| Em 10/02/2023

Conquistas e desafios são lembrados no Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência

 

Dados da Unesco mostram que apenas um em cada três cientistas no mundo são mulheres. Um grande desafio lembrado no próximo dia 11 de fevereiro em que é comemorado o Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência. São muitas as dificuldades mas as mulheres estão conseguindo, aos poucos, superá-las e têm se destacado em suas atuações como pesquisadoras.

No Paraná, a participação das mulheres no desenvolvimento da ciência e tecnologia tem aumentado em número e qualidade. Dos 986 convênios vigentes da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico para projetos com  instituições de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), 435 são coordenados por pesquisadoras. Das 8.800 bolsas de pesquisa e extensão vigentes  cerca de 4.500 são de mulheres.

“Neste século, tivemos um aumento expressivo no número de doutoras e pesquisadoras no estado. Dos 21 mil doutores, cerca de 5.500 são mulheres. E esperamos que aumente até chegarmos a termos um número compatível com o percentual de mulheres na sociedade”, destacou o presidente da Fundação Araucária Ramiro Wahrhaftig.

“E não é só em quantidade mas também em qualidade. Há muita dedicação e muita entrega para fazer com que, realmente, a ciência e a tecnologia estejam à disposição da nossa sociedade e, cada vez mais, contribuam com o desenvolvimento socioeconômico da população paranaense e brasileira”, completa Wahrhaftig.

Sustento e tempo disponível para balancear filhos e demandas da carreira foram os principais desafios enfrentados pela pesquisadora e professora de Genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Angelica Beate Winter Boldt. Mãe de três filhos, ela conta que o apoio da sua família, principalmente financeiramente, foi fundamental.

“Por vezes, o sonho de me tornar pesquisadora foi sustentado pelo salário do meu marido. Marcos também me acompanhou em 2002 para o doutorado integral na Alemanha (com bolsa do CNPq e adicional para dependentes) e ficou cuidando dos dois filhos pequenos, um com cinco e outro com um ano e meio, enquanto eu trabalhava no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de Tübingen, na Alemanha”, conta a pesquisadora.

Segundo a professora Angelica, ao longo dos 27 anos como pesquisadora dos seus apenas 49 de idade, a obtenção de fomento para realizar os projetos de pesquisa se tornou outro grande desafio. “Esta situação tornou-se mais tranquila a partir de 2016, quando surgiu o projeto Mennogen que considero ser o marco zero do período mais maduro da minha carreira.”

O projeto visa a descrição e investigação do perfil genético associado a padrões epidemiológicos das comunidades menonitas latino-americanas. “A princípio sem fomento algum para este projeto em específico, parte dos objetivos do Mennogen só foram alcançados por meio de colaborações nos USA e Alemanha. Os resultados motivaram o projeto estadual dentro do NAPI Genômica – apoiado pela Fundação Araucária e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, denominado Genomas Paraná, e inspiraram o projeto MedEpiGen, aprovado no edital de pesquisa para o SUS e de âmbito estadual, com colaborações de cinco universidades do interior paranaense. Atualmente, o projeto está se expandindo para atender as comunidades menonitas na Bolívia e espera-se que seja, em breve, estendido para o Paraguai”, explica Angelica.

Histórias como a da pesquisadora Angelica Boldt inspiram a jovem Ana Luiza Goularte da Silva de 18 anos. Estudante de escola pública e moradora de Campo Largo, ela é caloura no curso de Nutrição da UFPR.

“Ser mulher e fazer ciência é um ato de resistência muito grande. Eu quero ser uma cientista”, afirmou a jovem que integra um grupo de meninas que conquistaram o primeiro lugar em Ciências Sociais Aplicadas na edição de 2021 da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (Ficiências), promovida pela Itaipu Binacional em parceria com universidades públicas.

Com o projeto “Políticas Públicas para Educação Sexual e Pobreza Menstrual no Brasil: Um estudo de caso em instituições de ensino no Paraná”, Ana Luiza tem participado de feiras de ciências desde o início da pandemia quando se interessou ainda mais pela ciência. “Durante a pandemia vimos a importância da ciência no desenvolvimento das vacinas e a importância das universidades públicas. Para mim a ciência é importante porque você pode ajudar a mudar o mundo”, relatou.

Desde muito pequena a pesquisadora Carla Forte Molento sempre gostou de aprender sobre as coisas e tentar entender como o mundo funciona. “Dizia que queria fazer pesquisas sobre animais desde antes de entender como isso poderia ser feito. O apoio da minha mãe foi fundamental”, conta a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias e do Laboratório de Bem-Estar Animal da UFPR.

Casada com um pesquisador e mãe de três filhos, a pesquisadora acredita que diante de tantos desafios enfrentados pelas mulheres na ciência são necessárias mais ações inclusivas para aumentar o número de cientistas mulheres. “Este número está crescendo, mas são necessárias mais ações para que seja maior e também que aumente o número de mulheres em cargos de liderança”, enfatizou.

Segundo Carla Molento, cientista há 19 anos, a força feminina é grande em sua área de pesquisa que é a de Proteínas Alternativas também tema de um Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação apoiado pela Fundação Araucária. “Um grande desafio para mim foi perceber como os animais eram e por vezes ainda são tratados no ambiente acadêmico-científico e também em várias outras práticas amplamente difundidas, como por exemplo o uso de animais para produzir alimentos. Quanto mais competência e efetividade eu tivesse em meu trabalho, mais eu poderia contribuir para pelo menos atenuar as atrocidades que eram e ainda são cometidas a bilhões de animais a cada ano. É uma realidade muito dura e extremamente persistente, são muitas pessoas empenhadas majoritariamente mulheres”, explica Carla Molento.

A pesquisadora Angelica Boldt lembra que são muitas as mulheres que, depois de quase três décadas, ainda enfrentam os mesmos problemas que ela passou ao longo da carreira científica. Para ela a realidade só mudará com ações efetivas direcionadas às mulheres na ciência. “Por meio de políticas públicas que possibilitem o exercício da maternidade, junto a uma carreira acadêmica frutífera. Dar a devida importância a existência e ao número de filhos em processos seletivos a vagas de docência e carreiras de pesquisador, assim como em editais de projetos de pesquisa. Seriam formas simples de incentivar mulheres que sonham com a maternidade e a pesquisa”, sugere a cientista.

“Sei por experiência própria, que ambas são perfeitamente conciliáveis e enriquecem tremendamente a trajetória de vida”, motiva.

 

Fonte: Fundação Araucária (Por Ticiane Barbosa/Ascom Aracuária)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

 

Leia também

Em 24/06/2026

Lançada a 1ª chamada da Parceria de Matérias-Primas para a Transição Verde e Digital (RAMP)

A Parceria de Matérias-Primas para a Transição Verde e Digital (RAMP) lançou, nesta terça-feira (23/06), sua primeira chamada transnacional no âmbito do programa-quadro de pesquisa e inovação da União Europeia, Horizon Europe. A chamada tem como objetivo financiar consórcios transnacionais de pesquisa e inovação em toda a cadeia de valor das matérias-primas. As propostas deverão […]

Em 23/06/2026

CONFAP, MCTI e CNPq assinam documento para estruturação de um Sistema Nacional de Popularização da Ciência

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) assinaram, nesta segunda-feira (22), o Termo de Execução Descentralizada (TED) do plano de trabalho que viabiliza a estruturação de um Sistema Nacional de Popularização da Ciência. […]

Em 22/06/2026

Lançada a Chamada CONFAP & WBI 2026 para apoio a projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre Brasil e Bélgica

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com a Wallonie-Bruxelles International (WBI), lançou, nesta segunda-feira (22), a Chamada CONFAP & WBI – Bélgica 2026, destinada ao financiamento de projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre o Brasil e a Bélgica.  A iniciativa é realizada no âmbito do Memorando de […]

Em 22/06/2026

Startup oferece aluguel de abelhas para polinização de cafezais no estado do Rio de Janeiro

Voando de flor em flor, as abelhas são responsáveis pela polinização das diversas espécies vegetais e têm sido fundamentais ao longo da história para promover a variabilidade genética das plantas e a agricultura. Promovendo de forma inovadora essa tecnologia natural no estado do Rio de Janeiro, a startup Rent a Bee oferece um serviço inusitado: o aluguel de […]