| Em 12/07/2021

Efluente tratado por fossa biodigestora serve de adubo orgânico para agricultores familiares do Tocantins

A pesquisa revela a importância da estruturação do laboratório através do convênio Estruturante com apoio dos Governos federal e Governo do Tocantins por meio da Fapt, o que viabiliza o desenvolvimento dos estudos. (Foto: Gilson Araújo de Freitas – Engenheiro Agronomo)

Um estudo comprova que o efluente de esgoto tratado gerado na fossa séptica biodigestor é um biofertilizante que pode substituir a aplicação do nitrogênio sintético na adubação de pequenas lavouras de produtores rurais.  O adubo orgânico, como assim é popularmente conhecido, está sendo utilizado em um projeto modelo executado na região sul do Tocantins pela Universidade de Gurupi (Unirg) e conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma parceria dos Governos Federal e estadual por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

O estudo coordenado pela Mestre e doutoranda em Produção Vegetal, Miréia Aparecida, docente da Universidade de Gurupi (Unirg), implantou mecanismos sustentáveis e viáveis no Assentamento Vale Verde no município de Gurupi-TO. No decorrer da pesquisa houve a colaboração diversos pesquisadores, acadêmicos de iniciação científica das áreas de Agronomia, Farmácia e Enfermagem; do mestrado e doutorado em Biodiversidade, Produção Vegetal, Solos, Ciência dos Alimentos, Ciências Biológicas, Biotecnologia e Microbiologia.

Em virtude da falta de acesso ao saneamento no meio rural, uma alternativa utilizada é a fossa séptica biodigestora que evita o lançamento dos dejetos no meio ambiente ou em lugares onde as residências não possuem um sistema de saneamento básico. Com a construção da fossa é possível impedir que os dejetos sejam jogados em locais como rios, córregos e solo. Esse tipo de tratamento permite a redução de casos de doenças oriundas de bactérias de águas contaminadas.

“Além de alternativa ao fertilizante sintético, o uso do adubo orgânico gerado pelo sistema de saneamento básico rural visa a preservação do meio ambiente com a destinação adequada e a reciclagem do uso dos macronutrientes: nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).  Além de melhorar a qualidade do solo e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. A tecnologia traz soluções importantes para o pequeno produtor: gera adubo orgânico para a lavoura e proporciona saneamento rural adequado às propriedades rurais que não possuem”, explicou o engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia/Melhoramento de Plantas, e atual presidente da Fapt, Márcio Silveira.

A produtora rural, Valdina Ramos, é uma das beneficiadas pelo sistema de esgoto biogestor e acrescenta a importância da inovação em sua propriedade. “O uso do efluente da fossa séptica tem sido bem-vinda, trata- se de um adubo de primeira qualidade para o solo, o que ajuda na produção de hortaliças e frutas com diferencial e ainda nos proporciona uma fonte de renda a nossa família”, destaca.

Agricultora Valdina Ramos declara a satisfação de receber o apoio científico em sua propriedade através da visita da professora Mireia Aparecida (direita). (Foto: divulgação Unirg)

Convênio Estruturante

O estudo científico da fossa séptica é fruto do apoio financeiro dos Governos federal e estadual através da Fapt que proporcionou toda a estrutura necessária em equipamentos que auxiliaram os pesquisadores durante todo o processo, tanto dos laboratórios da Unirg, como da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus Gurupi. Por meio do convênio Estruturante, foi possível disponibilizar veículos, computadores, materiais para produção de mudas e construção de fossa séptica, serviço de inventário de plantas medicinais, entre outros equipamentos que estão na Unirg. Já a UFT ficou responsável pela casa de vegetação climática de plástico, lupas estereoscópicas, estufa com renovação e circulação de ar e outros materiais. O projeto tem dez anos de existência e é tido como modelo.

“O projeto tem se consolidado através da melhoria da infraestrutura proporcionada pelo convênio, da formação de recursos humanos e transferência de tecnologia para os agricultores, o que representa a promoção da preservação da biodiversidade. Sem o apoio do convênio não seria possível a implantação da inovação nessa comunidade modelo, o que pode também ser utilizada em outras áreas rurais em potencial e assim fortalecer a agricultura familiar com geração de produto de qualidade e fonte de renda para as famílias”, ressaltou a pesquisadora.

O que é fossa séptica biodigestora

É uma solução tecnológica de fácil instalação e custo acessível, trata-se do esgoto do vaso sanitário (urina e fezes humanas) que através da produção de efluente pode ser usado no solo como fertilizante (adubo orgânico) para plantas. A inovação não gera odores desagradáveis, não procria ratos, moscas, baratas e evita a contaminação do lençol freático. O sistema básico, dimensionado para uma residência com até cinco moradores, é composto por três caixas de mil litros, tubos, conexões, válvulas e registros.

A tubulação do vaso sanitário é desviada para essa fossa, onde o esgoto doméstico, com o auxílio de um pouco de esterco bovino fresco, é tratado e transformado em adubo orgânico pelo processo de biodigestão anaeróbia. O adubo deve ser aplicado diretamente no solo e não deve ser usado em alimentos que são consumidos crus, como hortaliças, por exemplo.  Essa tecnologia é muito utilizada também pela Embrapa.

 

Fonte: FAPT (Por Geórgya Laranjeira Correa e Stefani Cavalcante/ Governo do Tocantins)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

Leia também

Em 24/06/2026

Lançada a 1ª chamada da Parceria de Matérias-Primas para a Transição Verde e Digital (RAMP)

A Parceria de Matérias-Primas para a Transição Verde e Digital (RAMP) lançou, nesta terça-feira (23/06), sua primeira chamada transnacional no âmbito do programa-quadro de pesquisa e inovação da União Europeia, Horizon Europe. A chamada tem como objetivo financiar consórcios transnacionais de pesquisa e inovação em toda a cadeia de valor das matérias-primas. As propostas deverão […]

Em 23/06/2026

CONFAP, MCTI e CNPq assinam documento para estruturação de um Sistema Nacional de Popularização da Ciência

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) assinaram, nesta segunda-feira (22), o Termo de Execução Descentralizada (TED) do plano de trabalho que viabiliza a estruturação de um Sistema Nacional de Popularização da Ciência. […]

Em 22/06/2026

Lançada a Chamada CONFAP & WBI 2026 para apoio a projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre Brasil e Bélgica

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com a Wallonie-Bruxelles International (WBI), lançou, nesta segunda-feira (22), a Chamada CONFAP & WBI – Bélgica 2026, destinada ao financiamento de projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre o Brasil e a Bélgica.  A iniciativa é realizada no âmbito do Memorando de […]

Em 22/06/2026

Startup oferece aluguel de abelhas para polinização de cafezais no estado do Rio de Janeiro

Voando de flor em flor, as abelhas são responsáveis pela polinização das diversas espécies vegetais e têm sido fundamentais ao longo da história para promover a variabilidade genética das plantas e a agricultura. Promovendo de forma inovadora essa tecnologia natural no estado do Rio de Janeiro, a startup Rent a Bee oferece um serviço inusitado: o aluguel de […]