| Em 03/04/2024

Pesquisa detecta grande concentração de Ômega 3 e proteínas de alta qualidade em peixes de Mato Grosso

A Tambatinga tem uma alta concentração de proteína, cerca de 28,66%. – (Foto por: Arquivo/Pesquisador)

Pesquisadores do campus Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), desenvolveram estudos onde revelaram que peixes da espécie pacu-pevas e outras espécies de água doce, mais especificamente encontradas em Mato Grosso, são alternativas importantes na composição de uma dieta mais saudável, por possuírem grande concentração de graxos Ômega 3,6 e 9, proteínas de alta qualidade e outros nutrientes importantes para a saúde humana.

A pesquisa fomentada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), foi desenvolvida no âmbito do programa de Mestrado em Ciências e Tecnologia de Alimentos, por mestrandos e pesquisadores da instituição, coordenados pela professora Sandra Mariotto e demais professores colaboradores.

De acordo com a coordenadora, “o objetivo foi determinar a composição aproximada de proteínas e gorduras, especificando em frações, como ácidos graxos e concentração de colesterol em espécies consumidas com regularidade em nosso estado”. Os resultados apontaram que todas as espécies analisadas apresentaram alta qualidade nutricional quanto a proteínas ou teor de ácidos graxos, a exemplo do Ômega 3,6 e 9 com baixos índices de trombogenicidade (gorduras que poderiam causar doenças), e altas relações de ácidos graxos, hipocolesterol (que beneficia o metabolismo). Ou seja, as espécies estudadas são boas fontes de proteínas dietéticas, e gorduras benéficas, entre eles, o já conhecido Ômega 3, encontrado comumente em peixe de água salgada, como o salmão.

Os resultados também mostraram que mesmo os peixes híbridos (de cativeiro), são benéficos para o consumo, com gorduras e proteínas de qualidade, favorecendo uma boa digestão em comparação a outras de origem animal. Para a nutricionista Ana Flávia, “as espécies estudadas são mais acessíveis para a população, e trazem nutrientes importantes como o ômega 3, 6 e 9,   que possuem  ação anti-inflamatória, auxiliando no tratamento de colesterol alto e no metabolismo da glicose, ajudando também na prevenção de Alzheimer”, finalizou.

Além da tradição do consumo de peixe na quaresma, o consumo de peixe se torna uma alternativa mais econômica para a população. De acordo com o presidente da Associação Mato-grossense de Piscicultores (Aquamat), Darci Fornari, “  um  das espécies mais consumida é o Tambatinga, que custa em torno de R$22 por quilo (peixe inteiro eviscerado), o filé em média fica em torno de R$55 o quilo, enquanto o filé de salmão chega a R$135,00, uma economia em torno de 60%, favorecendo assim, o crescimento da procura pelo peixe de água doce”.

 Desenvolvimento Científico 

“A pesquisa inicial com as espécies de pacu-pevas, mostrou ótimos resultados, com isso veio a necessidade de ampliarmos os estudos para outras espécies, buscando concentrações relevantes destes nutrientes. Onde mais dez espécies, foram adicionadas, sendo que três delas, criadas em cativeiro, como o Tambacu, Bagre e a Tambatinga.

A coordenado do projeto Sandra Mariotto   destaca que “a Tambatinga é a preferida dos piscicultores, pois possuem um rápido crescimento de massa muscular, representando uma boa lucratividade em menos tempo. Onde identificamos uma alta concentração de proteína, cerca de 28,66%, já o Pintado possui uma concentração em torno de 22%, em comparação com as carnes vermelhas que podem ultrapassar os 30%, mas levando em conta a digestibilidade e a concentração de gorduras consideradas boas, é mais indicado o consumo de peixes, mostrando uma alternativa nutricional de qualidade”.

Os resultados finais geraram dois artigos científicos, onde foram publicados em revistas científicas internacionais, no Journal of Food Composition and Analysis com cinco espécies de pacu-pevas, o segundo na revista científica Chemistry & Biodiversity com sete espécies nativas, sendo três de cativeiro (piscicultura).

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Ovando/ Fapemat)

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