| Em 05/12/2023

Estudo apoiado pelo Governo do Amazonas busca avanços no tratamento de acidentes ofídicos

(Foto: Nathalie Brasil/Fapeam)

A demora para administração de antiveneno é o principal fator para o agravamento de acidentes causados por serpentes em seres humanos. Diante disso, pesquisa colaborativa desenvolvida, com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre cientistas do Amazonas, Acre e São Paulo, visa contribuir para a eficácia, segurança e efetividade no tratamento de envenenamento provocado pela espécie jararaca-do-norte (Bothrops atrox).

O projeto em andamento intitulado “Avanços no tratamento ofídico: estudos pré-clínicos e clínicos, tratamentos alternativos e descentralização” analisa desde os aspectos básicos da capacidade de neutralização das toxinas das peçonhas da serpente até o acesso ao antiveneno em áreas remotas da região amazônica.

O estudo reúne pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Instituto Butantan e Universidade Federal do Acre (Ufac) e é amparado pelo projeto Iniciativa Amazônia +10, Chamada de Pública nº 003/2022, ação do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo a Pesquisas (Confap) e do Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti).

O coordenador do projeto no Amazonas, pesquisador Wuelton Monteiro, da FMT-HVD, explica ser necessária a implementação de um protocolo de pesquisa, que aumente a acessibilidade ao tratamento, diminuindo o tempo decorrido entre o envenenamento e o tratamento do paciente e, consequentemente, melhorando o prognóstico.

“Acredita-se que o treinamento sistemático dos profissionais envolvidos levará ao aprimoramento na classificação de gravidade dos acidentes, melhorando a definição da dose do antiveneno a uma vigilância mais ativa e sensível das reações adversas precoces ao tratamento”, disse o cientista.

Até o momento, os pesquisadores já validaram um material para treinamento de profissionais da saúde, levando em consideração os aspectos epidemiológicos e culturais da região amazônica. Já foram capacitadas, aproximadamente, 300 pessoas que atuam no interior do estado, nos municípios de Careiro da Várzea (distante a 25 km da capital Manaus), Barcelos (399 km), Nova Olinda do Norte (135 km) e Ipixuna (1.367 km), bem como de sete Distritos Sanitários Indígenas (DSEIs) do Amazonas.

“Desses DSEIs, 2 já estão oferecendo o tratamento com soro antiofídico, com excelente aceitação por parte dos profissionais. Nós estamos entrando numa fase de avaliação da viabilidade deste processo, levantando pontos positivos e negativos encontrados durante esta implementação”, observou o pesquisador.

Doutor em Medicina Tropical, Wuelton Monteiro reforça que o envenenamento causado por serpentes exige uma intervenção rápida, com a administração de antiveneno, preferencialmente nas primeiras seis horas após a picada. No entanto, muitos grupos vulneráveis podem levar dias para alcançar a assistência médica, no momento em que o antiveneno já não é capaz de neutralizar os efeitos do envenenamento.

Neutralizantes

Identificar moléculas que sejam capazes de neutralizar e bloquear os efeitos do veneno da jararaca-do-norte no organismo humano também têm sido objetivos dos pesquisadores, visto que pode propiciar o desenvolvimento de medicamentos a serem usados no tratamento do envenenamento, em conjunto com o soro antiofídico.

Essa parte do estudo vem sendo desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan. Algumas moléculas testadas são medicamentos usados em seres humanos, para outras doenças, e que demonstraram resultados promissores em testes in vitro e, posteriormente, podem evoluir para testes em laboratório.

Com a descoberta e caracterização completa das linhagens, espera-se gerar recursos humanos especializados e aptos e ainda introduzir uma nova linha de pesquisa multidisciplinar no Amazonas, fortalecendo a área de biotecnologia local.

Além de Wuelton Monteiro, participam da pesquisa os cientistas Ana Maria Moura da Silva, do Instituto Butantan, e Paulo Sérgio Bernarde, da Ufac.

Iniciativa Amazônia +10

A Chamada apoia estudos e o desenvolvimento tecnológico em instituições de ensino e pesquisa e em empresas sobre os problemas atuais da Amazônia, que tenham como foco o estreitamento das interações natureza-sociedade, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região amazônica.

Na primeira chamada da Iniciativa Amazônia +1, nº 003/2022, foram aprovados 39 projetos de pesquisa, desses, 16 contam com pesquisadores do Amazonas.

Uma nova chamada pública da Iniciativa Amazônia +10: Expedições Científicas, está aberta. Esta, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para a Iniciativa Amazônia + 10: Expedições Científicas são disponibilizados R$ 59,2 milhões para financiar pesquisas voltadas à expansão do conhecimento científico da sociobiodiversidade sobre áreas pouco conhecidas da região amazônica. O prazo para submissão de proposta é até 29 de abril de 2024. Acesso à Resolução N.º 031/2023, que define  diretrizes específicas da Fapeam para as Expedições Científicas, em https://l1nk.dev/Ptcu3.

 

Fonte: FAPEAM (Por: Diovana Rodrigues – Decon/Fapeam)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

Leia também

Em 25/02/2026

Governo de Santa Catarina e UFSC inauguram o primeiro laboratório da Rede Catarinense de Robótica, com investimento de R$ 2,5 milhões

A consolidação de uma infraestrutura científica de alto nível marca um novo momento para a robótica no estado, com a criação de uma rede que integra diferentes regiões, fortalece a pesquisa de ponta e já demonstra potencial de aplicação em ações conjuntas com forças de segurança e órgãos de fiscalização. Em Santa Catarina, essa iniciativa […]

Em 25/02/2026

Governo do Pará financia criação da primeira estação de recarga para carros elétricos feita 100% de fibras amazônicas

Um projeto inovador e sustentável, voltado à bioeconomia amazônica, utiliza insumos naturais vegetais da região em 100% de sua estrutura. Com financiamento do governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta contemplada no âmbito do programa Centelha II, substitui materiais sintéticos e metálicos, usualmente empregados no […]

Em 25/02/2026

Facepe adere a acordo com o Belmont Forum e amplia participação de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa oceânica

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) aderiu a um Acordo de Cooperação Técnica com o Belmont Forum, ampliando a inserção de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa voltadas a desafios globais estratégicos. Por meio desse acordo, a Facepe participa da chamada Ocean II – Towards the Ocean We […]

Em 25/02/2026

FAPEMA lança edição especial da Revista Inovação

Está no ar a edição especial da Revista Inovação dedicada à divulgação científica e à popularização da ciência produzida no estado do Maranhão. O periódico, produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), reúne 40 reportagens que traduzem pesquisas, projetos e trajetórias de pesquisadores vencedores do Prêmio […]