| Em 03/09/2024

FAPEMIG celebra aniversário com reflexões e acordos para impulsionar PD&I

(Foto: Carla Radicchi – ACS/FAPEMIG)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) celebrou 39 anos de existência, no dia 28 de agosto, com a realização do Seminário A FAPEMIG como Agente de Transformação em Minas Gerais. Além de reunir servidores, pesquisadores, ex-dirigentes e gestores de instituições científicas para debater como a Fundação pode ter uma atuação transformadora, o encontro contou com a assinatura de dois acordos de cooperação técnica que servirão para incentivar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação no Estado. 

Carlos Arruda, presidente da FAPEMIG, apresentou números da atuação da Fundação ao longo desses anos e falou sobre perspectivas para 2025. “Ao longo desses 39 anos, a FAPEMIG investiu mais de R$5 bilhões em pesquisa e inovação no Estado. Para 2025, queremos aumentar os investimentos em inovação, de forma a manter um equilíbrio com os valores investidos na área científica. Também vamos fazer um incremento no número de bolsas, de forma que elas correspondam a 22% de nosso orçamento. Estamos prevendo um edital de bolsas de iniciação científica para áreas tecnológicas e bolsas de mestrado e doutorado profissionais que contemplam as áreas STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática)”, afirmou o presidente. 

Como parte dos esforços para impulsionar a inovação no Estado, foi assinado um acordo de cooperação técnica com a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) que vai permitir que sejam investidos R$137 milhões na área de inovação em Minas Gerais. O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, falou de como a Associação surgiu e de como esses investimentos poderão impulsionar a indústria mineira. “O Brasil tem grandes instituições de apoio à pesquisa, como o CNPq, a Capes, as FAPs. A Embrapii foi criada para fazer algo diferente. Nós investimos em grupos qualificados que possam contribuir para a indústria. Chegamos às unidades e perguntamos: o que você faz bem? Quanto você consegue produzir? E quanto você precisa para alavancar a sua produção?”, explica. 

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fernando Passalio, é muito importante comemorar a existência da FAPEMIG. “Nosso governo busca o equilíbrio dos investimentos em pesquisa básica e aplicada, de forma que a sociedade possa colher os frutos desses recursos. Vamos em frente porque ainda temos muito o que crescer”.

Discussões 

No primeiro painel do encontro, os palestrantes Carlos Nazareth, diretor do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e Igor Manhães, diretor de Planejamento e Relações Instituições da Embrapii, falaram sobre o impacto das unidades Embrapii em Minas Gerais.  

Manhães explicou que a Embrapii é uma organização social privada sem fins lucrativos que recebe recursos de quatro ministérios (da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI, da Educação – MEC, da Saúde – MS e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC) devido à alta demanda e necessidade de apoiar a inovação nas indústrias brasileiras. “A Embrapii existe para gerar novos produtos, serviços e processos. Promovemos a interação entre os centros de excelência em pesquisa e a indústria. Além da excelência para investir no desenvolvimento tecnológicos, a Embrapii também compartilha os custos e os riscos do desenvolvimento do projeto tecnológico”, explicou. 

Carlos Nazareth contou que a parceria do Inatel com a Embrapii começou há 10 anos. “Desde então, eu nunca havia tido uma experiência de parceria que focasse tanto nas necessidades do negócio. Hoje desenvolvemos uma série de pesquisas avançadas em diversas áreas de tecnologia e também somos um Centro de Competências da Embrapii”, contou. 

Impacto das FAPs 

Odir Dellagostin, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), fez uma palestra sobre a importância das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) para o desenvolvimento regional. Por meio de dados, ele refletiu acerca da queda da produção científica brasileira. “Em comparação aos outros estados da federação, Minas Gerais é o estado mais equilibrado, se relacionarmos a produção científica, a população, o percentual do PIB investido, entre outros fatores. Precisamos de crescimento não apenas na quantidade, mas também na qualidade da pesquisa”, sugeriu. 

Odir Dellagostin, Ricardo Galvão, Mario Neto Borges, Paulo Sérgio Beirão e Carlos Arruda. (Foto: Carla Radicchi – ACS/FAPEMIG)

Políticas Públicas em CT&I 

O segundo painel discutiu como ampliar o impacto e a relevância das políticas públicas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e Inovação na sociedade. O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG, Marcelo Speziali, conduziu a mesa e ressaltou a presença de representantes de diversos setores. “Antes, produzia-se ciência que não necessariamente precisava servir para algo. Hoje, sabemos que também precisamos nos orientar pelas necessidades da sociedade. Como fazer isso de forma equilibrada?”, questionou o gestor.

Para Ricardo Galvão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é preciso transbordar o conhecimento para se chegar ao desenvolvimento. “Para isso, precisamos vencer entraves ao realizar parcerias com as empresas e superar a dificuldade de realmente implementar o Marco Legal de CT&I como ele deveria ser”, disse. 

De acordo com Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é preciso ter uma visão estratégica que considere vários aspectos. “Devemos investir em parques tecnológicos, incubadoras de empresas, centros de pesquisas transdisciplinares e multiusuários. Precisamos de mais alianças estratégicas, acordos de parcerias para PD&I e incentivos para empresas spinoffs, além de mostrar nossas produções em vitrines tecnológicas”, sugeriu. 

Segundo Wagner Santiago, reitor na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), é preciso criar formas de atrair os graduandos para a pesquisa. “A Unimontes está numa região socialmente vulnerável, onde os alunos dependem de recursos para se manterem na universidade. Temos cerca de 15 mil alunos, dos quais quase 700 são bolsitas de iniciação científica. Precisamos ampliar esse acesso para não perder esses alunos, que serão os nossos futuros pesquisadores”, acrescentou. 

Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups, encerrou as reflexões dizendo que é preciso criar plataformas capazes de contribuírem de forma ecossistêmica para a inovação no Estado. “Não podemos ser generalistas, é preciso focar em algumas áreas específicas para construirmos modelos e metodologias que nos permitam fazer a gestão de ecossistemas capazes de alavancar as políticas públicas em prol da inovação”, disse. 

Bolsas de produtividade 

Ao final do encontro, outro importante acordo de cooperação técnica foi assinado com o CNPq. O acordo visa a ampliar a concessão de bolsas de produtividade em Minas Gerais. No caso daqueles pesquisadores que cumpriram os requisitos do CNPq, mas ficaram de fora do apoio por conta do limite de recursos da agência, a FAPEMIG irá assumir o pagamento da bolsa e o pesquisador poderá ter o selo do CNPq em seu currículo Lattes. “Essa iniciativa vai nos permitir enxergar o pesquisador que está começando, mas também aquele que já tem anos de pesquisa, contribuindo para que não haja uma avaliação equivocada de que uns são melhores que outros”, afirmou Marcelo Speziali.  

Assista ao Seminário completo no YouTube da FAPEMIG.

Fonte: FAPEMIG (Por: Vivian Teixeira/ Ascom Fapemig)

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