quatro horas, três vezers por semana e ser atendido por um profissional bem preparado para ter um tratamento de qualidade.

“Se a enfermeira ou enfermeiro não estiver apto a hemodiálise pode não ter a qualidade que deveria. Todas as vezes que a máquina é parada para treinar alguém, o paciente é prejudicado. É tirado dele o direito de fazer o tratamento com segurança e respeito”, argumenta Renata Candido.

Segundo a técnica de enfermagem, o uso do simulador também reduz o tempo de treinamento dos profissionais que, pelo modo observação, pode levar de três a seis meses e com o simulador este tempo reduz para cerca de quinze dias. “Ele pode errar, tirar dúvidas, acessar todos os mecanismos da máquina e, consequentemente, vai ter menos tempo ocioso, menos desperdício e maior produtividade  por ser um profissional mais treinado”, enfatiza.

Quando conheceu o simulador, a cirurgiã vascular Mariana Gibin, ficou impressionada devido ao avanço de qualidade técnica na diálise, que segundo ela, será posssível a partir do projeto que considera inovador. “Há uma dificuldade técnica muito grande porque as pulsões inadequadas podem trazer um prejuízo muito significativo e uma vida útil menor dos acessos vasculares, que são determinantes até para a expectativa de vida do paciente. É um projeto incrível e inovador que eu recomendo para todos os profissionais”, destaca a médica.

Para a médica Renata Aguilhera Aguiar, que participou do treinamento com o simulador inteligente, trata-se de uma oportunidade de ter acesso a conteúdos que ela não teve durante sua formação. “Eu resolvi fazer o treinamento para aprender mais sobre um conteúdo que eu não tive acesso na faculdade e nem depois de formada. Superou minhas expectativas. Estamos tendo acesso a um protótipo que é algo inédito, uma oportunidade única”, afirma.

Outros simuladores estão sendo desenvolvidos que devem facilitar o trabalho dos mais profissionais da área da saúde. “Nós já desenvolvemos um cachorro, então já entramos no mercado veterinário porque houve uma demanda muito grande”, relata a proprietária da startup ISHÁ Renata Candido.

Prêmio 

No último mês de outubro, o projeto foi finalista no Concurso de Startups Femininas do BRICS,  grupo de países de mercado emergente em relação ao seu desenvolvimento econômico, que contou com a participação de cerca de mil mulheres de 28 países.

Centelha-PR

O Programa Centelha oferece capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso. A iniciativa contou com o investimento da Fundação Araucária e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) de R$ 4,6 milhões em suas duas edições. O número de empresas apoiadas deve passar de 70, com o valor de até R$ 60 mil por projeto.

A FINEP anunciou um investimento de R$ 124 milhões na terceira edição do Centelha que deve ser lançada em breve. O valor é quase o dobro da edição anterior.

Fonte: Fundação Araucária (Por: Ticiane Barbosa, Ascom-FA)

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